Meus companheiros de apartamento me encontraram assim
Conheci Diego numa terça-feira qualquer, daquelas em que você não espera nada e tudo acaba acontecendo. Tínhamos conversado pelo aplicativo durante algumas semanas, fotos pela metade, mensagens que iam ficando mais quentes quando a noite caía, e no fim ele me convidou para o apartamento de estudantes dele no bairro antigo. Disse que os colegas de apartamento estavam em festa e que só voltariam ao amanhecer.
— Temos a noite toda para nós — escreveu —. Vem sem pressa.
O prédio era daqueles antigos, com uma escada de madeira que rangia e uma lâmpada que piscava em cada patamar. Subi os quatro andares devagar, com o coração na garganta. Você ainda está em tempo de voltar atrás, pensei. Mas eu não queria voltar. Fazia tempo demais que eu desejava exatamente isso.
Diego abriu a porta de cueca, com o cabelo desgrenhado e um sorriso que não escondia nada. Era mais alto do que parecia nas fotos, ombros largos, com uma tatuagem subindo pelas costelas. Me olhou de cima a baixo sem pudor, como se já soubesse o que a gente ia fazer e só estivesse conferindo o inventário.
— Então você é o grandalhão de que todo mundo fala — disse, encostado no batente.
— Todo mundo? — perguntei.
— O grupo do apartamento. Falei que você vinha. — Ele mordeu o lábio. — Não se preocupa, eles não estão aqui.
O apartamento cheirava a cerveja velha e a perfume barato. Havia garrafas na mesa da cozinha, uma pilha de pratos sujos e uma guitarra apoiada no sofá. Diego me levou pelo pulso até o quarto dele, fechou a porta com o pé e me empurrou contra a parede antes que eu pudesse dizer qualquer coisa.
A boca dele tinha gosto de menta e de algo doce. Me beijou com fome, com aquela urgência de quem vinha imaginando aquilo havia dias, e eu respondi do mesmo jeito, agarrando sua nuca, sentindo o calor do corpo dele através da roupa. Ele arrancou minha camiseta de um puxão e ficou olhando meu peito.
— Caralho — murmurou. — As fotos não faziam justiça.
Ergui o queixo e devolvi o olhar, gostando da maneira como ele me devorava com os olhos. Segurei seu pescoço com uma mão e o puxei de novo. A respiração dele já vinha acelerada, o pau começando a marcar a cueca, duro, palpável, e eu senti roçar minha coxa quando ele se colou em mim. Não houve delicadeza em como ele abriu meu zíper, em como enfiou a mão e tirou meu pau, pesado e quente, para apertá-lo com os dedos e me ouvir gemer.
— Assim eu gosto — sussurrou. — Grande e obediente.
Eu agarrei a cintura dele por baixo da borda da cueca e o apertei contra mim, esfregando meu pau no ventre dele, sentindo a umidade crescer entre nós dois. Diego chupou meu pescoço com vontade, deixou marcas, mordeu meu lóbulo da orelha e então se agachou à minha frente, de joelhos, sem tirar os olhos do meu rosto. Baixou minha calça o suficiente para tirar meu pau e o abocanhou de uma vez, engolindo até onde coube, a língua úmida trabalhando a ponta enquanto a mão bombeava a base.
— Porra, Diego… — rosnei.
Ele soltou uma risada abafada em volta do meu pau e começou a me chupar com mais força, alternando sugadas profundas com lambidas lentas no freio. Eu apoiei uma mão na parede para não cair no chão, sentindo o calor subir pelas costas. A boca dele era uma maldita aspiradora, tragando saliva, apertando os lábios, e quando me tirou o pau por um segundo para beijar a ponta com obscenidade, eu já estava completamente entregue.
— Quero te ver perder a cabeça — disse, com a voz escura.
Ele me empurrou para a cama e me deixou cair de costas entre os lençóis revirados.
***
O que veio depois foi lento no começo. Diego me deitou na cama dele, uma cama estreita de estudante com lençóis que cheiravam a ele, e foi com calma. Percorreu meu corpo com a boca, os dentes roçando meu pescoço, a língua descendo pelo esterno. Toda vez que eu tentava apressar, ele prendia meus pulsos contra o colchão e me obrigava a esperar.
— Calma — sussurrava —. Não tem pressa. Temos a noite toda, lembra?
O quarto estava em penumbra, iluminado só por uma luminária de mesa com cúpula vermelha, que tingia a pele de um tom quente, quase irreal. Eu o olhava de baixo, com a respiração curta, enquanto ele me preparava com uma paciência que me deixava louco. Abriu minhas pernas sem pedir permissão, se encaixou entre elas e enfiou dois dedos devagar, depois um terceiro, me besuntando bem com lubrificante enquanto me sondava por dentro, procurando aquele ponto que me fazia arquear as costas e soltar o ar em gemidos curtos.
