O que vi no quarto da minha irmã mudou tudo
Seu quadril acelerou o movimento que um momento antes era lento e circular. Eu estava completamente perdido nela, no calor úmido que nos unia, na forma como seu peso me pressionava contra o colchão. Ela diminuiu o ritmo só o suficiente para aproximar o rosto do meu e me beijar de boca aberta.
O sabor do vinho tinto veio da sua língua, e nossos arfares se misturaram naquele beijo longo que parecia não querer terminar. Agarrei a bunda dela com as duas mãos, apertando-lhe as nádegas para afundá-la ainda mais no meu pau, e ela soltou um gemido rouco dentro da minha boca. Senti como sua boceta encharcada me engolia por inteiro a cada vez que ela deixava o quadril cair, como meu pau a abria até o fundo. Um rosnado escapou de mim quando a senti se contrair, aquele anel quente apertando a base como se não quisesse me soltar nunca.
—Você ainda me deixa com tesão como da primeira vez —me disse no ouvido, com a respiração entrecortada—. Vai me matar. Me fode, não para, me dá esse pau que é meu.
Mordi o pescoço dela e empurrei de baixo para cima, cravando-a inteira a cada investida. O som úmido da sua boceta escorrendo ao redor do meu pau enchia o quarto, misturado ao golpe seco da sua bunda caindo sobre as minhas coxas. Chupei um mamilo, mordi, puxei com os dentes até ela gritar e se esmagar contra mim. Passei a língua no outro, sentindo o suor salgado na pele, e ela cravou as unhas nas minhas costas.
—Mais forte, mais fundo, me arrebenta —arfava—, enfia esse pau todo em mim, quero sentir ele na barriga.
Segurei-a pela cintura e a virei sem tirar meu pau de dentro. Ela caiu de bruços, com a bunda levantada, e eu me coloquei por cima e voltei a enterrá-lo nela de uma só estocada. Um grito abafado escapou contra o travesseiro. Pus uma mão na nuca dela para afundar sua cara e com a outra agarrei uma nádega, abrindo-a para me ver entrando e saindo. Meu pau saía brilhando de seus sucos, a pele da sua boceta se esticava a cada retirada, eu a enfiava de novo até o talo e ela arqueava as costas pedindo mais.
—Assim, assim, não para —gemeu—, você está me partindo, porra, que delícia você me fode.
Molhei o polegar na umidade dela e o apoiei no cu dela, pressionando devagar. Ela gemeu mais agudo, empurrou para trás, e o dedo afundou até o nó. Eu a fodia pela boceta com o pau e pelo cu com o dedo, no mesmo ritmo, sentindo-a tremer inteira sob o meu peso. O colchão rangia, a cabeceira batia contra a parede, e eu não conseguia parar de olhar meu pau desaparecendo na carne dela uma vez após a outra.
O vai e vem ficou desesperado até que um tremor percorreu seu corpo inteiro. Senti ela se fechar ao redor de mim, me espremendo, aqueles espasmos apertando meu pau como uma boca faminta. Ela gritou contra o travesseiro, mordeu o tecido, e eu me enfiei nela o máximo que pude antes de me deixar ir. Apertei o rosto contra a clavícula dela e mordi seu ombro enquanto a primeira descarga subia dos meus ovos e a enchia de jato após jato de porra quente. Os últimos espasmos ainda escapavam de mim e eu continuava sentindo ela se contrair ao meu redor, me ordenhando até a última gota.
Aos poucos, a respiração dos dois foi se acalmando. Continuamos abraçados, ainda unidos, enquanto eu perdia a rigidez devagar dentro dela. Senti meu sêmen começar a escorrer pelas coxas dela quando finalmente meu pau saiu, e ela suspirou baixinho, de olhos fechados. Irene não se mexeu. Deixou que o calor dos nossos corpos continuasse sendo companhia enquanto o suor começava a esfriar na pele.
—Eu te amo —deixei escapar, abraçando-a com mais força.
—Eu sei… —respondeu.
Uma lágrima se desprendeu de um dos olhos dela e molhou minha bochecha. Um soluço quebrou seu silêncio. Não soube como consolá-la. Não disse nada: apenas a beijei.
Naquele instante, o choro do bebê nos trouxe de volta à realidade. Os dois suspiramos ao mesmo tempo, resignados a que fazê-lo dormir de novo não ia ser fácil.
—Agora é minha vez —falei.
Ela desceu da cama e se cobriu com o lençol, virando-se para que eu não visse seu rosto. Sentei por um segundo na beirada da cama, peguei a cueca do chão e a vesti antes de ir para o quarto ao lado.
