Minha esposa armou o ménage que eu nunca tive coragem de pedir
Eu fazia a mesma brincadeira com minha mulher na cama havia anos. O que eu não sabia é que ela tinha anotado cada palavra e que aquela viagem à costa tinha um plano.
Eu fazia a mesma brincadeira com minha mulher na cama havia anos. O que eu não sabia é que ela tinha anotado cada palavra e que aquela viagem à costa tinha um plano.
Eu a vi comandar a mudança com aquela voz rouca e soube que não conseguiria tirá-la da cabeça. O que eu não imaginava era tudo o que ela escondia sob o corset.
Ela cruzou as pernas na minha frente e algo não encaixava. A voz era doce, mas as mãos grandes demais. Levei dias para entender o que tinha me roubado o sono.
Aceitei ajudá-las com o concurso da faculdade. Não imaginei que, diante daquele espelho, maquiado e com aquele vestido justo, deixaria de me reconhecer.
A primeira vez que entrei no consultório dele, fui de cabeça baixa e com um vestido emprestado; saí de lá me sentindo, enfim, eu mesma.
Ia para o escritório com o plug no lugar e as meias sob a roupa, sonhando com o que minha mulher faria comigo quando voltasse. Nessa noite, no palco, tudo mudou.
Toda noite, antes de dormir, Carla me sussurrava «boa noite, princesa». Levei meses para entender que essa palavra não era uma brincadeira, mas uma ordem.
Coloquei a saia por baixo da calça, entrei no carro e deixei que ele escolhesse meu nome. Naquela noite, parei de fingir o que não era.
Era uma brincadeira: colocar em mim a gargantilha rosa em troca de uma pizza. Mas apertei o botão e deixei de ser eu. Outra pessoa passou a mover meu corpo por dentro.
Ele bebeu o líquido violeta só uma vez, por vingança. Mas o novo corpo aprendeu naquela noite algo que sua mente de homem jamais poderia esquecer.
Ela deixou os baús sobre a cama e me mandou provar cada peça. Naquela noite, entendi que a viagem não era um destino, mas a prova de quanto eu lhe pertencia.
Avancei ao lado da minha patrocinadora, não atrás dela como os outros casos. Eu era o mais bem avaliado, e naquela noite todas queriam me comprar.
Nunca tinha descido mais de três degraus vestido de Lía. Naquela tarde, com a renda branca roçando minhas coxas, decidi que chegaria até a rua.
Eu me barbeava, colocava a peruca e os saltos, e falava com a câmera como se alguém fosse aparecer de verdade. Numa noite, alguém apareceu.
Subi esses degraus com o coração a mil, sem imaginar que sairia do apartamento convertido em outra pessoa e com um nome de mulher nos lábios.
O vestido manchado ainda pendia na porta como um troféu, e ela já não temia nenhum espelho nem nenhum olhar.
Pensei que tudo tinha acabado quando o diretor me pagou e me dispensou. Eu não imaginava que a verdadeira dona do meu corpo era ela, a mulher da mesa ao lado.
Aceitei o encontro vestida de mulher, sem saber que naquela tarde no carro dele eu decidiria tudo o que viria depois. Ele só me olhou e disse: «Você vai ter clientes».
Lorena me vestiu como a mulher mais desejada da noite, disse ao meu ouvido que oito homens esperavam e, pela primeira vez, não quis fugir do que sentia.
Durante quatro dias, o papelzinho com seu número queimou no meu bolso. Toda noite eu lembrava daquela umidade escorrendo e soube que ia ligar.