A crossdresser que me chamou Lorena naquela noite
Subi esses degraus com o coração a mil, sem imaginar que sairia do apartamento convertido em outra pessoa e com um nome de mulher nos lábios.
Subi esses degraus com o coração a mil, sem imaginar que sairia do apartamento convertido em outra pessoa e com um nome de mulher nos lábios.
Tranquei o vestiário, abri a maleta e deixei de ser Tomás. Nessa noite, no clube, eu não imaginava que meu próprio chefe ia abrir a porta.
Cinco amigos do chefe, uma casa alugada e uma partida de pôquer. Diego sabia como eu ia me vestir em cada rodada; o que ninguém sabia era como a noite terminaria.
Disquei o número que ele me deu na estrada sem saber seu nome. Em duas horas ele estaria na minha porta, e eu já tinha colocado a peruca loira e os saltos mais altos.
Confessei a fantasia às onze e meia da noite. Às duas da manhã já tínhamos o encontro marcado e eu estava mais assustado do que ela.
Quando abriu a pasta oculta do celular e virou a tela para mim, entendi que a tímida de sempre tinha se atrevido, enfim, a contar tudo.
Achávamos que estávamos sozinhos na enseada escondida, até eu notar que aqueles três não tiravam os olhos de nós. E isso nem incomodava a gente.
Amarrada sob as luzes e com o olhar dele cravado em mim, entendi que naquela noite o verdadeiro espetáculo era ele: obrigado a ver tudo o que se recusou a me dar.
Ela limpava a varanda de calcinha e quase nada mais, sem saber que dois homens a espionavam do prédio em frente. E, para mim, vê-la desejada me enlouquecia.
Meu dono plantou a ideia como uma semente: dinheiro pelo meu corpo e um desconhecido observando cada detalhe. Numa terça-feira, saí para cumprir isso sem saber como terminaria.
Viemos a Formentera para exibi-la. Não imaginei até onde ela estava disposta a ir quando aquele estrangeiro estendeu a toalha a poucos metros de nós.
Entrei no terceiro provador, deixei a cortina do jeito que eu gosto e, ao erguer os olhos, peguei ela olhando pra dentro. Uma das minhas, pensei.
Naquela tarde de abril saí sem sutiã e com uma tanga mínima. Eu não sabia que meu marido ia parar diante do posto abandonado para me fazer aquilo.
Fechei os olhos, ergui a bunda e esperei ouvir sua voz. Eu não queria lingerie nem flerte: só me encontrar nua e pronta para que ele cumprisse sua promessa.
Subi no catamarã para me perder do mundo por um instante. Nunca imaginei que terminaria nua, cercada, e que seria eu a não querer que parasse.
Há meses falávamos nisso e nunca criávamos coragem. Até que um casal nos chamou para o spa liberal numa tarde de maio, e Sofía atravessou aquela porta antes de mim.
Atravessei a sala com o coração disparado, me ajoelhei ao lado dela e soube que, depois daquela noite, minha mãe deixaria de me ver como a caçulinha da casa.
Quatro homens, dois buracos na parede e uma única regra: eu não podia saber quem era quem. Só suas picas iam entregá-los.
Quando entrei na cabana, havia apenas trinta homens de terno e uma taça me esperando. Demorei pouco para entender para que me haviam pago tanto.
Eu usava sua calcinha preta por baixo da calça justa, caminhando pela avenida mais escura da cidade, esperando que alguém tivesse coragem de parar ao meu lado.