Dois terapeutas, um hotel e um desejo proibido
O salão do hotel Almenara exalava um luxo discreto. Sob os tetos altos, o ar cheirava a madeira de sândalo e a chá Earl Grey, e um velho tema de jazz deslizava sem alarde entre as mesas de mármore.
Renata ajustou os óculos de leitura. O brilho do tablet iluminava feições maduras, com aquela determinação no olhar que só os anos de consultório conferem. Sua cabeleira escura, cortada com precisão quase geométrica na altura dos ombros, emoldurava um rosto que havia escutado mil tragédias sem perder a calma. Usava um tailleur impecável; a saia justa desenhava sua silhueta com uma sobriedade que, paradoxalmente, resultava provocadora, e suas pernas, envoltas em seda preta, cruzavam-se com uma naturalidade estudada.
A poucos metros, Adrián observava o jogo de luzes sobre a tela do telefone. Seu terno, de uma alfaiataria reconhecível pela queda perfeita no ombro, combinava com seu porte atlético de quarenta e tantos. Não era só bonito: exalava aquele magnetismo do profissional que domina o silêncio.
Depois de vários minutos de inspeção mútua, daqueles que só dois especialistas da psique sabem executar sem parecer invasivos, ele se levantou.
—A luz deste canto é a melhor para trabalhar, mas a pior para o cansaço visual —disse, com voz de barítono, parando a uma distância prudente—. Se não se importar em dividir a mesa, o restante do salão já está começando a parecer movimentado demais.
Renata ergueu o olhar e analisou a microexpressão de segurança no rosto dele. Era um colega; soube disso antes de ele terminar de falar.
—Fique à vontade. A ergonomia do mobiliário costuma ser a última prioridade nesses templos do luxo —respondeu com um leve sorriso—. Imagino que você também tenha vindo dissecar as «Novas tendências no tratamento do trauma» amanhã de manhã.
—Adrián —apresentou-se ele, sentando-se—. E sim, embora às vezes eu suspeite de que viemos a esses congressos buscando mais um alívio para nossa própria contratransferência do que soluções reais para os pacientes.
—Renata. —Apoiou os cotovelos sobre a mesa—. Uma observação aguda. O reciclagem profissional costuma ser uma ótima desculpa para o isolamento necessário.
Ele deixou o telefone sobre o suporte de mesa, uma capitulação temporária diante da presença dela. Renata tirou os óculos, revelando olhos escuros com um brilho de ironia. Adrián pediu um whisky de malte e sustentou o olhar dela por um segundo a mais do que o protocolo exigia.
—A senhora diz que o mobiliário não é ergonômico —comentou ele, acomodando-se na poltrona de veludo—, mas suspeito que sua postura, tão impecavelmente ereta, não responde ao design do hotel, e sim a uma disciplina interna para não desmoronar depois de oito horas de contenção emocional.
Renata esboçou um sorriso mínimo. Gostava da investida: não era uma observação genérica, mas um dardo apontado à estrutura do seu caráter.
—Hipótese interessante. Mas você fala em «desmoronar». É um termo muito físico para alguém que trabalha com o intangível. É esse o seu medo toda vez que fecha a porta do consultório? Que a estrutura não sustente o peso do que ouve?
—O peso é administrável se a gente souber distribuí-lo —ele se inclinou um pouco, sem abandonar o tom profissional—. O problema surge quando o silêncio do consultório se transfere para a sala de casa. Minha mulher acha que silêncio é descanso. Eu, ao contrário, começo a vê-lo como um sintoma. Um espaço em branco que já não sabemos como preencher sem recorrer à logística doméstica: os horários das crianças, o jantar de sexta-feira com os mesmos amigos de dez anos atrás.
Renata assentiu. Aquela confissão, envolta em análise técnica, ressoou nela. A previsibilidade da própria casa, aquela ordem que antes lhe dava segurança, agora lhe parecia um espartilho de seda.
—O caos é necessário para a vida, Adrián. Na minha casa, a ordem é tão perfeita que às vezes me sinto mais um elemento decorativo. Meu marido é um homem de princípios sólidos, mas princípios sólidos raramente deixam espaço para improviso. E o improviso é onde reside o desejo.
—Exatamente. O desejo requer um objeto que não seja totalmente conhecido —os olhos dele percorreram o rosto dela, detendo-se por um instante na linha do pescoço, onde o decote do blazer deixava entrever uma pele bem cuidada—. Diga-me, Renata, o que você vê quando olha para mim, além de um colega com um bom alfaiate?
