O que ninguém sabe sobre os meus verões no interior
No interior, sempre faz calor. Até em setembro, quando o sol já não castiga tanto, o ar seco compensa tudo: você caminha pelas ruas empoeiradas com a boca ressecada e a roupa colada ao corpo. Não há nada aqui além de um bar de tapas que toca flamenco sem que ninguém tenha pedido, um tabacaria atendida por um senhor que fala pouco, e uma agência dos correios com horário de três horas que ninguém entende direito.
Meus amigos não entendem por que eu volto todo ano. Nos grupos de WhatsApp, apareço com foto daqui no fim de julho, e sempre tem alguém que escreve algum comentário sobre ir para o fim do mundo. Eu digo que é para ver meu avô, que já está velho, que alguém da família precisa aparecer de vez em quando.
Metade é verdade.
A outra metade é que, quando volto para Madrid em agosto, sempre volto com o modelo mais novo de celular que meu avô me comprou. Com videogames que eu vinha namorando de longe por causa do preço. Com dinheiro suficiente para não ficar angustiado nos primeiros meses. Meus amigos se perguntam como pode um aposentado do interior me mimar tanto. Nunca dei a eles uma resposta convincente, porque a única resposta verdadeira não dá para contar em voz alta: o avô me paga para eu chupar o pau dele e para eu fodê-lo quando ele fica com tesão.
Tudo começou há vários anos, quando eu já era maior de idade e passei aqui um verão inteiro sem ter nada melhor para fazer. Não foi uma conversa, nem uma proposta, nem um momento dramático que eu possa narrar com precisão. Foi algo que aconteceu devagar e em silêncio, sem que nenhum de nós desse nome ao que estava acontecendo. Quando chegou o outono e voltei para a cidade, eu já não conseguia parar de pensar na cara que o velho fazia com meu pau na boca.
Meu pai diz que o avô me mima demais. Disse isso no ano passado, quando me viu chegar com a moto nova, uma moto bem cara que o velho ainda segue pagando.
—Assim ele nunca vai amadurecer — soltou para o avô na frente da família inteira—. Você dá tudo o que ele pede sem ele precisar mexer um dedo.
—Eu não peço nada — respondi—. É ele quem quer me dar.
Meu pai me olhou por um instante e depois desviou os olhos. Às vezes eu me pergunto se ele suspeita de algo. Mas há coisas que a mente não deixa imaginar, porque imaginar seria demais; então provavelmente ele não suspeita de absolutamente nada.
***
Aquele dia eu tinha saído cedo. Subi de moto até uma área de pinheiros nos arredores do povoado, onde há vista para o vale e quase nunca aparece ninguém. Deitei no chão seco com os braços atrás da cabeça e fiquei assim por algumas horas, fumando uma coisa que me ajuda a esvaziar a cabeça quando tudo acumula demais. Em Madrid eu vivo com a mandíbula travada sem perceber. Aqui, de algum jeito, ela relaxa sozinha.
Quando as entranhas começaram a reclamar, eu liguei o telefone. Três chamadas perdidas do avô e várias mensagens de garotas de Madrid que de vez em quando se lembram de que eu existo. Guardei o telefone, coloquei o capacete e voltei.
Antes que eu pudesse colocar a chave na fechadura, a porta se abriu. O avô estava com cheiro de comida no corpo e aquela expressão que ele fazia quando estava esperando há horas e não sabia como dizer isso sem parecer que estava cobrando.
—Onde você esteve? — disse ele—. Fiz paella, com socarrat e tudo. Já estava pronta desde as duas.
Passei por ele sem responder. Deixei o capacete no sofá da entrada e entrei na sala.
—Saí para dar uma volta.
—Pois é, mas... podia ter avisado.
—Esquenta para mim.
Houve uma pausa curta. Depois ouvi os passos dele em direção à cozinha.
