A bruxa do pântano me marcou naquela noite na floresta
Tropecei na raiz e, antes de me levantar, ela já estava sobre mim. Sua pele fria roçou a minha e eu soube que aquela noite eu não sairia da floresta sendo o mesmo.
Tropecei na raiz e, antes de me levantar, ela já estava sobre mim. Sua pele fria roçou a minha e eu soube que aquela noite eu não sairia da floresta sendo o mesmo.
Achei que o barulho entre as caixas eram ratos. Era ela, agachada na escuridão, e, assim que sentiu meu medo, soube que aquela noite eu não voltaria para casa sendo o mesmo.
Eu passava semanas imaginando uma noite assim, sem nomes nem promessas. O que eu não imaginei foi que ele estivesse me olhando do bar como se já soubesse de tudo.
Ninguém acreditou que a besta existia. Por isso ele voltou ao monte para procurá-la, mesmo que isso significasse se perder para sempre na neve e nas garras dela.
Esperava um marido mirrado para desprezar. Quando o rei se inclinou para beijar-lhe a mão, a ponta da língua roçou sua pele e ela soube que havia se enganado.
Ela me mandou tirar a roupa na sala e começar a varrer. Naquela tarde eu era só o brinquedo dela, e cada palmada na bunda me lembrava quem mandava.
Chegou ao covil reduzido a pouco mais que um esqueleto acorrentado. A loba prometeu ensinar-lhe o que significava servi-la... e ele aprendeu melhor do que ela esperava.
Acordei sem um arranhão numa cama que não era minha, curada por um desconhecido de beleza impossível. O que ele não me contou foi o que essa cura fez com meu corpo... e com meu desejo.
Quando a janela do sótão cedeu ao vento, ele já não viu a criada que servia seu café: viu a mulher ensopada que sustentava seu mundo inteiro.
Ela sabia o que tinham combinado, mas nenhuma palavra a preparou para o que sentiria quando cruzou aquela porta e a sala se fechou atrás dela.
— Você não precisa acreditar que consegue — sussurrou ao ouvido dela—. Eu acredito. Seu único trabalho esta noite é se render e deixar seu corpo obedecer.
Tínhamos um pacto e uma única palavra para parar tudo. Mas, enquanto ela dormia de bruços, eu soube que naquela manhã não ia pronunciá-la.
Ele mandou eu afastar as pernas e colocar as mãos na nuca. O que ele achava ser uma revista de rotina era, na verdade, o começo do meu jogo.
Durante um ano, sonhou com o dia em que poderia devolver-lhe cada engano. Na noite do Dia dos Mortos, um amuleto de obsidiana lhe ofereceu exatamente isso.
Passei três semanas engolindo poeira e solidão quando o motorista me fitou fixo, sem sorrir, e disse: «Vem, minha casa». Não era um convite: era uma ordem, e eu fui.
Naquela noite, ela cumpriria pela primeira vez o ritual: nua, amarrada ao potro, com um guerreiro veterano pronto para arrancar dela o prazer pertencente à deusa.
Quando entrei no café e o reconheci, soube que aquela sessão de fotos não ia ficar só nas fotos. O olhar dele já havia me despido antes mesmo de eu dizer uma palavra.
Entrou sem ser convidada, com um sorriso que prometia prazer e escondia fome. Naquela noite, todo corpo que tocou deixou de ser seu para sempre.
Diego se tocava pensando em Nadia quando seu desejo abriu uma porta fechada havia mil e oitocentos anos. O que cruzou tinha fome, e a cidade seria seu banquete.
Mandei uma foto de uma caixinha e quatro palavras: «esta noite vou brincar com você». Eu não sabia que o brinquedo novo não era para mim, e sim para ele.