A guarda loira e seu escravo de joelhos
Não lhe davam água num copo. Derramavam sobre o pé dele, e ele tinha que lambê-la das tiras de couro se quisesse sobreviver.
Não lhe davam água num copo. Derramavam sobre o pé dele, e ele tinha que lambê-la das tiras de couro se quisesse sobreviver.
Quando Diego pôs a mão nas costas dela e a apresentou como sua mulher, Lucía sentiu que aquela palavra abria uma porta que nenhum dos quatro fecharia naquela noite.
Estávamos há vinte anos sendo amigos e, naquela tarde, apoiados no balcão do quiosque, confessamos em voz alta algo que nenhum de nós achava que diria um dia.
Fazia três anos que eu lia cada palavra dele sem dar like, sem comentar, sem me atrever a nada. Até a madrugada em que tudo mudou quando a mensagem dele apareceu.
Quando Lucía sussurrou sua fantasia de aniversário, eu soube que não haveria volta: ela queria ser leiloada entre nossos amigos mais próximos por uma noite inteira.
Éramos dois na cama, a luz baixa, suas pernas sobre as minhas. Eu disse que vinha pensando havia semanas em algo que não sabia como pedir.
Eu fazia dois anos que ninguém me olhava daquele jeito. E quando Miguel olhou, soube que algo em mim não estava tão adormecido quanto eu pensava.
Não havia parceira, não havia pressa. Só eu, a escuridão e os gemidos de uma cantora que, desde os anos noventa, nunca deixou de me fazer sentir alguma coisa.
Ela encontrou o celular esquecido na mesinha e digitou o PIN sem pensar. O que leu não era o que esperava, nem o que esperava sentir.
Quatro anos no mesmo escritório sem saber quem éramos um para o outro. No dia em que descobrimos, tudo mudou.
Ela tirou a calcinha no mirante, com o casal ao fundo da praia. Depois, propôs a aposta mais excitante de sua vida.
Oito anos ouvindo suas conquistas em silêncio, fingindo que estava tudo bem. Até que uma noite um estranho lhe ofereceu o que sempre quis.
Valentina apareceu com o vestido vermelho e sorriu ao ver as mesas de blackjack. Naquela noite, ela era a aposta mais alta do cassino privado do marido.
Ela passara séculos nas sombras sem desejar nada. Mas, quando me viu sozinho na biblioteca, algo dentro dela mudou para sempre.
Fecho os olhos e ela aparece: alta, escura, com uma rola que eu não esperava encontrar e que agora não consigo tirar da cabeça.
Fechei o laptop e ainda sentia as mãos imaginárias na minha pele, a voz grave dando ordens que eu obedecia sem hesitar. Uma fantasia tão real que me deixou tremendo.
Quando fechei a porta do apartamento e fiquei sozinho de verdade, as imagens do treino se instalaram sem pedir licença: os ombros de Adrián, os olhos de Gonzalo, o calor da academia.
Tenho vinte e oito anos e uma lista de fantasias que quase nunca conto a ninguém. Esta é minha confissão completa, sem filtros.
Passei meses fugindo dele. Valentina me arrastou para a caminhonete sem me dar saída. Ele estava no volante, sério, sem me olhar.
Eu vinha fantasiando com ela havia meses. Quando ela desceu do palco e pôs a boca na minha, entendi que aquela fantasia nunca ia desaparecer.