— Isso, porra — murmurou. — Quero que você me peça mais.
E eu pedi. Pedi com a voz quebrada, com os dedos cravados nos lençóis, quando ele se inclinou e começou a chupar meu prepúcio, a lamber meus ovos, a levar a cabeça do meu pau para a boca de novo enquanto os dedos continuavam empurrando dentro de mim. A língua dele me fazia tremer, a mão me ordenhava devagar, e quando ele me deixou completamente encharcado, arfando como um animal, se posicionou entre minhas pernas e me olhou com aquele sorriso de filho da puta satisfeito.
— Agora sim — disse. — Quero ouvir você se quebrar.
Passou um pouco de lubrificante no pau, esfregou com a mão e abriu mais minhas pernas com as duas mãos, me deixando exposto, a bunda à mostra, respirando aos trancos. Quando encostou a ponta na minha entrada, eu fiquei imóvel por um segundo. A pressão foi brutal no começo, uma queimação quente que arrancou de mim um gemido longo. Diego não desviou o olhar do meu rosto nem quando começou a entrar, devagar, centímetro por centímetro, engolindo meus suspiros com um beijo faminto.
— Isso — disse contra minha boca. — Aperta se quiser. Quero sentir você.
Quando entrou por completo, me deixou sem ar com um último empurrão e ficou quieto por apenas um instante, como se saboreasse o quão apertado meu cu o recebia. Depois começou a se mover com um ritmo fundo e constante. Eu me agarrei aos ombros dele, sentia o suor escorrendo pelas têmporas, o colchão ranger, o hálito quente no meu ouvido. O mundo se reduziu àquele quarto vermelho, ao pau dele abrindo caminho dentro de mim, ao prazer subindo em ondas. Perdi a noção do tempo. Não soube se tínhamos passado dez minutos ou uma hora.
E então ouvi a chave.
***
Girou na fechadura às duas da madrugada em ponto, porque vi o relógio do criado-mudo justamente naquele instante. Primeiro entrou a luz do corredor, branca e fria, recortando uma faixa sobre o chão do quarto. Depois, as vozes.
— Diego! Onde você se meteu, cara? Trazemos pizza e cerveja para o…
A frase morreu na hora.
Toni foi o primeiro a abrir a porta por completo. Alto, moreno, com uma regata e os braços marcados de academia, ficou petrificado com a caixa de pizza ainda na mão. Atrás dele, em fila, os outros apareceram: Iker, magro e loiro, com aquelas pernas intermináveis de jogador de basquete; Rubén, ruivo e sardento, com o corpo fibroso de quem nada toda manhã; e Saúl, o mais quieto, baixinho mas todo músculo, com o celular já meio caminho fora do bolso.
Houve quatro segundos de silêncio que pareceram uma eternidade.
Diego continuava sobre mim, dentro de mim, os dois suados e respirando forte, banhados por aquela luz vermelha como numa cena de filme. E eu os encarei, um por um, sem fechar as pernas, sem tentar me cobrir com o lençol que estava a um palmo da minha mão.
Na minha cabeça só se repetia uma frase, sem parar. Estão me vendo assim, aberto e entregue, e nunca estive tão excitado na vida.
Toni foi o primeiro a reagir. Escapou dele uma risada nervosa e depois um sorriso lento, perigoso, que mudou o rosto inteiro.
— Caralho — disse baixinho. — Diego, que porra é essa? Um presente de boas-vindas?
Diego não se mexeu. Eu também não. Mas apertei os músculos em volta dele, uma única vez, forte, para que entendesse que eu não ia a lugar nenhum. Ele soltou um gemido contido e cravou os dedos em meus quadris.
Iker deu um passo para dentro do quarto e fechou a porta atrás de si. A faixa de luz branca desapareceu e voltamos a ficar os seis naquela penumbra vermelha.
— Cara — disse Iker, com a voz mais rouca do que pretendia —. Esse é o que o Diego falava no grupo. O grandalhão. O que escreveu que queria que o deixassem sem noção.
Rubén mordeu o lábio. Saúl já tinha o celular na mão, embora a tela estivesse apagada, como se ainda não se atrevesse.
Diego falou enfim, com a voz trêmula mas carregada de desejo.
— Gente… apresento. O nome dele é Mario. E, bom… ele estava me deixando fazer o que eu quisesse.