Me instalei no sofá e peguei o cigarro da mesinha. Coloquei um programa de perguntas que estava passando na TV e comecei a enrolar um cigarro com calma, apertando o fumo com os dedos até ficar uniforme. Umedeci o papel com a língua, fechei num movimento rápido, examinei por um segundo e coloquei atrás da orelha. Quando o avô voltou com o prato, pousou-o com cuidado sobre o descanso de copo e sentou no outro lado do sofá sem dizer nada. Ele me conhecia o bastante para não falar enquanto eu comia.

Terminei. Peguei o telefone e fiquei um tempo vendo vídeos. Um pouco depois, como se estivesse esperando exatamente aquele momento, o avô pigarreou.
—Falei com o Fermín. O do bar.
Eu tinha pedido para ele ir falar com o homem porque eu precisava ganhar algum dinheiro por conta própria; não podia depender indefinidamente do que o avô ia me dando.
—E?
—Ele diz que, em princípio, não está procurando ninguém, mas que você apareça amanhã à noite, depois de fechar. Por volta das onze.
—Às onze da noite?
—Foi o que ele me disse.
Pensei por um instante. Não era como se eu tivesse horários normais; eu deitava quando dava e levantava tarde. Onze da noite me servia bem.
—Beleza. Amanhã eu vou.
Deixei o telefone virado para baixo no sofá. Foi então que percebi a mão do avô pousando na minha coxa. Ele fez isso devagar, como se não quisesse chamar muita atenção, embora nós dois soubéssemos que eu tinha percebido desde o primeiro segundo. Os dedos dele subiram aos poucos, roçando a costura do jeans, apalpando até chegar perto do botão. Quando alcançou o volume, palpou por cima do tecido com uma avidez que denunciava todas as horas que passara pensando nisso, apertando o contorno do meu pau com os dedos como se quisesse me medir outra vez.
Olhei para ele pela primeira vez desde que tinha voltado para casa.

Ele tinha aquela cara. Não era exatamente súplica, nem vergonha. Era algo mais direto, mais primário: a cara de um velho tarado que tinha passado o dia inteiro me esperando com o pau meio duro e o cu pronto.
—Quem te disse que eu tô a fim? — perguntei.
Ele não recuou dessa vez. Apertou mais a mão por cima do jeans.
—Acho que eu mereço, Marcos. Estou desde cedo pensando em chupar você.
Não respondi. Desviei os olhos e deixei ele fazer. Era o suficiente para ele; sempre tinha sido.
Ele baixou o zíper com mãos que não tremiam, que já tinham repetido aquele gesto centenas de vezes. Desabotoou o botão, puxou o jeans para baixo arrastando-o pelos meus quadris e deixou a calça amassada aos meus pés. Tirei a camiseta e joguei no sofá. Fiquei recostado com os braços cruzados atrás da nuca, de cueca, com o pau já começando a marcar no algodão, olhando para o teto.
O avô se permitiu um momento para me olhar, como sempre fazia. Era o jeito dele de se servir de algo que, para ele, valia muito. Passou as mãos pelas minhas coxas, pelo estômago, pelo peito. Me acariciava com calma, sem pressa, deslizando os dedos por cada centímetro como se quisesse se certificar de que aquilo ainda era real. Beijou minha barriga, bem acima do elástico da cueca, e continuou descendo com a boca aberta, mordiscando o osso do quadril, lambendo minha virilha por cima do tecido até deixar a região encharcada de saliva. Passou pela lateral do meu corpo com a boca aberta, deixando a pele úmida e sensível sob os lábios, e voltou a subir até os mamilos, onde se demorou chupando com tanta fome que o primeiro gemido escapou de mim.
—Quieto com essa boca — eu disse, passando uma mão na nuca dele.
—Você está cada ano mais gostoso, filho da puta — ele murmurou contra a minha pele.
Então se ajoelhou no chão frio de mármore.