Lá estava a pessoinha que eu mais queria no mundo. Eu o queria até mais do que a ela, porque ele era o resultado de tudo o que tínhamos compartilhado: anos de amor, medo, alegrias e decepções. Ao pegá-lo no colo, o choro morreu de súbito e o brilho dos seus olhos me arrancou um sorriso. Meu peito se encheu e meus olhos também se umedeceram. Eu o embalei por quase meia hora, até que ele voltou a dormir.
Eram quatro da madrugada quando voltei para o quarto. Irene já não chorava e exibia uma paz que nunca deixava transparecer acordada. Quando estava consciente, seus olhos só sabiam expressar duas coisas: excitação quando fodíamos, e tristeza quando vivíamos o resto da nossa vida.
Não a incomodei. Aproximei-me da janela que dava para a varanda e, ao abri-la, entrou o rumor de Viña del Mar àquela hora morta. O ar salgado do Pacífico me bateu no rosto e a vista me reconfortou. Apoiei-me no parapeito, acendi um cigarro e deixei a memória me arrastar para trás, até a última década.
No começo, tudo tinha sido fácil. Éramos dois jovens que tinham brincado com o morbo achando que seria algo passageiro. Mas quando a coisa começou a complicar, nos vimos acuados pelas mentiras que havíamos construído para proteger aquilo que, sem perceber, já tínhamos erguido. Fomos perdendo as pessoas que queríamos, uma a uma, até que a angústia e a solidão nos obrigaram a desaparecer.
Simplesmente fomos para o fim do mundo. O Chile se tornou nosso refúgio, o lugar onde alguém se apaga do mapa e começa do zero. Com o tempo, perdemos de propósito o sotaque para nos encaixar melhor. Uma vez superado isso, montamos uma vida: trabalhos decentes, novas amizades e uma calma relativa para criar nosso filho. Sempre, é claro, perseguidos pelo fantasma do que deixamos para trás.
A despeito dos nossos pecados, o destino nos presenteou com uma criança saudável. Quando o médico confirmou a gravidez, a primeira coisa que sentimos foi pânico. A opção mais sensata parecia interrompê-la, pelo risco que um bebê de dois irmãos carregava: nosso sangue compartilhado era uma bomba-relógio. Mas Irene nem pôde cogitar isso. Eu a apoiei sem discutir e enfrentamos alguns meses turvos e difíceis. O primeiro ano de Lucas foi um desfile de especialistas que, um após outro, foram descartando os problemas que mais temíamos.
Irene ficou marcada do mesmo jeito. Não me entendam mal: o amor dela por nós era incondicional. Mas a gravidez a assustou tanto que acabei fazendo a vasectomia para jurar a ela que nunca mais passaríamos por isso. Ela sofreu mais do que qualquer um com tudo o que vivemos, embora essa parte da história vocês entendam mais adiante.
Voltei para a cama e dei um beijo na testa da minha irmã. Deitei ao lado dela com a esperança de dormir, embora duvidasse. Em uma hora eu precisava levantar para ir trabalhar.
***
Dez anos antes.
Poderia se dizer que tudo começou por um erro. Eu estava no lugar errado, na hora errada.
A tarde tinha sido exaustiva. Ter contabilidade das duas às cinco, com trinta e cinco graus e uma sala cheia de estudantes, não tinha nada de divertido. Mas a coisa não parecia tão ruim: naquela noite jogávamos uma partida decisiva de um torneio e, se ganhássemos, ficaríamos a dois pontos do líder. Esperávamos aquilo havia três semanas, desde que o time do Instituto Comercial número sete deixara escapar uma vitória que parecia servida. O último colocado não tinha um único ponto; nossos próximos rivais tinham pontuação perfeita.
No papel, ia ser uma goleada. Os invictos saíram ganhando de 1 a 0 aos três minutos e dominaram quase todo o jogo. Mas, por mais que perseguissem o gol adversário, não conseguiram matar a partida. A cinco do fim, um rebote mal resolvido acabou nos pés do único atacante do time de baixo, que, com a velocidade das pernas, deixou o goleiro sem reação e mandou por cima da cabeça dele.
A partir desse gol, o último colocado se transformou. Apertou, pressionou e conseguiu uma falta que o próprio atacante converteu de cabeça, no canto esquerdo. O jogo terminou empatado. O líder, que venceu os dois confrontos seguintes por margem mínima e pura agonia, nos abriu três pontos de vantagem. Por isso aquela tarde era nossa chance de alcançá-los.
Mas as aulas ainda não tinham terminado, e a professora Marta não dava o menor sinal de cansaço. Sempre assim: parecia que nunca se esgotava. E parecia disposta a acabar com o nosso fim de semana.
