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Relatos Ardientes

Meu velho amante me reconheceu em um terraço

Depois de quatro dias de uma chuva obstinada, o domingo amanheceu com uma clareza que parecia uma permissão. O céu se abriu sem reservas e o sol caiu sobre a cidade com uma determinação que convidava a sacudir o confinamento, a recuperar esse tempo que as nuvens haviam nos retido de propósito.

Andrés, sempre atento às necessidades da casa, pensou que as crianças mereciam gastar a energia acumulada entre quatro paredes. Eu objetava o de sempre: tinha provas para corrigir, e a manhã era o único trecho do dia em que minha cabeça funcionava com precisão de relojoeiro. Mas a insistência coral da minha família acabou me dobrando, e cedi contrafeita, deixando-me arrastar para o burburinho das ruas com a leve sensação de ter perdido uma pequena batalha contra a ordem que tanto me custara impor.

Os terraços transbordavam de gente naquele frenesim dominical em que as conversas se sobrepõem ao tilintar dos copos. Andrés, com a agilidade de quem não quer abrir mão da sua porção de sol, avistou uma mesa livre e a ocupou. As crianças se sentaram impacientes, absortas na solenidade do cardápio de sorvetes, e eu me acomodei automaticamente, sem suspeitar que a normalidade da minha vida estava prestes a se fraturar.

Levantei os olhos com uma indiferença educada quando o garçom se aproximou. E o mundo parou em um vazio absoluto. À minha frente, com um meio sorriso que desafiava a passagem das décadas, estava Hugo.

—Lorena? —pronunciou ele, e o som do meu nome naquela boca familiar me golpeou a memória com a violência de um impacto físico, dissipando de repente a névoa de quinze anos de respeitabilidade.

Fiquei suspensa em um silêncio que durou um segundo a mais do que o necessário, esquadrinhando aquele homem que o tempo não tratara com benevolência. A calvície incipiente e os quilos a mais eram o oposto do corpo fibroso que eu lembrava, mas sob aquela fachada descuidada pulsava a mesma insolência animal do primeiro ano da faculdade. O ano dos excessos, das farra que cheiravam a cigarro, a fase de uma Lorena que mal pisava na sala porque preferia a urgência dos corpos se chocando sem delicadeza. Ele me encostando no capô, me procurando no banco de trás de um velho Opel Corsa onde me possuía com uma brutalidade que me fazia arranhar o estofamento e perder o senso dos limites.

—Não tinha te reconhecido —admiti por fim, recompondo minha máscara de professora e esposa enquanto um rubor traidor subia pelo meu pescoço sob o olhar dele, que parecia me despir ali mesmo, na frente do meu marido.

—Normal, estou acabado —brincou ele com aquele tom zombeteiro que nunca perdera, percorrendo o contorno dos meus quadris antes de voltar aos meus olhos—. Mas você, por outro lado, continua igual de... gata.

Fez uma pausa deliberada antes do adjetivo, uma fração de segundo em que o ar engrossou. Todos à mesa entenderam que “gata” era apenas a embalagem elegante de um pensamento muito mais cru. Andrés, que até aquele momento permanecera em segundo plano, tensionou a mandíbula ao detectar a ousadia daquele homem que me olhava não como uma antiga colega, mas como uma posse lembrada. Eu senti um arrepio que não era de todo desagradável, uma pontada de adrenalina que me devolveu à garota que eu costumava ser antes dos concursos.

Assim que Hugo se afastou em direção ao balcão com aquele andar despreocupado de quem sabe ser dono do seu terreno, Andrés se inclinou para mim e baixou o tom para que as crianças, absortas nos sorvetes, não participassem da tensão.

—Quem é esse sem freio? —perguntou com uma suspeita que raramente mostrava.

—Um colega do primeiro ano da faculdade —respondi, sustentando o olhar com uma naturalidade que me assustou a mim mesma—. Fizemos algumas matérias juntos e eu perdi o contato quando ele saiu da faculdade. Você viu, ele nunca teve muito filtro.

—De fato —replicou Andrés, lançando uma última olhada de desaprovação para o sujeito, que já atendia outras mesas—. O tempo tirou o cabelo dele, mas não a má educação. Tive a sensação de que ele estava te despindo com os olhos. Houve algo entre vocês?

—Nada que valha a pena lembrar, querido —menti, sustentando seu olhar com uma serenidade técnica enquanto, sob a toalha, a traição do meu corpo se manifestava em uma umidade incipiente que me obrigou a cruzar as pernas com força.

Aquele “gata” continuava ecoando nos meus ouvidos como uma carícia suja. Enquanto Andrés pagava a conta, voltei a olhar para Hugo por cima do ombro. Ele me esperava. Não com um sorriso de despedida, mas com a certeza de quem lançou uma isca e sabe que a presa é voraz demais para não morder. Foi nesse último instante, enquanto meu marido agasalhava as crianças, que ele se aproximou para selar o encontro com dois beijos lentos e um sussurro que, desta vez, não teve filtro nenhum:

—Se você ainda for tão puta... me procura.