Silêncio outra vez. Eu sentia no ar, aquela tensão espessa, quatro caras plantados aos pés da cama sem saber direito o que fazer com o que estavam vendo. A decisão, percebi, não era deles. Era minha.
Então fui eu quem falou.
— Vocês podem fazer mais do que olhar — disse, com a voz rouca de prazer, passando os olhos pelos quatro —. Se tiverem coragem.
Essa foi a faísca.
***
Toni arrancou a camiseta de um puxão e a jogou no chão.
— Pois se o grandalhão convida — disse —, seria muita falta de educação recusar.
Em menos de um minuto os quatro estavam nus ao redor da cama. Diego saiu de mim devagar, e senti o vazio como um golpe no estômago, uma ausência que eu precisava preencher na mesma hora. Ele se afastou para o lado, apoiado na parede, observando com um sorriso e a mão ocupada, satisfeito por me ceder ao resto.
Toni subiu na cama e se colocou entre minhas pernas. Levantou meus quadris com as duas mãos e me observou com algo perto de reverência.
— Olha como ele ficou — murmurou. — Te abriu como uma flor.
Entrou num só golpe que me arrancou um gemido vindo lá do fundo. Não foi suave. Eu não queria que fosse, e ele soube. Agarrou minhas coxas e começou a se mover com força brutal, a cabeceira batendo na parede, enquanto eu me contorcia debaixo dele buscando mais.
Iker se aproximou do outro lado e se inclinou sobre meu rosto. Não pediu permissão, e naquela altura eu não queria que pedisse. Abri a boca e o recebi, sentindo o peso do desejo dele, as mãos de Toni cravadas nos meus quadris, dois ritmos diferentes que me partiam ao meio e me deixavam sem ar.
Rubén e Saúl esperavam nas laterais, impacientes, se revezando, os olhares indo do meu rosto ao meu corpo e voltando. Saúl por fim ligou o celular, mas não para gravar nada que fosse sair dali; deixou-o no criado-mudo, a câmera apontada para o teto, como se só precisasse de uma desculpa para ficar com as mãos livres.
— Eu não estou acreditando nisso — disse Rubén, quase para si mesmo. — Não estou acreditando nisso.
***
E assim foi a noite inteira. Eu no centro daquela cama estreita, cercado por cinco desconhecidos que a cada minuto eram menos desconhecidos. Toni me fodendo sem trégua, Iker na minha boca até as lágrimas escaparem, Diego observando da parede com aquele sorriso de quem tinha orquestrado tudo. E quando Toni terminou, quem assumiu foi Rubén, e de Rubén passou para Saúl, e Iker foi substituído de novo por Diego, num carrossel que não parecia ter fim.
Trocamos de posição mil vezes. Me puseram de quatro, me sentaram de pernas abertas, me deitaram de lado com uma perna levantada. Me passaram de mão em mão como se eu fosse a melhor ideia que já tinham tido na vida, e em algum momento parei de distinguir quem era quem: só havia mãos, bocas, corpos quentes e a luz vermelha tingindo tudo de irreal.
— Caralho, Mario — arfou Iker em algum momento, com a testa encostada nas minhas costas —. Você é a melhor coisa que já entrou neste apartamento.
Não respondi. Não podia. Eu estava longe demais, fundo demais naquela sensação que me consumia. Cada estocada me aproximava de uma borda da qual eu vinha me pendurando havia horas sem cair, e quando enfim caí, foi com um grito que escapou sem permissão, agarrado aos lençóis, o corpo inteiro tremendo.
Eles não pararam. Continuaram até que, um a um, também foram se rendendo, até que o quarto se encheu de respirações ofegantes e risadas cansadas e do peso de cinco corpos desabando sobre uma cama que não fora feita para tantos.
***
O amanhecer já entrava quando fui embora. A luz cinza da aurora invadia a janela enquanto eu me vestia em silêncio, com os quatro amontoados dormindo e Diego acordado, me observando do travesseiro.
— Você volta? — perguntou.
Amarrei os cadarços sem responder de imediato. Pela janela, dava para ver o bairro antigo acordando, os primeiros caminhões, uma porta de loja subindo no bar em frente.
— Isso depende — disse por fim, com um meio sorriso —. Vocês têm intenção de sair para festa de novo?
Diego riu baixinho para não acordar os outros.
— Para você — respondeu — a gente fica em casa todo fim de semana.
Desci os quatro andares daquela escada de madeira com as pernas ainda tremendo e uma ideia muito clara na cabeça. Essa não vai ser a última vez. E, pela maneira como a porta se fechou atrás de mim, eu soube que eles pensavam exatamente a mesma coisa.





