Eu me ajoelhava diante do meu amo toda noite em segredo
Ninguém no fórum imaginaria que ela o esperava nua e de joelhos, prendendo a respiração, para que ele cruzasse a porta e a lembrasse de quem ela pertencia.
Ninguém no fórum imaginaria que ela o esperava nua e de joelhos, prendendo a respiração, para que ele cruzasse a porta e a lembrasse de quem ela pertencia.
Achei que iria implorar para que ela guardasse o segredo. Não imaginei que, quando ela voltasse à sala, viria com um chicote na mão e botas de salto.
No banheiro me esperava um nécessaire com um bilhete: «vista tudo e ligue». A partir desse instante deixei de decidir sobre o meu próprio corpo.
Passei dois anos imaginando esse dia. Não sabia que um homem de terno, com a idade do meu pai e os olhos cravados em mim, decidiria como seria minha primeira vez.
Saí de casa com a calcinha dobrada no bolso e três frases que eu não escolhi escritas na pele. Cada aula me deixava mais perto do limite, sem permissão para gozar.
Esta manhã, enquanto esperava o café, voltei a me ver de joelhos sobre o piso recém-lustrado, com as pernas dormentes e o olhar baixo, aguardando uma única ordem dele.
Entrei pensando que era o dono de tudo. Marisol, de joelhos e com suas luvas amarelas, já tinha decidido que naquela noite a dona seria ela.
Me arrastaram para a sala de exame por não respeitar as regras. Não sabiam que era exatamente o que eu queria: que alguém finalmente decidisse por mim.
Eu estava havia dias sem saber dela, sonhando com suas ordens. Naquela tarde, atravessei uma porta que não devia e descobri até onde eu estava disposto a ir.
Gozei três vezes sobre o banco do vestiário antes de entender que minha promoção já não dependia dos meus gols, mas de quanto eu aguentava de joelhos.
Há anos ela limpava casas alheias com um sorriso gentil, mas naquela tarde, de joelhos sobre o mármore, descobriu o quanto precisava ser tratada como um objeto.
«Vim ver se minha mulher trabalha bem», disse o homem na minha porta. Uma hora depois eu estava de joelhos na minha própria cozinha, com o avental dele.
Me deram a escolher entre três anos de cadeia ou me tornar o cachorro submisso da minha mulher. Escolhi errado, e naquela noite no O Reservado eu entendi tudo.
Cheguei à fazenda com minhas camisetas de marca e meus ares de cidade. Elas tinham as mãos calejadas, uma faca afiada e muita vontade de me colocar no meu lugar.
Ela só ia aconselhá-lo sobre um avental. Não imaginou que, diante do vendedor, ele a apontaria como se fosse a criada que vieram vestir.
Bastou um sorriso e algumas tacadas de sinuca para ela virar o mundo dele de cabeça para baixo. Agora ele usa avental de renda e espera, tremendo, a campainha tocar.
Abri os olhos e não reconheci o quarto: só o peso de umas mãos sobre minha pele e a certeza de que aquela manhã pertencia a outros.
Fazíamos apenas duas semanas de casados quando descobri do que era capaz o gênio dela, e o primeiro tapa foi só o começo daquela tarde.
Ela me mandou ficar de quatro nos fundos e, enquanto seus dedos me exploravam, entendi que acabava de descobrir algo que eu escondia havia anos.
Ela a chamou de “gatinha” com a mesma voz de vinte anos atrás, e Helena soube que o cheque da demissão jamais sairia daquela gaveta. A dívida seria cobrada com seu corpo.