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Relatos Ardientes

A fantasia que realizei com um desconhecido na sauna

Marina não tinha planejado nada do que aconteceu naquela tarde. Chegou ao spa com a ideia simples de aliviar a tensão acumulada ao longo de toda a semana, de deixar que o calor soltasse seus músculos e apagasse da cabeça as reuniões, os e-mails e a voz do chefe repetindo prazos impossíveis. Pagou a entrada, guardou a roupa em um armário e se enrolou só numa toalha fina, que acabou deixando pendurada antes de entrar.

A placa na entrada da área úmida era clara: sauna naturista. Sem trajes, sem toalhas ao redor do corpo, só pele. Marina já tinha lido aquilo outras vezes e sempre tinha seguido direto para as piscinas. Naquela tarde, por algum motivo que ela não quis analisar demais, empurrou a porta de vidro.

O vapor a recebeu como uma parede morna e espessa. Grudou em seus ombros, no pescoço, nas coxas, e em um instante ela já tinha a testa coberta por uma fina camada de umidade. O ar cheirava a madeira molhada e a algo mais íntimo, a corpos, a sal. Avançou dois passos com cuidado, deixando os olhos se acostumarem à penumbra branca.

Então o viu.

Havia um homem sentado no banco mais alto, recostado na parede de tábuas escuras. Estava nu, igual a ela, com o corpo brilhando de suor e uma perna estendida sobre a madeira. Não fez nenhum gesto de pudor quando a viu entrar. Ela também não. Simplesmente se olharam, e naquele olhar que se sustentou por tempo demais havia algo que Marina reconheceu de imediato, porque era exatamente o que sentia: fome.

— Está quente — disse ele, com um meio sorriso, como se a frase fosse uma piada compartilhada.

— Por isso vim — respondeu ela.

Chamava-se Tomás, ou foi o que disse, embora naquela altura o nome desse na mesma. Marina subiu os degraus de madeira e se sentou perto, não colada nele, mas também não longe. O banco queimava um pouco sob as coxas. Ficaram em silêncio por alguns segundos, deixando o calor fazer seu trabalho, ouvindo o chiado do vapor toda vez que a água caía sobre as pedras.

Eu poderia me levantar e ir embora. Ainda dá tempo.

Ela não se levantou.

***

Foi ela quem encurtou a distância. Apoiou a mão no banco, entre os dois, e deixou os dedos roçarem apenas a coxa de Tomás. Um toque mínimo, uma pergunta mais do que uma afirmação. Ele não afastou a perna. Pelo contrário, virou o corpo na direção dela e sustentou a nuca dela com uma mão quente e firme.

O primeiro beijo não teve nada de tímido. Foi direto, com a boca aberta, as línguas se buscando sem rodeios. Marina sentiu o gosto salgado do suor nos lábios e um arrepio percorreu sua espinha apesar do calor sufocante. Cravou as unhas no ombro escorregadio dele e ele rosnou contra sua boca, mordendo-lhe o lábio inferior com uma suavidade que prometia perder a suavidade muito em breve.

As mãos de Tomás começaram a percorrê-la sem pressa, mas sem pausa. Desceram pelo pescoço, pela clavícula úmida, até se fecharem sobre seus seios. Ele a acariciou com a palma aberta, sentindo os mamilos endurecerem sob seu toque, e então os prendeu entre os dedos e apertou. Marina soltou um gemido rouco que o vapor pareceu engolir de imediato.

— Mais devagar — sussurrou ela, embora seus quadris já se movessem em busca dele.

— Tem certeza? — perguntou ele junto ao seu ouvido.

Ela não tinha certeza de nada, e era justamente isso que a acendia.

Marina deslizou a mão pelo abdômen de Tomás, seguindo o caminho de suor que descia por seu ventre, até fechá-la em torno do sexo ereto dele. Apertou, medindo-o, sentindo-o pulsar contra a palma. Ele prendeu a respiração. Ela começou a movimentá-la, devagar no início, observando cada reação no rosto dele, apreciando o poder que sentia ao vê-lo perder a compostura.

O silêncio da sauna se encheu de pequenos sons: o atrito da pele úmida, as respirações cada vez mais curtas, a água pingando de algum canto. Estavam sozinhos, mas a porta de vidro era uma promessa sempre presente. Qualquer um podia entrar. Essa possibilidade, longe de os frear, tornava tudo ainda mais urgente.

***

Tomás a fez se deitar sobre o banco de madeira, que ardia contra suas costas. Marina sentiu o calor das tábuas queimando suas escápulas e a curva da cintura, mas não se importou. Ele lhe abriu as pernas com as mãos, sem pedir permissão desta vez, e se ajoelhou no degrau de baixo, ficando exatamente na altura que queria.

Quando desceu a boca entre suas coxas, Marina arqueou as costas de repente. A língua de Tomás era quente e precisa, lambendo-a com uma concentração que a fez cerrar os dentes para não gritar. Enterrou os dedos no cabelo molhado dele e o pressionou contra si, marcando o ritmo de que precisava, enquanto o vapor seguia caindo sobre as pedras com um chiado que parecia o eco de seus próprios suspiros.