Ela pousou a xícara no pires. O tilintar da porcelana soou como um tiro suave. O jogo de espelhos havia começado.
—Vejo um homem que domina a arte da presença, mas que tem uma fome voraz de ser visto: não como o doutor, nem como o pai, mas como o homem que ainda é capaz de provocar um incêndio —disse, baixando a voz até um sussurro aveludado—. Usa a palavra para seduzir porque sabe que a mente é o órgão mais sensível. E vejo uma vulnerabilidade muito bem administrada que me parece intrigante.
Adrián sentiu uma leve pulsação na têmpora. A lucidez de Renata era um desafio: ela não só o lia, como devolvia uma imagem de si mesmo que ele tentava esconder.
—Você é perigosa —admitiu com meio sorriso—. Fico me perguntando se aplica essa mesma acuidade na intimidade. Se busca no outro a mesma precisão que num diagnóstico.
—A precisão é necessária para encontrar o ponto de ruptura —respondeu ela, cruzando as pernas. O roçar das meias produziu um som sibilante, quase elétrico—. E, uma vez que algo se quebra, as peças já não se encaixam do mesmo jeito. Há uma beleza violenta nesse processo.
***
O jazz continuava tocando e o cheiro de sândalo persistia, mas o ar parecia mais denso, carregado de uma intenção que já não era acadêmica. Adrián apoiou os antebraços sobre o mármore, reduzindo a distância apenas o suficiente para que o aroma do seu perfume —cítricos amargos e couro— chegasse a ela como uma mensagem cifrada.
—Renata —pronunciou o nome dela, saboreando as vogais—. Me parece artificial manter esta distância gramatical enquanto despimos nossas carências com tanta lucidez. Você me permite te tratar por tu?
Ela assentiu devagar. A mudança de pronome agiu como um interruptor. A barreira do respeito institucional se fissurou, abrindo caminho para uma intimidade muito mais perigosa.
—Certo. Vamos cruzar essa linha. Embora eu duvide que o que acontece aqui seja estritamente terapêutico.
—Nada mais longe disso —a voz dele ganhou um matiz rouco—. Eu te vejo aí, com essa saia que não permite um movimento em falso, e me pergunto o que acontece quando Renata decide que não quer mais ser o eixo em torno do qual gira o bem-estar dos outros.
Renata sentiu um arrepio percorrer-lhe as costas, perdendo-se onde o elástico das meias lhe pressionava as coxas. Adrián tocava em teclas que ela mantinha sob chave.
—O que acontece é que o vazio assusta. Meu marido é o arquiteto da ordem, mas também o guardião da minha tranquilidade, e tranquilidade não gera dopamina. Buscamos o reflexo do nosso desejo em olhos estranhos porque esses olhos não têm expectativas sobre nós.
—Seus olhos não são estranhos para mim —replicou ele, e pela primeira vez sua mão se deslocou alguns centímetros sobre o mármore, sem chegar a tocar a dela—. Vejo neles a mesma urgência que sinto. Você cruza as pernas para ocultar a agitação, mas a dilatação das suas pupilas a entrega.
—Você fala das minhas pupilas, mas sua respiração ficou mais superficial desde que começamos a nos tratar por tu —devolveu ela o golpe—. Seu magnetismo não é só uma ferramenta de consultório: é uma arma. E eu me pergunto se sua mulher sabe que, por trás dessa fachada de pai exemplar, lateja um homem que precisa do risco para se sentir vivo. O que você busca quando se aproxima de uma mulher como eu? Confirmar que ainda tem o controle, ou perdê-lo de uma vez por todas?
Adrián sorriu, e desta vez a centelha em seus olhos foi puramente instintiva. O decoro se mantinha na postura e no terno caro, mas o subtexto já era um incêndio.
—Busco a exceção da regra, Renata. E você é uma anomalia. Receio que a subida à superfície vá nos doer.
Ela se inclinou um pouco mais. Seus joelhos, sob a mesa, ficaram a milímetros dos dele.
—A dor é só outra forma de sensação. E, depois de tanta anestesia doméstica, qualquer sensação é bem-vinda.
O piano parou. O silêncio que se seguiu foi repentino, quase violento. No canto do bar, o garçom recolhia as garrafas, e as luzes diminuíram um tom: a jornada havia terminado para o resto do mundo.
