A camareira submissa da festa de Vanesa
Ele levava a bandeja tremendo, a saia subindo pelas coxas, enquanto elas brindavam e riam. Aquela noite não era de um convidado: era do brinquedo da festa.
Ele levava a bandeja tremendo, a saia subindo pelas coxas, enquanto elas brindavam e riam. Aquela noite não era de um convidado: era do brinquedo da festa.
Ajoelhei-me no centro do salão enquanto elas decidiam, frase por frase, como iriam me transformar. E eu só conseguia desejar que começassem logo.
Eu usava sua calcinha preta por baixo da calça justa, caminhando pela avenida mais escura da cidade, esperando que alguém tivesse coragem de parar ao meu lado.
Pratiquei diante do espelho durante semanas. Na noite em que coloquei o vestido na mochila, soube que não havia mais volta: daquela vez seria de verdade.
Atravessamos o oceano para celebrar nossos vinte e um anos com eles. Quando descemos para a sala vestidos, os dois nos esperavam de pé, e entendi que nada seria como antes.
Nessa noite, coloquei a calça cor da pele, a jaquetinha dourada e a peruca de melena. Eu não imaginava que a fantasia iria provocar o que provocou.
Andrés tinha cinquenta e três anos e um casamento rompido quando ela roçou sua mão com as unhas vermelhas e sussurrou para ele não ter medo de explorar.
Eu estava sozinho no apartamento dela quando vi as sandálias ao lado do sofá. Eu sabia que não devia tocá-las, mas naquela noite descobri do que eu era capaz por uma obsessão que jamais confessei.
Não eram minhas e era justamente isso que as tornava irresistíveis. Ergui-as do chão da lavanderia sabendo que naquela noite faria com elas tudo o que vinha imaginando havia meses.
Eu guardava esse desejo trancado havia anos. Numa madrugada de excesso e coragem, contei tudo ao meu melhor amigo — e ele resolveu tornar real.
Eu poderia ter me trocado em trinta segundos. Em vez disso, caminhei até a porta de salto, sabendo exatamente o que ele veria.
Nunca consegui distingui-las. Uma me beijava com ternura; a outra me amarrava e me usava. Só depois entendi que nunca houve erro: as duas tinham planejado tudo.
A primeira noite na cela 118 bastou para ele entender que já não era dono do próprio corpo, mas uma posse a mais do homem do beliche de baixo.
Eu me vestia escondida havia anos, mas naquela noite calcei as botas, as meias arrastão e o vestido de veludo, e cruzei a porta sendo ela.
Prometi que seria sua mulher, não importa o preço. Eu não sabia que cada dose iria me apagando, até meu corpo deixar de ser meu.
Comprei umas meias pretas com o coração na garganta, sabendo que, assim que trancasse a porta de casa, viraria a mulher que vinha imaginando o dia todo.
Naquela manhã, minha irmã me emprestou seu nome, seu vestido e sua vida inteira. À tarde, um garoto me olhou como ninguém jamais olhara e, pela primeira vez, eu me reconheci.
Oito anos no exterior me transformaram na mulher que eu sempre fui. Mas, ao cruzar a porta de casa, encontrei primeiro o olhar faminto de Mauricio.
Passada a meia-noite, coloquei os saltos vermelhos, abri o portão com o controle e saí para caminhar. Só queria me sentir vista. Não esperava que alguém parasse.
Eu fumava desde os dezoito e nada tinha conseguido me fazer parar. Até minha mulher encontrar aquela doutora de saltos impossíveis e sorriso de predadora.