— Assim — ofegou —. Não para.

Ele não parou. Sustentou-a pelos quadris para que ela não escapasse, enquanto sua língua traçava círculos lentos e depois acelerava o ritmo até deixá-la tremendo. Marina sentiu o prazer se acumular em ondas, cada vez mais perto, as pernas tensas, os calcanhares pressionando a madeira. Estava prestes a se deixar cair além do limite quando ele parou de repente e se ergueu.

— Ainda não — disse, com um sorriso que era quase cruel.

Marina teria matado aquele homem. Em vez disso, agarrou-o pelo pescoço e o puxou para si, beijando-o com raiva, provando a si mesma na boca dele.

***

Ele a penetrou devagar, desta vez, deixando que os dois sentissem cada centímetro. Marina prendeu o ar enquanto ele entrava nela, preenchendo-a, detendo-se por um instante antes de começar a se mover. O primeiro impulso foi lento, profundo, calculado para deixá-la louca. O segundo, um pouco mais forte. No terceiro já tinham perdido toda intenção de ir devagar.

O banco rangia sob o peso dos dois. O suor dele pingava no peito dela e se misturava ao dela, escorrendo pelos lados até a madeira. Marina cravava as unhas nas costas, nos glúteos dele, puxando-o para dentro, exigindo mais com o corpo inteiro. O calor da sauna intensificava tudo: cada roçada, cada gota, cada batida do coração.

— Vira — ordenou ele, com a voz rouca.

Marina obedeceu sem pensar. Pôs-se de joelhos sobre o banco, apoiando as mãos na parede de tábuas, e sentiu Tomás segurá-la pela cintura com uma mão enquanto com a outra afastava o cabelo da nuca dela. Entrou de novo por trás, mais fundo, arrancando-lhe um gemido longo que ela já não tentou conter. Que a ouvissem. Que entrasse quem quisesse. Naquele momento, ela não se importava nem um pouco.

O ritmo se tornou brutal. Ele a golpeava com força, sustentando-a para que não desabasse, e cada investida ecoava na câmara fechada da sauna. Marina pressionava a testa contra a madeira quente, os olhos fechados, perdida em uma corrente de prazer que subia do ventre e eriçava toda a sua pele. Ele sussurrou coisas em seu ouvido, palavras sujas que em qualquer outro contexto a teriam envergonhado e que ali só a empurravam ainda mais para a beira.

***

Depois foi ela quem tomou o controle. Empurrou Tomás contra o banco até deixá-lo sentado e subiu sobre ele, enterrando-o nela de uma só vez. Jogou a cabeça para trás e começou a se mover no próprio ritmo, devagar e depois rápido, impondo as próprias regras. Os seios balançavam a cada movimento, brilhantes de suor, e Tomás os agarrou com a boca, mordendo-lhe os mamilos com uma ferocidade que a fez gemer mais alto.

— Olha pra mim — pediu ela.

Ele ergueu o olhar e o sustentou. Marina se movia sobre ele com as coxas ardendo, as mãos apoiadas nos ombros dele, sentindo o prazer se enrolar cada vez mais apertado dentro de si. O vapor seguia caindo, envolvendo-os como um véu, apagando tudo o que existia além daquele banco de madeira e daqueles dois corpos encharcados.

O clímax a atravessou sem aviso. Foi uma onda violenta que sacudiu seu corpo inteiro, que contraiu cada músculo e a deixou tremendo sobre ele, agarrada ao pescoço dele, com um grito abafado contra o ombro. Tomás a seguiu poucos segundos depois, enterrando-se nela uma última vez com um gemido grave, as mãos cravadas em seus quadris.

Ficaram assim um tempo, abraçados, as respirações partidas, os corações batendo contra o peito um do outro. O suor os colava. O calor continuava sufocante, mas agora era diferente, quase agradável, como a brasa de algo que acabara de arder com força.

***

Quando recuperaram o fôlego, não houve conversa. Não houve troca de números, nem promessas, nem sequer uma despedida formal. Tomás acariciou o rosto dela uma vez, com uma ternura inesperada, e desceu os degraus de madeira. Empurrou a porta de vidro e o vapor se agitou por um instante antes de engoli-lo.

Marina ficou sozinha no banco, ainda nua, ainda vibrando. Passou as mãos pelo cabelo molhado e soltou uma risada baixa, incrédula. Não sabia nada sobre aquele homem. Nunca mais o veria. E justamente por isso, porque não havia história antes nem depois, porque tinha sido puro desejo sem nome e sem consequências, sabia que ia se lembrar daquele momento por muito tempo.

Levantou-se, saiu da sauna e deixou que a água fria do chuveiro lhe devolvesse o corpo à realidade. Uma fantasia realizada, pensou, enquanto o último resto de vapor escapava de sua pele. E eu nem sequer tinha ido atrás disso.

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