—Parece que o serviço termina aqui —disse ela, e a voz saiu com uma clareza nova, despida da ironia profissional—. A análise foi impecável, Adrián. Mas temo que as conclusões só possam ser extraídas em um ambiente com mais privacidade.
Ele se levantou primeiro e lhe ofereceu a mão, não como cortesia, mas como um convite ao abismo.
—Seu quarto, então. Suspeito que lá a teoria deixará de nos ser útil.
***
As portas do elevador se fecharam com um siseo metálico que soou como um veredito. Assim que a cabine ficou selada, o ar explodiu. Não houve preâmbulos. Adrián a prensou contra o espelho frio e se beijaram com uma desesperação faminta, como se tentassem extrair um do outro todo o oxigênio que lhes faltara em suas vidas perfeitas.
As mãos dele se afundaram nos cabelos de Renata, desfazendo o penteado geométrico, enquanto ela puxava a gravata dele. Adrián deslizou uma mão por baixo da saia justa, subindo pela coxa envolta em seda até encontrar a borda da cinta-liga. Um rosnado escapou de sua garganta ao descobrir que, sob a saia de executiva, Renata usava uma calcinha preta encharcada.
—Você já está molhada —sussurrou ele contra o pescoço dela, afastando o tecido da calcinha e cravando dois dedos em seu cuzinho sem aviso—. Você estava assim embaixo enquanto me falava de rupturas.
—Cala a boca e continua —ofegou Renata, agarrando-se aos ombros dele enquanto os dedos de Adrián a penetravam com um ritmo brutal, chapinhando em sua umidade.
A mão dela desceu por sua vez, apalpando o volume duro que empurrava a calça de alfaiataria. Renata abriu o cinto, baixou o zíper e tirou a rola de Adrián: grossa, pulsante, com uma gota espessa brilhando na glande. Apertou-a com a mão, medindo-a, e ele abafou um gemido contra a boca dela.
O elevador subia, mas eles já tinham caído.
Quando a porta do quarto se abriu, eles não entraram: precipitaram-se. A penumbra, mal rasgada pelo brilho dos prédios do outro lado da janela, atuou como catalisador. A roupa foi caindo em um rastro de urgência sobre o tapete; cada peça era uma camada de responsabilidade se desfazendo. Adrián arrancou a blusa dela com destreza febril, fazendo saltar dois botões que ricochetearam no assoalho, revelando a curva dos seios sob a renda preta. Ele abaixou as taças do sutiã com os dentes e abocanhou um mamilo escuro e duro, sugando-o até fazê-la gemer.
—Meu Deus, que peitões —murmurou ele, mordiscando a carne firme enquanto a outra mão apertava o seio gêmeo—. O tempo todo você falando de superego, enquanto eu pensava nisso.
Renata arrancou a camisa dele aos puxões e percorreu com as unhas o torso firme, descendo até agarrar a rola de novo, desta vez na pele nua. Masturbou-o devagar, apertando o prepúcio, enquanto ele desabotoava a saia dela e a deixava cair no chão. Renata ficou de pé, de calcinha, cinta-liga e meias pretas, os saltos ainda calçados, os seios fora do sutiã aberto que pendia. Adrián a contemplou por um segundo longo, a rola erguida contra o ventre, e ela se sentiu mais poderosa do que em toda aquela maldita conferência.
—No chão —ordenou ela, empurrando-o pelos ombros—. Quero te ver de joelhos antes.
Adrián obedeceu. Ajoelhou-se diante dela, arrancou a calcinha com um puxão que arranhou seus quadris, e enterrou o rosto entre suas coxas sem cerimônia. Sua língua se chocou contra o cuzinho de Renata como se tivesse passado a noite inteira esperando por aquele instante. Lambia-a de cima a baixo, separando os lábios com os polegares, penetrando-a com a língua, subindo até encerrar o clitóris entre os lábios e sugar com uma avidez que a fez cambalear.
—Porra, porra —gemeu Renata, agarrando o cabelo dele, obrigando-o a se apertar ainda mais contra seu sexo—. Assim, me come o cuzinho assim, não para.