Ele baixou minha cueca com os dentes, devagar, mordendo o elástico e puxando para baixo até meu pau sair de repente e quase bater na cara dele. Escapou dele um gemido baixo e rouco ao vê-lo. Eu já estava duro como pedra, grosso, inchado, com a glande pesada e a ponta brilhando por um fio de líquido transparente que tinha escapado sozinha.
—Olha o que você tem aí — disse ele.
—Pois olha. Passou o dia inteiro te esperando.
Não era verdade, mas eu gostava de dizer aquilo. Acendia alguma coisa nos olhos dele.
Ele começou a me chupar como quem vinha aprendendo a fazer aquilo direito há anos. Primeiro agarrou meu pau pela base com uma mão e passou ele pelo rosto, esfregando a ponta nas maçãs do rosto, nos lábios fechados, no queixo mal barbeado. Colocou a língua para fora e me lambeu de baixo para cima, devagar, plana, dos ovos até a glande, uma vez e outra, recolhendo o gosto antes de enfiá-lo na boca. Quando finalmente abriu, envolveu a ponta inteira com os lábios e engoliu metade de uma vez, sem avisar. Soltei o ar pelo nariz num sopro.
—Porra.
Ele começou a chupar num ritmo seguro, aquela cadência que só se consegue quando se passa anos com o mesmo pau na boca. Subia devagar, raspando com os lábios cerrados, lambia a glande em círculos, concentrava-se no freio dando toques com a ponta da língua, e voltava a descer até ele sumir na garganta. Sabia quando apertar mais os lábios, quando fechar os olhos e engolir o tronco inteiro se forçando, quando tirar tudo para cuspir em cima da ponta e voltar a descer escorregando. Com a outra mão, tinha agarrado meus ovos e os massageava, pesando-os, puxando um pouco o saco para baixo cada vez que o engolia até o fundo. Ele me trabalhou com paciência, com aquela mistura de fome e disciplina que às vezes me desesperava e às vezes era exatamente o que eu precisava.
Guiei a cabeça dele com uma mão no cabelo, sem puxar demais, marcando a profundidade. O avô gemia baixinho em volta do meu pau, sugando, colocando e tirando da boca com uma cadência que ia me desmanchando por dentro. Toda vez que se engasgava um pouco, os olhos ficavam vidrados e um fio de saliva escorria pelo queixo e ia parar nos meus ovos. Aproveitei para molhar bem a mão com aquela saliva e começar a esfregar o rosto dele com o pau besuntado, dando tapinhas leves nas maçãs do rosto.
—Abre. Porque eu vejo que você tá com vontade.
Ele abriu a boca bem aberta, colocou a língua para fora e ficou me olhando com os olhos brilhantes. Enfiei o pau até o fundo num único impulso, sentindo a garganta dele se contrair em torno da glande, e o deixei ali por alguns segundos antes de tirar. Quando fiz isso, um fio longo de saliva pendia do lábio inferior dele.
Passei a língua nos lábios e olhei para o teto, sentindo o calor se acumular na base da barriga.
Que porra eu estou fazendo?
A pergunta sempre aparecia no mesmo ponto. Nunca ia embora de vez, mas também não era forte o bastante para me parar. Com o tempo, eu tinha chegado a um acordo tácito com aquela voz interior: ela existia, eu a escutava, e depois a deixava passar enquanto continuava empurrando dentro da boca do meu avô.
Quando comecei a sentir que estava chegando rápido demais, parei-o com uma mão no ombro.
—Levanta.
O avô obedeceu sem perguntar. Tirou a roupa com uma rapidez que me dizia claramente que vinha pensando nisso muito antes de mim. Ele não usava cueca; isso também era um sinal que eu já sabia ler. Quando abaixou a calça, vi que estava duro e com a ponta um pouco brilhante. Foi correndo para o quarto dele e voltou com o lubrificante em uma mão e a respiração ofegante.