—Bom, meninos —disse ela—. Como vocês já sabem, a semana de provas do primeiro trimestre está chegando, e parte da nota final de vocês é desenvolver uma estratégia de reestruturação de dívida para uma empresa privada. Vocês têm duas semanas para preparar e apresentar.
Um coro de suspiros percorreu a sala. Marta pigarreou para retomar o controle antes que nos perdêssemos na reclamação.
—Vocês vão se agrupar em quartetos: duas meninas e dois meninos, sem exceção —cortou antes que protestássemos—. Na plataforma estão os casos. São dez arquivos, então vocês têm de onde escolher. Na segunda-feira quero que me tragam a abordagem que vão tomar, com base nas quatro estratégias que vimos.
O sinal tocou e eu me aproximei da minha irmã. Em casa éramos seis. Carla, a mais velha, que naquela época tinha vinte e dois; Esteban, de vinte e quatro; e os gêmeos, Irene e eu, de dezenove. Não éramos muito parecidos, mas tínhamos os mesmos olhos e a mesma cor de cabelo. Carla e Esteban moravam em um apartamento na capital, a duas horas de casa. Nossos pais quase nunca estavam: os trabalhos deles os obrigavam a viajar e passavam semanas inteiras fora. Fomos criados por babás até uns dois anos antes, quando dissemos que já podíamos nos virar sozinhos. Eles aceitaram, desde que contratassem alguém para limpar a casa três vezes por semana.
Enfim, me aproximei de Irene.
—Fazemos o trabalho juntos?
—Sim, como sempre —me disse enquanto saíamos, fazendo sinal para as amigas esperarem por ela—. Mas, se você chamar algum dos seus amigos, que seja um que não pague de preguiçoso.
—Fica tranquila. Talvez eu chame o Bruno —respondi para acalmá-la—. E você, quem vai convidar?
Ela olhou para o fim do corredor, onde estavam as amigas, e pensou um segundo.
—A Sofia ou a Valeria.
Eram as duas mais próximas do grupo dela, e eram um par de gostosas. Sofia era loira, de olhos claros, com curvas firmes e bem marcadas; a bunda dela se destacava graças ao vôlei que jogava, embora o peito não chamasse tanto atenção. Valeria, por sua vez, era morena, com seios maiores que os de Sofia, um traseiro menos chamativo, mas pernas longas e uma cintura que dava a sensação de que você podia contorná-la com as duas mãos.
Irene me olhou de canto e não disse nada. Ela já tinha me pegado várias vezes observando as amigas dela e, ainda assim, nunca tinha dito uma palavra. No começo, quando eu comecei a olhar para elas daquele jeito, ela torcia o rosto com nojo. Mas, com o tempo, deixou de me repreender. Não sei se não ligava ou se decidiu ignorar, mas nunca mais demonstrou incômodo.
—Então eu chamo um dos caras…
—Você não tinha dito Bruno? —me questionou.
—Sim, embora eu ainda não tenha decidido —respondi distraído, olhando de novo para o fundo do corredor.
—Que não seja um babão… —disse ela, me observando com algo parecido com pena.
Ela tinha razão: vários eram insuportáveis. Mais de um já tinha dado em cima da minha irmã, e ela nunca demonstrara o menor interesse. Olhei para ela com cara de cético.
—Depois vejo. Hoje tenho jogo, chego para o jantar.
—Beleza, te espero e pedimos uma pizza. Até mais —disse ela, indo em direção às amigas.
***
Consegui alcançar os caras e fomos tomar alguma coisa antes do jogo. Estávamos entre nervosos e ansiosos pelo que vinha pela frente; era uma chance que não podíamos desperdiçar. Esperávamos por aquilo havia meses. Mas a partida foi suspensa por problemas na iluminação do campo, o que atrasava a rodada em pelo menos uma semana. Perto das sete, cada um tomou o rumo de casa.
Aproveitei para perguntar ao Bruno se ele entrava no trabalho, mas ele já tinha grupo e lamentou que eu não tivesse avisado antes. Tive que procurar outro. O melhor candidato acabou sendo Nicolás, que aceitou contente. Ainda por cima, era um dos poucos que nunca tinha se insinuado para a minha irmã; sempre fora respeitoso.
Cheguei em casa às sete e meia e a encontrei em silêncio, o que me pareceu estranho. Normalmente, àquela hora, Irene estava no celular ou vendo alguma série. Não dei maior importância: pensei que ela estivesse no banheiro ou trancada no quarto.
Mas, enquanto subia a escada, comecei a ouvir um som estranho vindo do fundo do corredor. Pareciam gemidos. Instintivamente, caminhei sem fazer barulho, evitando qualquer rangido. Ainda me pergunto o que me levou a agir assim, e não encontro resposta. Ao chegar em cima, vi que a porta do quarto dela estava entreaberta e um fio de luz quente se filtrava para o corredor. Os gemidos vinham dali.
