Você nos olhou o dia inteiro da sua toalha na praia
Você não nos conhecia de nada, mas passou a tarde toda com a mão dentro da sunga, nos vendo brincar. E nós sabíamos disso desde o começo.
Você não nos conhecia de nada, mas passou a tarde toda com a mão dentro da sunga, nos vendo brincar. E nós sabíamos disso desde o começo.
Ela chorava bêbada no meu ombro dizendo que ninguém mais a desejava. Não imaginava que, naquela mesma noite, na areia, eu ia provar exatamente o contrário.
Nunca pensei que ver outro homem olhando para minha namorada nua, com as pernas abertas sobre a areia, seria a coisa mais excitante que eu sentiria na vida.
Passávamos meses fantasiando com a ideia. Naquela noite, enquanto ela subia a escada atrás da garçonete, eu soube que veria tudo da sala ao lado.
Acabava de sair do banho quando vi a mensagem dela na tela. Não era o que eu procurava, mas a foto dela me fez mudar de planos naquela mesma tarde.
Achei que o balneário estivesse vazio até ouvir as risadas. Cinco vozes jovens, cinco olhares que não se desviaram do biquíni branco molhado contra minha pele.
PareI no semáforo só por curiosidade. Uma hora depois eu estava deitado de costas, pedindo devagar, descobrindo um lado meu que passei anos fingindo que não existia.
Desci no meio da madrugada para pegar um copo d'água. A porta do quarto do fundo estava entreaberta, e de dentro saíam uma luz fraca e duas risadas cúmplices.
Meu anúncio era para homens, sempre. Mas naquela tarde, quando li a mensagem dela, soube que eu ia quebrar minha própria regra e complicar minha vida.
O machão que me humilhou na frente de metade da academia me escreveu por um app de encontros a cinquenta metros da minha casa. Quinze minutos depois, estava tocando a campainha.
Eram quase onze quando o elevador me deixou diante do estacionamento vazio. Eu não imaginava que aquelas chaves me custariam tão caro — e tão barato ao mesmo tempo.
Naquela tarde, girei o telescópio sem esperar nada novo e a vi: ajoelhada sobre a cadeira, alheia ao fato de que um desconhecido a trinta metros a observava em silêncio.
Quando ela me disse o total e contei as notas, eu soube que me faltavam quatro mil. Olhei para ela, apoiei os cotovelos no balcão e sussurrei algo em seu ouvido.
Pedi o quarto e apaguei as luzes para me deixar ser mimado como nunca. Até que minha mão procurou entre suas pernas e encontrou algo que jamais imaginei.
Há anos ele encostava a orelha nas paredes de motéis baratos. Uma noite encontrou um fórum que prometia algo mais: cabines para espiar o prazer alheio.
Subi as escadas mal conseguindo andar, com o vestido cheirando à noite inteira. Eu não sabia que minha mãe estava acordada, me esperando no corredor.
Nunca tinha saído para a rua vestida assim. Naquela manhã, com a casa só para mim, decidi que era o dia de cumprir a fantasia que me tirava o sono.
Seu nick dizia «travesti ativa» e eu mal tinha uma experiência. Naquele hotel perto do metrô, aprendi o que era ser realmente submetido.
Desci do ônibus com a cabeça cheia de aulas e o corpo cheio de outra coisa. Vinte minutos depois eu estava no carro de um desconhecido, aprendendo o que nunca me atrevi a perguntar.
Eu já vinha sentindo uns olhos cravados na nuca enquanto tocava. Naquela sexta, tranquei as portas e desci do palco decidida a descobrir quem era.