Sentou-se ao meu lado por um momento, ergueu as pernas apoiando os pés na borda do sofá e passou o lubrificante sem pressa. Derramou uma boa quantidade gelada nos dedos, levou a mão ao cu e começou a besuntar o buraco com movimentos circulares. Eu o observava com o pau apontando para o teto, molhado pela saliva dele. Primeiro entrou um dedo, depois dois, abrindo-se com calma enquanto me olhava de lado com a boca entreaberta e a respiração um pouco mais alta do que o normal. Quando os tirou, estavam encharcados, e eu agarrei o pulso dele e chupei um por um até deixá-los limpos.
—Senta em mim — eu disse.
Então ele se colocou de costas para mim, com as palmas apoiadas nos meus joelhos para se sustentar, e começou a descer devagar com o cu aberto procurando meu pau. Agarrei o tronco dele para guiar e apertei a ponta contra a entrada.
—Devagar — ele murmurou.
—Relaxa — eu disse—. Assim. Não se mexe.
Alinhei direito a ponta do meu pau com a entrada dele e fui entrando com cuidado, centímetro por centímetro, deixando o corpo dele se adaptar ao meu. Senti o anel ceder devagar, abrindo-se para engolir minha glande, e depois todo o tronco afundando dentro de um calor fechado e escorregadio. A pressão apertada em volta do meu pau me fez cerrar a mandíbula; sempre era a primeira estocada que mais se sentia, aquele instante exato em que o corpo cedia e te prendia por inteiro. Quando senti que ele se acomodava de vez sobre mim, com todo o peso do cu apoiado contra meus quadris e meu pau enterrado até os ovos dentro dele, ele soltou o ar que vinha prendendo num longo suspiro trêmulo.
—Deus — disse ele muito baixo—. Deus, como você me fode bem, filho.
Não respondi. Dei um tapa na coxa dele para começar a se mover.
Começamos a nos mover. Ele marcava o ritmo por cima, deixando-se cair e se erguendo com cuidado, enfiando-se no meu pau com todo o peso do corpo; eu modulava por baixo, agarrando os quadris dele para enfiar mais fundo e frear quando sentia o corpo dele endurecer demais. Cada vez que descia por completo, meus ovos batiam no cu dele com um som úmido. Ele tinha as costas largas e os ombros caídos pela idade, e mesmo assim naquele momento era completamente dócil, completamente à mercê do que eu quisesse fazer com o buraco dele. Eu gostava desse contraste. Era, provavelmente, o que mais tinha me fisgado no começo, muito antes de eu saber como chamar aquilo.
—Tá gostando? — perguntou entre arquejos—. Tá gostando de como eu monto em você?
—Cala a boca e se mexe. Mais rápido.
Ele se calou. Se mexeu. O som da carne dele batendo na minha enchia o silêncio da sala, misturado com a respiração úmida dos dois e o zumbido baixo da TV. Peguei ritmo e comecei eu a empurrar para cima, cravando nele cada vez com mais força, levantando os quadris do sofá para enfiá-lo até o fundo em cada investida. Ele gemia toda vez que a ponta tocava lá dentro, um gemido grave que escapava sem querer e que ele tentava abafar mordendo o lábio.
—Você está muito apertado hoje — eu disse, ofegante contra a nuca dele—. Passou o dia imaginando meu pau?
—Sim — respondeu ele—. Porra, sim.

—Porco.
Soltei os quadris dele e passei os braços em volta do torso para puxá-lo mais perto, colando as costas dele no meu peito, e ele jogou a cabeça para trás, apoiando-a no meu ombro, com os olhos fechados e a boca aberta. Belisquei um mamilo com dois dedos e dei uma mordida no pescoço dele ao mesmo tempo em que cravava meu pau por baixo. Ele soltou um gemido e acelerou o ritmo do próprio cu, subindo e descendo em cima de mim.
Com uma mão, ele agarrou o próprio pau e começou a se masturbar no mesmo ritmo que marcávamos os dois, passando pela haste com puxadas rápidas, cada vez mais desesperadas. Baixei os olhos por cima do ombro dele e vi a mão subindo e descendo frenética sobre o pau inchado e avermelhado, com um fio de líquido transparente pendendo da ponta e balançando a cada sacudida.
