Comecei a desejar em segredo o namorado da minha mãe
A primeira vez que o vi sem camiseta na praia, fiquei sem ar. Ele era o namorado da minha mãe, mas eu já não podia olhá-lo como um filho olha para o pai.
A primeira vez que o vi sem camiseta na praia, fiquei sem ar. Ele era o namorado da minha mãe, mas eu já não podia olhá-lo como um filho olha para o pai.
Eu o vi sozinho no balcão da cozinha, alheio ao grupo, grudado no celular. Só de olhar eu soube que aquela tarde não ia ser tão macho quanto ele imaginava.
Eram três da manhã quando senti sua boca me buscando na escuridão, e soube que desta vez seria eu quem o guiaria até o fim.
Cruzamos a soleira do apartamento sabendo que nos restavam duas horas, e ele se atirou sobre mim antes que eu pudesse deixar as chaves sobre a mesa.
Ele me desafiou a nadar o último sprint com uma condição que nenhum dos dois pensava cumprir. Mas naquela noite a piscina estava vazia e ninguém nos via.
Eu esperava nu junto à oliveira, com a mochila aos pés e o celular na mão, sem imaginar que aquela noite fria me deixaria dois sabores diferentes na boca.
Levantei os olhos do celular e os olhos dele já estavam cravados nos meus do outro lado do estacionamento. Não fez falta uma única palavra.
A água quente correu pelas minhas costas e, pela primeira vez naquele cativeiro, senti as mãos calejadas dele como uma carícia. Não abri os olhos. Eu havia prometido.
Baixei o zíper do macacão na penumbra, convencido de que estava sozinho. Então senti o peso de uma mão ossuda pousando devagar sobre meu joelho.
Ele me prometeu uma vaga na escuna se eu o acompanhasse ao beco. O que vi por aquela janela e o que aconteceu depois mudou tudo o que eu achava saber sobre mim.
Quatro meses depois, voltamos ao mesmo vestiário buscando repetir aquela tarde. Não contávamos com que um terceiro, jovem e ousado, estivesse nos observando do outro lado.
Eles se diziam irmãos, machos, intocáveis. Mas cada desculpa — creatina, cansaço, técnica — escondia a mesma verdade que nenhum dos dois ousava nomear.
Faz dez anos que eu não pensava no meu próprio corpo. Bastou aquele massagista cravar os dedos nas minhas costas para algo que eu achava impossível começar a despertar.
Aos trinta e três anos, com um corpo de atleta e um segredo que vinha sufocando havia metade da vida. Até que um rapaz cruzou a porta da loja e o encarou sem medo.
Baixou a voz até um sussurro rouco do outro lado da divisória, e eu soube que jamais voltaria a me sentar diante dele numa reunião sem me lembrar.
Eles foram inseparáveis a vida inteira, mas naquela tarde, sozinhos no sofá, nenhum dos dois quis fingir que aquele beijo tinha sido um acidente.
Eu passava semanas desejando que ele voltasse a me procurar. Nessa noite entendi que, se quisesse sentir aquilo de novo, teria de ir buscá-lo em outro lugar.
Apostei com ele que, se eu ganhasse na cancha naquela tarde, eu cobraria com ele. Ele riu. Não sabia que eu esperava por esse momento havia anos.
Não conseguia parar de olhar o corpo de Bruno debaixo d’água, e quando ele se virou de olhos fechados soube que aquela tarde ia cruzar uma linha que a gente evitava havia anos.
Eu sabia que, assim que cruzasse a porta dele, não haveria mais volta: naquele dia eu ia deixar que ele me comesse de verdade, e passei a semana inteira imaginando isso.