A língua que sabia articular teorias complexas agora traçava mapas de prazer sobre seu clitóris, um ataque rítmico que buscava a rendição da mulher que se gabava de ter controle. Adrián introduziu dois dedos e os curvou para cima, tocando aquele ponto que a fazia escorrer, enquanto continuava lambendo o botão inchado. Renata sentiu o prazer se acumular no baixo-ventre como uma tempestade prestes a explodir. As paredes da sua mente desabaram quando ele sugou com força e cravou os dedos com precisão: um primeiro orgasmo a sacudiu, um espasmo violento que a deixou trêmula, com as coxas apertando a cabeça de Adrián, a porra escorrendo por dentro e encharcando-lhe o queixo.
—Boa garota —murmurou Adrián, saboreando os dedos, a boca brilhando—. Mas isso não fez nada além de começar.
Ele a guiou até a cama, onde os lençóis de linho branco aguardavam como uma tela para sua transgressão. Renata deixou-se cair sentada na beira do colchão, ainda ofegante, e ele se plantou de pé à sua frente. Sem lhe dar tempo de se recuperar, agarrou-lhe os cabelos pela nuca e aproximou a rola da boca dela.
—Agora você. Chupe. Me mostra o que essa língua tão educada sabe fazer.
Renata sorriu de boca aberta, pôs a língua para fora e lambeu a glande de baixo para cima, recolhendo o líquido pré-ejaculatório. Depois a engoliu inteira, até a base, sentindo a rola empurrar contra o fundo da garganta. Adrián soltou um rugido e segurou sua cabeça com as duas mãos, marcando um ritmo. Ela se deixou foder pela boca, engasgando um pouco, salivando pelos cantos, enquanto com uma mão massageava os testículos pesados dele e com a outra acariciava o clitóris inchado.
—Que safada você é —ofegou ele, olhando de cima, vendo como o pau entrava e saía daquela boca de psicóloga—. Toda essa fachada de doutora impecável, e você aí engolindo minha rola como uma puta.
Renata a tirou com um ruído úmido, um fio de saliva ainda unindo seus lábios à glande.
—E você adora —respondeu ela, ofegante, antes de voltar a enfiá-la até a garganta.
Ela o mamou devagar agora, brincando com o ritmo, chupando só a ponta e lambendo o freio, apertando a base com o punho. Divertia-se com o poder que tinha sobre o homem que, uma hora antes, a analisava com frieza. Quando sentiu que ele se enrijecia demais, soltou-o e se jogou para trás sobre a cama, abrindo as pernas de par em par.
—Me fode —disse, com as meias ainda no lugar, os saltos apontando para o teto—. Me fode agora, Adrián, ou eu gozo sozinha.
Ele subiu na cama, colocou-se entre as coxas dela e esfregou a glande encharcada por toda a vulva, demorando-se sobre o clitóris inchado até fazê-la rosnar de frustração. Depois a penetrou de uma só estocada, fundo, até o fim, arrancando-lhe um gemido longo que se quebrou na garganta. Não havia delicadeza profissional ali; apenas a verdade biológica de dois seres que se reivindicavam. Cada investida era um golpe seco, com os testículos chocando-se contra a bunda dela, o som úmido de carne contra carne enchendo o quarto.
—Assim, mais forte —ofegou Renata, cravando os saltos na parte inferior das costas dele—. Mete mais forte, seu filho da puta.
Adrián agarrou-lhe os pulsos e os imobilizou acima da cabeça, deixando-a pregada ao colchão, e acelerou o ritmo. Fodia-a com brutalidade, olhando-a nos olhos, vendo como cada golpe a sacudia inteira e fazia os seios pularem sem controle. Renata sentia a rola enchendo-a por completo, tocando o colo do útero a cada estocada, e pensou que ia se partir em dois.
—Vira de costas —rosnou ele, saindo de repente.
Ele a virou com um movimento fluido, posicionando-a sobre os joelhos e as mãos no centro do colchão. Adrián se colocou atrás dela, agarrou-a pelas coxas e voltou a enterrá-la até o cabo. Renata gritou no travesseiro. Desse ângulo, ele a penetrava ainda mais fundo, e cada investida fazia o clitóris dela bater contra os lençóis.
—Me mostra essa bunda —murmurou ele, empurrando suas costas para baixo até arqueá-la por completo—. Me mostra tudo.
