Minha primeira vez foi com o primo mais velho da minha mãe
Quando coloquei a mão no peito dele e não a tirei, soube que aquela tarde não terminaria como as outras. Ele tinha o dobro da minha idade e cheirava a cerveja gelada.
Quando coloquei a mão no peito dele e não a tirei, soube que aquela tarde não terminaria como as outras. Ele tinha o dobro da minha idade e cheirava a cerveja gelada.
Eu o cruzava no elevador havia meses, sabendo que era impossível. Numa noite, encontrei um cartaz amarelo com um número e a promessa de uma amarração.
Fechei os olhos no vestiário vazio e deixei a fantasia me levar mais longe do que eu imaginava. Quando os abri, não havia mais volta.
O comboio do príncipe entrou sem aviso entre os guindastes. Ele desceu do segundo carro, tirou os óculos escuros e eu soube que aqueles três meses de silêncio iam se romper naquela mesma noite.
Quando abri a porta ele não vinha sozinho: atrás dele, com aquele sorriso ensaiado de michê, vinha um homem que eu nunca tinha visto no bairro.
Desci para o banheiro numa noite sem luz, achando que estava sozinho na casa. A lanterna de um celular iluminou a cozinha e entendi por que os dois andavam tão estranhos.
Chegou ao apartamento do homem com a promessa de não se conter. Ainda não sabia o tamanho da rola que iria desvirgá-lo nem até onde ia cair aquela pá.
Cruzei olhares com ele na lanchonete da área de serviço. Soube que ele ia me seguir até o banheiro, e soube que dali eu não sairia igual a como entrei.
Ele desejava aqueles lábios em silêncio havia anos. Naquela noite, brigando pelo controle do videogame, a boca dele caiu sobre a minha e tudo se quebrou.
Ele mantinha o aplicativo aberto havia meses sem escrever nada. Na noite em que finalmente respondi, havia um hotel discreto e um homem chamado Iván me esperando.
A loja estava vazia às três da tarde. Quando ele baixou a porta e me levou ao provador, eu soube que aquela sesta não seria como nenhuma outra.
Mal as luzes se apagaram, ela se levantou da poltrona e se acomodou na frente de nós dois. O que veio depois não foi nenhum trailer.
Às sete da noite de 31 de dezembro eu não queria voltar ao hotel para ficar sozinho. Lembrei do lugar de cabines a três quadras e empurrei a porta sem pensar duas vezes.
Quando a porta se abriu, eu ainda tinha a cueca dele apertada contra o rosto. Ele me olhou com um sorriso que não era de raiva, mas de algo muito pior.
Às dez e quarenta e cinco eu já estava descendo as escadas do meu apartamento. Antes de sair, olhei pelo olho mágico, por se acaso visse alguém. O hall estava vazio. Melhor assim.
Aos 21, achei que daria conta de qualquer situação. Mas quando Esteban pôs as mãos nas minhas costas e meu corpo respondeu, já não tinha tanta certeza de nada.
Reconheci-o assim que ele falou: era o mesmo da semana anterior, o que tinha aquela rola descomunal que me deixou sem andar direito por dias.
Quando os outros ainda estavam bebendo, eu já tinha Andrés encurralado no beco. Fazia horas que eu não conseguia tirar os olhos dele.
Havia algo no jeito como ele me olhou da plataforma. Não era um olhar qualquer. Eu soube que, se o seguisse, não voltaria a ser o mesmo.
Rodrigo empalideceu de repente e tirou o celular. Eu soube exatamente o que tinha acontecido antes mesmo de ele abrir a boca para se explicar.