Minha primeira vez com uma mulher foi atrás do balcão
Quando ela me disse o total e contei as notas, soube que faltavam quatro mil. Olhei para ela, apoiei os cotovelos no balcão e sussurrei algo em seu ouvido.
Quando ela me disse o total e contei as notas, soube que faltavam quatro mil. Olhei para ela, apoiei os cotovelos no balcão e sussurrei algo em seu ouvido.
Pedi o quarto e apaguei as luzes para ser mimado como nunca. Até que minha mão procurou entre as pernas dela e encontrou algo que eu jamais tinha imaginado.
Ele passou anos colando o ouvido em paredes de motéis baratos. Numa noite, encontrou um fórum que prometia algo maior: cabines com vista para o prazer alheio.
Subi as escadas mal conseguindo andar, com o vestido cheirando à noite inteira. Eu não sabia que minha mãe estava acordada, me esperando no corredor.
Nunca tinha saído para a rua vestida assim. Naquela manhã, com a casa só para mim, decidi que era o dia de cumprir a fantasia que me tirava o sono.
Seu nick dizia «travesti ativa» e eu mal tinha uma experiência. Naquele hotel perto do metrô, aprendi o que era ser realmente submetido.
Desci do ônibus com a cabeça cheia de aulas e o corpo cheio de outra coisa. Vinte minutos depois eu estava no carro de um desconhecido, aprendendo o que nunca me atrevi a perguntar.
Eu já vinha sentindo uns olhos cravados na nuca enquanto tocava. Naquela sexta, tranquei as portas e desci do palco decidida a descobrir quem era.
Quando desci para tomar um café na cafeteria vazia do hotel, não imaginava que ele abandonaria a festa para me seguir com uma garrafa e uma intenção clara.
Nós o convidamos achando que ele arregaria ao nos ver ao vivo. Não contávamos com esse cara baixinho, quase da nossa idade, tomando o controle assim que entrou.
Pareço um homem vestido, mas por baixo da calça uso renda. Naquela manhã, no último vagão, alguém percebeu e não conseguiu tirar os olhos de mim.
Quando me virei para lavar as mãos, vi ele no espelho: alto, grisalho, com o zíper aberto e o olhar cravado no meu. Minha noite estava só começando.
Quando ela entrou pela porta da sala, eu soube que aquela sessão ia quebrar algo dentro de mim. E eu não estava errada.
Eu queria que a imaginassem de longe. Não esperava que ela organizasse a cena, nem que meu cúmplice da tela aparecesse com uma lanterna na mão.
Eu levava meu vestido fúcsia na mochila e uma única ideia na cabeça: naquela noite eu ia ser de todos os que pagassem por mim.
Quando ela sussurrou que estava molhada e pediu desculpas, entendi que a fantasia havia saído do controle. E o desconhecido ainda não tinha feito o pior.
Passei meses deixando-a dançar sozinha, esperando que algum insistisse o suficiente. Nessa noite, um homem mais alto que eu conseguiu.
Antes eu sonhava com homens. Agora sonho só com ela: a desconhecida que me toca debaixo da mesa e entra na minha cama toda noite, mesmo com minha parceira dormindo ao lado.
Quando levantei os olhos do celular e o vi caminhando em direção ao meu banco, soube que aquela tarde na Zona T não acabaria com uma simples conversa sob as palmeiras.
A saia vinha rasgada, os lábios inchados e ela cheirava a um homem que não era eu. O pior não foi vê-la assim: foi o que ela mandou eu fazer depois.