Minha prima me ordenou abrir a boca naquela noite
Ela escondia algo na mão e aquele sorriso não anunciava nada inocente. —Mostra a língua —me ordenou, e eu já sabia que ia obedecer.
Ela escondia algo na mão e aquele sorriso não anunciava nada inocente. —Mostra a língua —me ordenou, e eu já sabia que ia obedecer.
Nunca tinha reparado nos pés de ninguém, até aquela tarde quente em que ela estendeu o dela na minha direção e me perguntou, com um sorriso, se eu ousava tocá-lo.
Durante anos fantasiei servir a uma mulher que me quisesse aos seus pés. Renata não fingia dominar: fazia isso com uma calma que me deixava sem ar.
Ela colocou os pés no meu colo, mandou que eu desamarrasse as tiras das sandálias e, com um sorriso nada inocente, disse que aquele seria o preço do seu silêncio.
Ofereci examinar o tornozelo dela como médico. Ela cruzou a perna, aproximou o pé do meu rosto e eu soube, naquele instante, quem mandava de verdade.
Recostada na beirada da cama, com as meias pretas subindo pelas minhas pernas, eu o avisei que naquela noite não usaria as mãos: iria desmontá-lo só com os meus pés.
«Eu sou sua senhora e ordeno que fique quieto», sussurrou. Eu tinha sobrevivido a três missões de combate, mas nada me preparou para obedecê-la.
A regra sempre foi a mesma: sua virgindade era intocável. Nesta noite, diante de uma sala de homens ávidos, essa regra seria quebrada ao melhor ofertante.
Fui treinada para agradar e obedecer, mas aquela porta entreaberta despertou algo diferente: uma faísca de desafio que nem as algemas frias contra minha pele conseguiram apagar.
Desci ao escritório naquela madrugada só para descobrir o plano que tinham para mim. E, em vez de fugir, ajoelhei e disse sim a tudo.
Quando ele agarrou o ombro do sujeito que a assediava, Mariela sentiu algo proibido: a certeza de que aquele rapaz podia fazer com ela o que quisesse.
Ninguém ousava se mover, até que ela ergueu o frasco de óleo em direção aos desconhecidos e, sem dizer uma palavra, os convidou a entrar no jogo.
Marcela me olhava pelo retrovisor com um sorriso que não era de uma mãe tranquila. Eu não sabia que aquela tarde mudaria tudo entre nós.
Corri sob o temporal até a minha porta achando que já estava segura. Não percebi que ele tinha entrado atrás de mim até sentir a mão dele nas minhas costas.
Sei que não deveria, mas toda vez que caminho sozinha de madrugada eu o procuro com os olhos: aquele desconhecido que me encurrala contra a parede e não pede permissão.
Ela atravessou meio reino por uma relíquia lendária; o que não esperava era se ajoelhar diante de quem a guardava — nem desejar isso com cada fibra do corpo.
Quando abri os olhos, eu não estava na minha carteira: estava nu, amarrado à cadeira do professor, e uns saltos começavam a me rodear na sala vazia.
Eu o vigiei antes de sua falta. Disse que eu era bonita demais para andar entre a lama, sem saber que essa frase o condenava a nunca sair dela.
Quando abri a mochila que ele me entregou no lobby daquele hotel de quinta, entendi que a reunião não era o que eu imaginava. E já era tarde para voltar atrás.
O testamento dizia que a fortuna da minha família tinha sido construída entre as pernas da minha mãe. Naquela mesma noite entendi que agora era minha vez.