Morremos no mesmo dia e escolhemos passar a eternidade juntos
Quando abri os olhos naquela suíte de mármore negro, ela estava lá, nua, me olhando como se me conhecesse desde sempre. E talvez a morte tenha sido meu melhor acidente.
Quando abri os olhos naquela suíte de mármore negro, ela estava lá, nua, me olhando como se me conhecesse desde sempre. E talvez a morte tenha sido meu melhor acidente.
Estávamos casados havia anos quando ela me confessou que sua maior fantasia não envolvia outro homem. Era comigo e outra mulher. E a candidata perfeita estava esperando.
Entreguei o notebook ao meu marido com a pasta aberta. Vinte e poucos e-mails de homens que jamais imaginaram que sua diretora lhes enviaria algo assim.
Quando tirei o frasco de vidro da gaveta da minha mãe, eu já sabia que aquela tarde cruzaria uma linha da qual eu não pensava em voltar.
Tinha trinta e dois anos e ainda não tinha me permitido pensar em outra mulher sem sentir vergonha. Nessa noite apaguei a luz, respirei fundo e parei de fugir.
Tirei da gaveta um consolador que ainda cheirava a ela e a encontrei de olhar baixo, mordendo o lábio como se eu a tivesse pego em algo mais íntimo que um segredo.
Quando espipei pela janela do meu novo quarto e os vi nus na piscina, soube que aquele curso me ensinaria muito mais do que bioquímica.
Começou como uma noite qualquer diante da tela, mas quando apertei enviar naquela mensagem, soube que já não havia volta.
Desci para a sala com minha saia de colegial pronta para surpreendê-la. Não esperava encontrá-la nua, com um arco na mão e um sorriso que mudou tudo.
Abriu a porta de camisola branca, descalça. Minha namorada dormia no quarto ao lado e meu melhor amigo seguia no terraço. Eu não consegui me mexer.
Há anos ele tratava mentes alheias sem conseguir se aproximar de ninguém. Até a chegada da boneca — e da obsessão que o consumiria.
Marcos era o único homem do povoado que não fechou os olhos. Perfurou a madeira com um prego e encostou o olho. O que viu jamais o abandonou.
Há anos eu buscava alguém disposta a me olhar de verdade, não por uma tela. Quando Lucía disse sim, entendi que aquele dia eu nunca esqueceria.
Quando ela ligou a câmera, já estava deitada na cama, me esperando com um sorriso que não tinha nada de inocente. E eu soube que naquele sábado não ia dormir sozinho.
Quando coloquei a máscara diante do espelho, deixei de ser eu. O que aconteceu depois naquele jardim eu não contei a ninguém até hoje.
Três meses trocando mensagens. Um passo só para cruzar a porta dele. O que veio depois não foi o prometido: foi tudo o que meu corpo pedia em silêncio havia meses.
Há três anos aceitei a solicitação de um desconhecido que escreve poesia erótica. Desde então, todas as noites, leio suas palavras no escuro e nunca lhe escrevi.
Pus a peruca, os saltos e as curvas postiças. Não imaginei que, antes do amanhecer, eu estaria latindo num jardim com os joelhos na terra.
O chat de adultos era uma péssima ideia às cinco da tarde. Mas quando o nome dela apareceu e ela disse oi com aquela voz rouca, já era tarde demais para fechar a janela.
A sala privativa estava impecável, e eu ajoelhada no centro, esperando. Oito homens entraram em silêncio. Então entendi o que era se entregar de verdade.