Aprendi a darme prazer antes que qualquer homem
Naquele fim de tarde, com a casa em silêncio, um roçar acidental me revelou uma linguagem que meu corpo falava e que eu ainda não sabia ler.
Naquele fim de tarde, com a casa em silêncio, um roçar acidental me revelou uma linguagem que meu corpo falava e que eu ainda não sabia ler.
Quando ela enfiou a mão sob a minha mesa, eu soube que naquela manhã não resolveria uma só incidência. Só conseguia pensar nela e no que acabara de me deixar.
Voltei para casa às seis da manhã com o perfume dela grudado no corpo e a bunda ainda vermelha. Minha esposa me esperava acordada, sorrindo, sem suspeitar de nada.
Ele repetia que estava errado, que não devia me tocar. Mas a mão dele já buscava minha cintura e os dois sabíamos que nada ia nos deter nesses cinco dias.
Estávamos há três anos respeitando uma única regra entre sócios. Naquela noite fria, com o vestido verde dela e a sala escura, soubemos que íamos quebrá-la.
Era a mulher do pai dele, mas naquela madrugada, sentada na areia e colada ao peito dele, deixei de saber onde terminava o carinho e começava outra coisa.
Aceitei subir a um quarto com doze colchões no chão, sem imaginar que naquela manhã eu não sairia de lá com apenas um homem marcado na pele.
Ela tinha mentido sobre tudo: nome, trabalho, motivo para se aproximar de mim. A única coisa verdadeira era como tremia quando eu a tocava de novo.
Eu não amarrei as mãos dela para imobilizá-la. Amarrei para que entendesse, antes que qualquer coisa acontecesse, que naquela noite o corpo dela já não era dela.
Levo trinta anos fingindo ser a mulher recatada que meu marido acha ter libertado. O que ele não sabe é que neste cruzeiro sou eu quem controla o jogo.
Aceitei o desafio sem pensar: beijar por cinco segundos quem estivesse à minha direita. E à minha direita estava ela, a mulher que passava um ano fingindo não me desejar.
“Quero que você dê a ela o que minha mãe nunca teve”, ela me disse com um sorriso. E eu, que já tinha visto aquela mulher madura, soube que não diria não.
Na última noite antes de se tornar mortal, ela se aninhou entre suas duas mães divinas sabendo que, ao amanhecer, teria de enterrar tudo o que era sob camadas de tecido comum.
Quando abri a porta, esperava uma sacola de papel e um «bom dia». Não esperava que ele ficasse olhando para dentro e me perguntasse, em voz baixa, se eu morava sozinho.
Eu estava há quase dois anos sem tocar em ninguém quando a vi descer da van com aquele sorriso. Prometi que, antes de voltar de avião, aquela boca seria minha.
Um post-it amarelo sobre a caixinha dizia uma única palavra: «Ponme». Eram duas da madrugada e a curiosidade venceu o cansaço acumulado da noite.
Nunca tinha sentido tanto com um simples roçar de coxas. Quando ela se ajeitou atrás de mim no ônibus lotado, eu soube que aquela viagem não terminaria como as outras.
Eu estava viúva havia quinze anos e adormecida para o sexo. Então aquele homem, quase vinte anos mais novo, olhou para meus lábios e eu soube que a manhã não terminaria nos apontamentos.
Ela baixou o zíper do vestido diante do espelho da entrada e, ao se ver nos braços dele, soube que naquela noite não haveria como voltar atrás.
Desceu do plano do prazer para um apê em Ruzafa e, no instante em que o desejo da rua roçou sua pele, soube que nem a roupa mais folgada conteria o que era.