Toda segunda-feira imagino a mesma coisa com minha colega de escritório
Às dez em ponto entro na sala de reuniões e, enquanto o chefe fala de cifras, minha cabeça vai para um lugar onde ela e eu não respeitamos regra nenhuma.
Às dez em ponto entro na sala de reuniões e, enquanto o chefe fala de cifras, minha cabeça vai para um lugar onde ela e eu não respeitamos regra nenhuma.
Ela senta duas cadeiras à minha esquerda e, enquanto a família conversa, minha cabeça já a coloca de pernas abertas sobre minhas coxas. Ninguém sabe. Nem ela. Ainda.
Ele só queria uma camisa decente. Mas então ela ergueu o olhar do balcão, e a cabeça de Andrés começou a inventar o que nunca iria acontecer.
Eu guardava esse desejo trancado havia anos. Numa madrugada de excesso e coragem, contei tudo ao meu melhor amigo — e ele resolveu tornar real.
Achei que ela me contava aquelas histórias para me deixar com ciúmes. Demorei a entender que o que acendia em mim era algo muito mais escuro e difícil de admitir.
Vivíamos quinze anos de rotina até que um brinquedo esquecido numa gaveta acendeu algo que nenhum dos dois sabia controlar. E isso era só o começo.
A mãe dele tinha o hábito de ajeitar a calcinha fio-dental enquanto caminhava, mesmo sabendo que eu olhava. Naquela tarde, o quarto vazio foi uma tentação irresistível.
Eu não queria que ela fosse de mais ninguém. E, ainda assim, toda noite eu fechava os olhos e a imaginava se entregando a homens que nem sequer me olhavam.
Veio posar como rainha do submundo. Disparei o flash repetidas vezes, profissionalmente, até ela abrir as pernas e eu entender que a sessão era outra coisa.
Há um instante, logo quando a porta se fecha e ouço o carro se afastar, em que deixo de ser o marido dela e me torno outra coisa bem diferente.
O brinquedo ainda estava na mesinha, me encarando como uma testemunha. E meu corpo lembrava de cada coisa que ela me ensinara horas antes.
Nós tínhamos falado mil vezes em sussurros e eu nunca achei que aconteceria. Mas naquela noite ela se ajoelhou no meio do quarto e eu só pude me sentar para olhar.
Achei que vender algumas fotos seria inofensivo. Mas naquela noite, com o telefone em uma das mãos, descobri o quanto desejava alguém que era apenas meu amigo.
Eu ainda tinha quarenta minutos de aula, a câmera ligada e o dildo inteiro dentro de mim. Só precisava manter o rosto imóvel. Era tudo.
Fazia uma semana que ele dormia colado às costas dela para acalmar a bebê. Uma semana fingindo não notar o que acontecia entre os dois no escuro.
Ela desceu para a sala com um sorriso diferente e a mão escondida atrás das costas. “Adivinha o que eu trouxe”, disse. Naquela noite, entendi em quem ela estava se transformando.
São onze da noite, eu volto a estar sozinha e tua última mensagem ainda brilha na tela. Apago a luz, e então minha mente — e minhas mãos — decidem por mim.
Se passou um mês sem saber nada dele. Quando ele finalmente escreveu, eu soube que naquela noite ia lhe dar algo que nunca tinha ousado dar.
O semáforo continuava vermelho, a foto dele ainda estava na minha tela e minhas mãos já tinham parado de pedir permissão. Eu só precisava chegar em casa. Ou não.
Apago a luz, abro o relato e deixo minha mão descer. Na minha cabeça sempre tem alguém no canto do quarto, me olhando, esperando a hora de entrar.