Minha fantasia de travesti: uma noite com um desconhecido
Quero colocar a peruca, me maquiar e me entregar a um desconhecido que tenha lido minhas histórias. Uma única noite, sem compromissos, antes que seja tarde.
Quero colocar a peruca, me maquiar e me entregar a um desconhecido que tenha lido minhas histórias. Uma única noite, sem compromissos, antes que seja tarde.
Baixei a mão sem pensar, com o celular na outra e a foto dela ocupando a tela. Nunca tinha desejado uma mulher daquele jeito, e ela nem sabia que eu existia.
Conheci-a entre pixels e promessas à distância. Ela nunca soube que, toda noite, sozinha no meu quarto do hotel de frente para o mar, eu a imaginava ao meu lado.
Três da manhã. Uma camisola curta. Nada por baixo. E a sensação de que cada poste do parque era um olho curioso esperando que eu desse mais um passo.
Às três da madrugada, dois homens bateram à porta. O que nenhum deles sabia era que Camila vinha me pedindo essa noite havia semanas.
Mal a arrastei para o pátio, ela começou a sangrar. Mas o ferimento não era o segredo mais estranho que aquela mulher guardava sob meu teto.
Conheci-o numa entrega de prêmios onde nenhum dos dois queria estar. Dei fogo no corredor dos fundos e, sem saber, dei também todo o resto.
Quando descobri o vizinho espiando por cima do muro, não me cobri. Baixei o sutiã no chuveiro do quintal e deixei que ele visse tudo.
Quando vi as meias dele jogadas no chão do banheiro do hotel, soube que estava prestes a cruzar uma linha da qual jamais poderia voltar com meu melhor amigo.
Adela sempre evitara ser tocada. Numa madrugada de janeiro, uma desconhecida de pele translúcida sentou-se na beira da sua cama, e ela soube que não conseguiria afastá-la.
Eu o amarrei com cordas para que não me mordesse. Eu o banhei entre as ruínas. O que descobri naquela noite entre as prateleiras vazias mudou quem eu era para sempre.
Mateo nunca imaginou que um shot de tequila sobre o decote da amiga acabaria arrancando a verdade que ele escondia até de si mesmo há anos.
Desci para o meu quarto querendo fugir do barulho. Acabei com as pernas abertas diante do espelho, enquanto todos brindavam a poucos metros sem suspeitar de nada.
Eu o cruzava no elevador havia meses, sabendo que era impossível. Numa noite, encontrei um cartaz amarelo com um número e a promessa de uma amarração.
O comboio do príncipe entrou sem aviso entre os guindastes. Ele desceu do segundo carro, tirou os óculos escuros e eu soube que aqueles três meses de silêncio iam se romper naquela mesma noite.
Naquela manhã decidi sair sem nada sob a saia. Eu não queria ser tocada, só observada. E na sorveteria do segundo andar alguém percebeu.
Desci do avião sabendo que teria que encará-lo. O que eu não sabia é que, naquela mesma noite, entre lágrimas, eu ia pedir a ele algo que nunca tive coragem de dizer.
Meu marido não aguentava me ver assim, distante do meu próprio corpo. Pediu ajuda ao ginecologista. O que ele receitou naquela noite mudou tudo entre nós três.
Quando subi à biblioteca para buscar uns legajos, não esperava sentir as mãos do meu meio-irmão segurando minha cintura como se ele tivesse esse direito.
Ninguém esperava que eu voltasse tão cedo. O que vi naquela garagem — minha mãe, sem camiseta, com os punhos enfaixados — não dava para desaprender.