Ele a segurou pelas ancas, cravando os dedos na pele até deixar marcas, enquanto o som dos corpos se chocando se tornava a única música do quarto. Com o polegar, roçou-lhe o ânus, apenas uma pressão, e Renata gemeu mais alto. Adrián umedeceu o dedo com a saliva e com a própria umidade, e pressionou o cu dela enquanto continuava fodendo seu sexo. Renata sentiu as duas invasões ao mesmo tempo e derreteu: o segundo orgasmo a assaltou como um relâmpago que a fez arquear-se, enquanto as unhas se cravavam nos lençóis e ela sentia que gozava em jatos ao redor da rola dele.
—Olha pra mim —rosnou ele, e a virou outra vez com uma força controlada, deitando-a de costas.
Ergueu as pernas de Renata, apoiando os calcanhares nos ombros dela, uma posição que a expunha por completo e permitia uma profundidade quase insuportável. Penetrou-a de novo, dobrando-a quase ao meio. Agora ela era a curiosidade encarnada: olhos virados para cima, boca entreaberta emitindo uma ladainha de gemidos e palavrões que eram a antítese de seu discurso culto.
Adrián começou a se mover com uma lentidão torturante, entrando e saindo quase por completo, deixando que o atrito alcançasse as paredes mais sensíveis. Cuspiu nos peitos dela e espalhou a saliva pelos mamilos com a palma, beliscando-os até fazê-la se arquear. Renata sentia que enlouquecia; aquela fricção calculada era mais devastadora que a rapidez. Levou uma mão ao clitóris e começou a se esfregar em círculos enquanto ele a penetrava devagar.
—Isso —ofegou ele, olhando-a se tocar—. Goza sozinha. Goza de novo pra mim.
Um terceiro orgasmo a atacou, e Renata sentiu que o quarto inteiro lhe vinha abaixo. Gozou gritando o nome dele, com as coxas tremendo sobre os ombros dele, a porra escorrendo entre as nádegas.
—Não para, por favor —suplicou, perdendo o tratamento por tu em favor de um instinto muito mais básico.
Ele não parou. Ao contrário: transformou a lentidão em um galope frenético. Renata emendou outro clímax quase imediato, um daqueles que a deixaram à beira do desmaio, e Adrián sentiu as contrações apertando seu membro e soube que o próprio controle começava a sucumbir.
—Vem cá —disse, saindo dela e deitando-se de costas, com a rola apontando para o teto, brilhando de umidade—. Senta em mim. Quero te ver cavalgar.
Ela se sentou sobre ele, cedendo-lhe as rédeas. A cavalo, com o cabelo desgrenhado e o olhar em chamas, Renata se enfiou devagar, sentindo a rola preenchê-la centímetro a centímetro até que as nádegas tocassem as coxas dele. Começou a subir e descer, ditando uma profundidade que fazia seu corpo inteiro vibrar. Seus seios oscilavam no ritmo, e ele os devorava com os olhos enquanto as mãos subiam pelas coxas, deleitando-se com a pele que antes só intuía sob as meias.
—Assim, safada, cavalga em mim assim —ofegava Adrián, agarrando-lhe as coxas e ajudando-a a descer com mais força—. Olha como você engole tudo.
Renata se inclinou para trás, apoiando as mãos nas coxas dele, oferecendo-lhe a visão do sexo aberto engolindo o pau dele. Levou os dedos à boca, umedeceu-os e voltou a esfregar o clitóris enquanto mantinha o vai e vem. Adrián beliscou os mamilos dela, esticou-os, e ela soltou um gemido gutural.
—Vou gozar de novo —gemeu Renata, inclinando-se para a frente e apoiando-se sobre o peito dele—. Vou gozar, Adrián, não para, não para…
Adrián cravou as mãos na bunda dela, afastando as nádegas, e a investiu por baixo com força renovada, fodendo-a num ritmo brutal enquanto ela se derretia sobre ele. Um quarto orgasmo a sacudiu por inteiro e ela se deixou cair sobre o peito dele, ofegante, encharcada de suor.
—Vou… vou… —balbuciou Adrián, cuja voz já não era a do barítono educado, mas a de um homem no limite—. Porra, você vai me fazer gozar.
—Goza —respondeu ela, erguendo-se e buscando a boca dele em um beijo faminto de sal e desejo—. Goza dentro. Quero sentir. Quero sentir você me enchendo.
