A noite em que espiei minha professora de literatura
Atravessei o portão do jardim dela às nove da noite pensando só em confessar o que sentia. Saí de lá com um vídeo que ia mudar nós dois.
Atravessei o portão do jardim dela às nove da noite pensando só em confessar o que sentia. Saí de lá com um vídeo que ia mudar nós dois.
Eram onze e eu já não conseguia me concentrar. Abri o app sem esperança, mas trinta minutos depois eu caminhava até o prédio dele com uma caixa de camisinha no bolso.
Começamos com stickers bobos no fim do turno. Depois veio o apelido. Depois a fantasia. Nessa noite ele me escreveu que a minha casa ficava mais perto e eu não soube dizer não.
Camille entrou no escritório com dois cafés e a porta do corredor já estava trancada. Nessa noite Elena descobriu quanta liberdade havia dado ao marido.
Quando me convidou para jantar na casa dela, achei que queria só me agradecer. Eu não imaginava o que escondia sob aquela saia lápis, nem até onde ela estava disposta a ir.
Quando Daniela me perguntou se podia dormir comigo naquela noite, eu soube que nenhuma das duas voltaria à manhã sendo a mesma mulher que havia chegado à fazenda.
Quando ela se inclinou sobre minha mesa para me mostrar o arquivo, a saia subiu dois dedos. Eu já não conseguia disfarçar nada. Ela também não queria que eu disfarçasse.
Eu guardava esse segredo no fundo do armário há meses. Numa noite, bati à porta do meu chefe de saia plissada e laço vermelho — e não quis mais voltar atrás.
Quando entrei no bar e a vi no fundo, soube que aquela noite não ia terminar em sono. Três meses sem as mãos dela pesavam mais do que eu admitia.
A porta da sala ficou entreaberta e, sem querer, virei testemunha de algo que não devia ver nem ouvir, mas do qual já não consegui me afastar.
A voz de Diego no áudio soava derrotada. Quando ouvi o nome dela, soube que ele me traía havia meses, direto do escritório.
Reconheci os gemidos atrás daquela porta. Reconheci cada cadência. Mas a mulher da escrivaninha tinha algo que minha esposa jurava nunca ter.
Eram quase onze da noite e o prédio inteiro parecia vazio. Quando girei a cadeira, só faltava alguém abrir aquela porta. E abriram.
Entre caixas e com a porta mal fechada, ela mordeu o lábio para não gritar enquanto eu a segurava colada ao meu peito. Ninguém devia nos ouvir.
Ela era minha auxiliar no escritório, uma beleza impossível que roubava meu olhar. Numa noite, pelo chat, descobri tudo o que a roupa justa escondia havia semanas.
Quando as luzes apagaram no 22º andar e eu soube que ficaríamos horas a sós com ele, não imaginei até onde ele seria capaz de ir.
Andrés fechou a porta com chave embora soubesse que não havia ninguém no andar. Quando voltou a ficar na minha frente, já não era meu chefe, e sim outra coisa.
Achei que a festa tinha acabado quando fechei a porta. Mas ela continuava descalça no meu sofá, com a taça no joelho e outra caixa nas mãos.
Há meses a gente flertava pelo chat interno. Quando propus fechar o escritório num sábado, não achei que você viria. Você veio, tremendo, mas veio.
Entrei naquele quarto me achando a dona da situação. Saí de lá sabendo exatamente a quem devia o silêncio.