—Assim. Se bate bem. Quero te ver gozar — eu disse no ouvido dele—. Você vai gozar com meu pau no cu, avô.
—Sim. Sim, eu vou gozar. Porra, Marcos, não para.
Ele gozou primeiro. Fez isso com um gemido quebrado que tentou conter e não conseguiu totalmente, apertando o cu em volta do meu pau com tanta força que quase me arrastou junto. Escorreu pela mão dele e manchou a mesinha à frente com jatos espessos e esbranquiçados que caíram na madeira com um som suave. O corpo inteiro dele ainda tremia quando agarrei os quadris com as duas mãos e o fodi por baixo com as últimas estocadas, secas, sem ritmo, correndo atrás do meu gozo.
—Aguenta. Aguenta aí.
—Goza dentro. Goza dentro, filho, por favor.
Pouco depois, gozei também, apertando com força os quadris dele enquanto me vazava dentro dele em pulsos quentes que arrancaram um longo tremor de todo o corpo dele. Senti cada jato saindo de mim e explodindo contra as paredes dele, uma descarga após a outra, até meu pau ficar latejando dentro do cu dele. Ele gemia baixinho a cada espasmo meu, agradecido, quase trêmulo, com as costas encharcadas de suor coladas ao meu peito.
Quando terminei, segurei-o contra mim por um momento, sem tirar. Senti a respiração dele se acalmando. Depois lhe dei um empurrão suave nas costas para que se separasse.
—Pronto. Levanta.
Ele se levantou devagar. Quando meu pau saiu de dentro dele, um fio branco escorreu pela parte interna da coxa dele, e ele ficou olhando por um segundo antes de limpar com a mão. Meu pau ficou largado contra a barriga, brilhando com o cu dele e com a mistura dos dois, ainda meio duro.
Ficamos quietos por um momento. A TV continuava ligada. Alguém na tela falava de algo que não importava.
Me afastei. Peguei o telefone do sofá. Tinha uma mensagem do meu primo Rodrigo, à qual respondi rápido, e várias de garotas de Madrid que eu ignorei. O avô se levantou, foi ao banheiro, voltou vestido. Sentou-se na poltrona em frente a mim com aquela expressão de depois que eu já reconhecia: tranquilo, um pouco ausente, como se precisasse de um momento para voltar a ser ele mesmo.
—Me deixa duzentos — eu disse, sem tirar os olhos do telefone.
Houve um silêncio que eu não esperava.
—Duzentos? Marcos, semana passada eu já te dei mais de cem.
Olhei para ele.
—Eu preciso.
—Para quê? Se aqui você não tem gasto...
—Tenho gasto em Madrid.
—Na sua idade você devia...
—O quê?
Ele ficou calado. Depois soltou uma gargalhada curta e sem graça que me desconcertou, porque quase nunca me negava nada. Levantei, peguei a roupa e fui para o pátio sem dizer mais nada, ainda com o pau para fora da cueca e o cheiro de sexo grudado em mim.
Eu precisava do ar fresco da noite, do silêncio absoluto que só existe em cidades pequenas, do cheiro de terra seca que eu não encontro em mais nenhum lugar. Fiquei ali até o nó que tinha no peito ir afrouxando sozinho, fumando o cigarro que tinha enrolado antes e olhando o céu sem nuvens.
Quando voltei para a sala, havia um envelope em cima da mesinha. Abri: trezentos euros e um bilhete escrito com a letra grande e trêmula do avô.
“Desculpa. Você sabe que o avô te ama.”
Hesitei um momento. Depois guardei o dinheiro na carteira e dobrei o papel. Ao virar, vi que havia algo escrito no verso.
“Não esquece de ir amanhã à noite ver o Fermín!”
Sorri sozinho, sem querer. Guardei o bilhete no bolso, apaguei a luz da sala e fui para a cama.