Ele deu as últimas estocadas, brutais, agarrando-a pelas ancas e a cravando sobre o pau com violência, e, com um grito surdo que enterrou no ombro de Renata, explodiu. Ela sentiu os jatos quentes disparando dentro do seu cuzinho, um atrás do outro, enchendo-a por completo, e essa sensação a arrastou para um último orgasmo, uma eclosão que os deixou suspensos num vazio absoluto, onde o tempo, a família e a profissão haviam deixado de existir.
Ficaram unidos por alguns segundos, ofegantes, a rola dele ainda dura dentro dela, pulsando. Quando Renata finalmente se levantou, o sêmen escorreu pelas suas coxas, encharcando as meias pretas. Adrián olhou para ela de baixo, satisfeito, e passou um dedo pela parte interna da coxa dela, recolhendo um pouco da própria porra, para depois levá-lo aos lábios dela. Renata lambeu sem desviar o olhar.
Desabaram sobre o linho branco, entrelaçados, ouvindo o coração disparado dos dois. O silêncio que se seguiu foi pesado, sagrado: o de dois náufragos que encontram terra firme no corpo do outro.
***
O congresso terminou como essas coisas terminam: com um aperto de mãos formal diante do balcão de mármore, um olhar carregado de segredos que não precisavam ser verbalizados e o retorno à vida de fachada.
Duas semanas depois, o consultório de Renata respirava uma ordem absoluta. O aroma de sândalo havia voltado a ser apenas uma lembrança, e o silêncio mal era quebrado pelo tique-taque de um relógio de parede. À sua frente, na poltrona de couro cor tabaco, estava Marina, uma mulher de quarenta anos, advogada, cuja vida parecia um reflexo da estrutura que Renata defendia todos os dias.
—Sinto-me dividida, Renata —disse Marina, com a voz quebrada pela culpa—. Fui a um seminário no litoral três dias atrás. Conheci um homem. Não foi algo planejado, nem romântico. Foi uma necessidade de deixar de ser «a esposa de» e «a mãe de». E agora, quando olho para meu marido, não sinto arrependimento. Sinto que essa traição é a única coisa que me permitiu voltar para casa sem gritar.
Renata segurou a caneta-tinteiro. Os mesmos dedos que Adrián havia apertado contra o colchão agora repousavam tranquilos sobre um caderno. Observou a paciente: a dilatação das pupilas, a microexpressão de alívio que subjaz ao medo.
—A culpa —começou com aquela voz técnica e calma que era sua marca— costuma ser a resposta do superego diante da ruptura de um contrato social. Mas o que você descreve parece mais uma estratégia de sobrevivência psíquica: às vezes, para salvar o sistema, é preciso introduzir um elemento estranho que alivie a pressão.
—Está me dizendo que o que fiz foi certo? —perguntou Marina, buscando uma âncora moral.
Renata permitiu uma pausa. Nesse silêncio, a lembrança de Adrián —seu cheiro, a forma como sua dialética se transformou em estocadas, o sêmen escorrendo por suas coxas horas depois, no avião de volta— cruzou sua mente como um relâmpago. Ela não se arrependia: aquela noite lhe dera a paciência necessária para continuar sendo a mulher previsível que o marido amava.
—Estou lhe dizendo que a psique humana não é uma linha reta, mas um labirinto. Às vezes, para não se perder por completo na rotina, a pessoa precisa de uma saída de emergência. O importante não é o ato em si, e sim o que ele diz sobre suas necessidades não atendidas.
—E o que eu faço agora? Confesso?
—A confissão só serve para aliviar sua consciência às custas de destruir a paz do outro. Meu conselho é que guarde esse desejo como um jardim privado. Às vezes, um deslize é a cola que mantém unido um casamento que, de outro modo, desmoronaria por sua própria rigidez.
Marina soltou um suspiro de alívio, compreendida pela mulher que considerava o epítome da integridade.
Quando a paciente saiu, Renata ficou sozinha. Abriu o tablet e viu um e-mail sem remetente, apenas um assunto: «Sobre a entropia e o relevo». Dentro, uma única linha: «O próximo simpósio é no outono, junto ao mar. Suspeito que a teoria ainda tenha muitas lacunas».
Renata fechou a tela e caminhou até a janela. Olhou para o céu e sentiu, sob a seda da roupa, o eco de um roçar que já não era um diagnóstico, mas uma certeza.
O outono será interessante.
Depois pegou o telefone e ligou para o marido.
—Oi, querido. Sim, termino em dez minutos. Passa aqui para me buscar; estou com vontade de jantar em casa.





