Meu namorado negava que gostava de ser corno
Comecei contando sonhos inventados sobre outros homens. O que ele não sabia era que cada palavra que o fazia gemer tinha acontecido de verdade naquela mesma semana.
Comecei contando sonhos inventados sobre outros homens. O que ele não sabia era que cada palavra que o fazia gemer tinha acontecido de verdade naquela mesma semana.
Não tomei banho antes de voltar para casa. Queria que meu namorado sentisse na minha pele o suor da academia e o rastro de outro, sem coragem de perguntar de quem.
Ele queria que eu voltasse a contar minhas aventuras inventadas. Não sabia que cada palavra que eu ia sussurrar naquela noite era uma mentira com fio escondido.
Cada insulto que aquela desconhecida mascarada gritava era dirigido a uma única pessoa: o homem que dormia ao meu lado e me julgava sua.
Ele notava algo estranho no meu hálito, mas nunca se atreveu a nomear. Minha melhor obra não estava em nenhuma tela: estava dentro da cabeça dele, em loop.
Ele achou que aquela noite seria só uma saída com os amigos. Não imaginou que a mulher mascarada no palco vinha planejando sua queda há semanas.
O trajeto até a academia não justificava oitenta quilômetros a mais toda quinta-feira. Esse número foi o primeiro fio de uma verdade que acabaria me excitando mais do que me destruindo.
Começou com uma ameaça por causa de um boato falso. Terminou com o marido dela de joelhos na areia, implorando para eu realizar o desejo que nunca ousou confessar.
Naquela manhã, abri o envelope esperando um número de telefone. Encontrei dez mil euros e um bilhete de três palavras que me quebrou por completo.
Achei que o conhecia depois de três anos juntos, até aquela noite em que ele deixou a taça na mesa e me disse que tinha uma fantasia que não ousava me contar.
Fazia meses que ninguém a tocava. Naquela tarde de janeiro, com o vestiário vazio e os três caras ainda suados, ela largou de pensar e se entregou ao que viria.
Me usaram de mula e caí por causa de uma mala que eu nem sabia que levava. Dentro descobri que a única moeda que valia algo era o meu próprio corpo.
Ela o odiou durante anos, mas ao vê-lo sentado naquele café só sentiu calor entre as pernas e uma vontade que acreditava ter enterrado para sempre.
Há vinte anos atrás do balcão, aprendi a ler as pessoas. Eu sabia que ela não fechava as contas do mês muito antes de ter coragem de me pedir ajuda.
Ele trouxe aguardente num galão sem rótulo e embebedou meu namorado em uma hora. Quando Sergio começou a roncar, o tio dele me olhou e eu soube que o jantar era só o começo.
A mão fria dele se fechou no meu braço como uma garra. Eu era noventa quilos de músculo e, ainda assim, diante dele me senti pequeno, examinado, comprado.
Tinha a caneta na mão e a dívida de uma vida inteira sobre a mesa. Tudo o que ele pedia em troca era deixar o orgulho na porta.
A ordem foi simples: ajoelhe-se. Meu corpo obedeceu antes que minha cabeça pudesse negar, e eu soube que naquela noite cruzaria uma linha sem volta.
A regra era simples: quando as portas do elevador se fechavam, eu deixava de ser uma pessoa e virava parte da mobília dele.
Voltei da cozinha nu, com o pano na mão, e soube que naquela noite não sobraria nada do meu orgulho sobre o mármore preto da sala dele.