E, definitivamente, não eram gemidos quaisquer. Eram gemidos de prazer. Inconfundivelmente sexuais.
Não consegui evitar. A curiosidade falou mais alto e me aproximei devagar para olhar.
Encontrei minha irmã sobre a cama, completamente nua, e a luz suave desenhava uma figura digna de admiração. Já tínhamos nos visto nus quando crianças, mas isso era coisa de anos atrás, quando ainda não tínhamos o corpo formado. E, sem dúvida alguma, Irene tinha se desenvolvido bem demais.
O corpo dela havia mudado, as curvas tinham se assentado de um jeito lindo. Pela primeira vez eu a vi como mulher e não como minha irmã. E me senti atraído por ela como tal. Desejei poder percorrer aquele corpo com as mãos, chupar seus seios, meter a língua entre as pernas até fazê-la gozar na minha boca.
Ela tinha a coluna levemente arqueada, o que levantava os seios e deixava os mamilos eretos apontando para o teto. Redondos, duros, com as auréolas rosadas inchadas pela excitação. A mão esquerda dela desaparecia entre as coxas e se movia com um ritmo constante; os dedos entravam e saíam da sua boceta brilhante, molhada, com um ruído úmido que dava para ouvir de onde eu estava. O polegar roçava o clitóris a cada movimento, e ela estremecia e voltava a enfiar os dedos até o fundo. A pele brilhava de suor, e isso a deixava ainda mais apetecível. A única coisa em que pensei, com uma clareza quase absurda, foi na vontade de provar aquele suor, e também os fluidos que escorriam pelas coxas dela.
Ela estava de boca aberta e, admito, fiquei com água na boca. Mas esse não era o problema. O problema estava mais embaixo: meu pau tinha endurecido até doer, puxando contra o tecido da calça. Sem pensar, levei a mão ao zíper e comecei a me massagear devagar, sentindo o pau pulsar sob a palma, deixando-me levar por aquela sensação que eu não deveria sentir. Agarrei-o por cima da cueca, com a ponta já molhada de pré-gozo, e mordi o lábio para não gemer.
—Aaaah, sim, por favor… —gemeu ela, cada vez mais rápido à medida que acelerava a mão entre as coxas. Com a outra mão, beliscava um mamilo, esticava-o, torcia-o, e arqueava ainda mais as costas a cada segundo. Os dedos entravam na boceta com um barulho obsceno, cada vez mais fundo, cada vez mais rápido.
—Mais… mais… —sussurrava entre os dentes, mordendo o lábio.
Eu continuava ali, de pé, com uma ereção pedindo para sair, a cinco metros da minha irmã que, pelo jeito como gemia, estava prestes a gozar. Abri o zíper sem perceber e tirei o pau da cueca. Agarrei-o com a mão, encharcada pelo líquido que já escorria da ponta, e comecei a me masturbar no mesmo ritmo com que ela enfiava os dedos em si. Você não deveria estar vendo isso. Você não deveria sentir isso. E, mesmo assim, não me mexi. Meu pau pulsava no meu punho, duro como eu nunca tinha sentido, enquanto eu a observava se contorcer na cama.
Justo quando ela chegava ao limite, esticando um gemido final, com as pernas tremendo e a boceta escorrendo ao redor dos próprios dedos, e eu estava à beira de gozar no carpete do corredor, arrastado pelo morbo da situação, no momento mais excitante da minha vida até então, meu celular tocou.
A primeira coisa que fiz foi procurá-lo desesperado no bolso, enquanto enfiava o pau de novo dentro da calça aos trancos. O aparelho vibrava de forma estridente e rompia a tensão. Quando finalmente consegui encerrar a chamada —nunca soube de quem era— ergui os olhos e dei de cara com o olhar da minha irmã. Ela respirava ofegante, com os dedos ainda enterrados entre as pernas, e tinha uma expressão dividida entre susto e excitação que me pareceu, contra toda lógica, divina. Estava com uma cara de comê-la aos beijos, de me jogar em cima dela e fodê-la ali mesmo.
O único gesto que fiz foi dar meia-volta e sair correndo para o meu quarto.
Naquela noite eu não dormi. Passei o tempo todo com o pau na mão, me masturbando uma vez atrás da outra com a imagem da minha irmã nua gravada na cabeça, gozando três vezes sobre o abdômen sem conseguir tirar o tesão de cima de mim. E, embora eu ainda não soubesse, foi a primeira rachadura por onde começou a entrar tudo o que viria depois.