***

Naquela noite, o silêncio da casa se tornou opressor, uma camada de verniz doméstico que eu tinha vontade de rasgar com as unhas. Andrés dormia ao meu lado com a respiração rítmica e previsível de quem tem a consciência tranquila, e eu permanecia com os olhos abertos numa penumbra onde as sombras dos móveis se transformavam em silhuetas do meu passado. A calma dele, que sempre fora meu refúgio, me parecia agora uma planície estéril. Andrés me amava com delicadeza, me tocava como se eu fosse de porcelana. E eu, naquele instante, precisava ser tratada como carne.

A lembrança de Hugo não era uma imagem estática, era uma sensação tátil que percorria minha coluna: o roçar áspero das suas mãos, o cheiro de tabaco misturado com o suor da urgência. Lembrei do Corsa estacionado em terrenos baldios onde a única testemunha era o bafo dos vidros, e de como eu me dobrava sobre o capô frio, ignorando qualquer preâmbulo, me incitando a gritar sem medida porque ninguém além da noite podia julgar minha entrega.

Senti a primeira pulsação úmida entre as pernas, uma pulsação densa e exigente, e compreendi que não conciliaria o sono se não aliviasse essa pressão. Levantei-me com movimentos felinos, prendendo a respiração até fechar a porta do banheiro. A luz branca do espelho me devolveu uma imagem inquietante: eu não via a mãe abnegada nem a professora exemplar, mas uma mulher cujos olhos brilhavam com uma lascívia que eu julgava enterrada sob anos de rotina.

Deixei que o jato de água quente me atingisse, mas eu não buscava limpeza, e sim isolamento. Minhas mãos, possuídas por uma memória muscular que ignorava a passagem do tempo, desceram pelo meu corpo com uma urgência que eu não reconhecia nos encontros com Andrés. Apertei os seios buscando aquele traço de dor que sempre precedia minha entrega mais absoluta, e gemi ao notar os mamilos se eriçando sob o castigo dos meus próprios dedos.

Quando os dedos indicador e médio mergulharam no meu sexo, o encontraram já encharcado, pulsando em uma recepção desesperada. Não houve sutileza. Me esfreguei com uma violência rítmica, imaginando que era ele quem me penetrava com essa cadência selvagem. O polegar não teve piedade do clitóris, insistindo com uma sanha quase punitiva até que o prazer me transbordou em um orgasmo que me sacudiu inteira, obrigando-me a abafar um grito contra a parede enquanto a água arrastava meu gozo e minhas culpas para o ralo.

Voltei para a cama exausta, mas não saciada. Andrés, despertado pela metade, estendeu um braço e me puxou com um beijo doce no ombro, um gesto carregado de um romantismo que naquele momento tinha gosto de cinza. Deixei-me possuir em busca de alívio físico, mas enquanto ele se movia sobre mim com sua lentidão habitual, eu fechava os olhos e projetava na escuridão a figura de Hugo, desejando que as investidas fossem mais secas, mais sujas, mais reais.

***

Nos dias seguintes, a normalidade se tornou um simulacro exaustivo. Eu cumpria meu papel de mãe e professora com uma eficácia mecânica, mas sob a superfície ordenada, a besta que Hugo despertara arranhava as paredes do meu autocontrole. Todas as tardes, antes que as crianças reivindicassem minha atenção, eu buscava o alívio rápido na penumbra do quarto, castigando meu corpo com uma regularidade que me assustava. E à noite, quando procurava meu marido com uma voracidade incomum, o ato parecia uma tradução fracassada: a insatisfação não nascia da falta de amor, mas de uma fome de desordem que a bondade dele era incapaz de saciar.

Depois de uma semana de inquietação, compreendi que a fissura não se fecharia sozinha. Tomei a decisão com a calma glacial de quem aceita um destino inevitável. Numa tarde, ao sair do trabalho, voltei para casa para me despir da pele de professora. Vesti um jeans de cintura baixa que abraçava meus quadris com uma obviedade quase indecente, deixei que o suéter curto revelasse o início de um decote que era, por si só, uma declaração de guerra, calcei os saltos e, com o coração martelando contra as costelas, segui para a cafeteria.

Hugo estava atrás do balcão. Não precisou me procurar: reconheceu-me pelo eco dos meus saltos e por aquela forma de ocupar o espaço que eu sempre tivera. Ao me ver assim, armada com a minha própria sensualidade, não sorriu com polidez; percorreu-me de cima a baixo com um olhar quase tátil que se deteve no meu decote com uma franqueza que me fez vibrar.

—Você veio —disse, com uma prepotência que em qualquer outro homem me teria sido insuportável.

—Aqui estou —respondi, notando como o ar do local se tornava denso, saturado de uma promessa de sujeira que me umedecia na hora.

Depois de uma troca de palavras que servia apenas para ganhar tempo — ele desprezando a estabilidade matrimonial, eu fingindo defender um passado que já não me bastava —, decidiu que o cenário público estava pequeno demais para nós.

—Quer que eu te mostre o local? —perguntou com aquele meio sorriso torto.

—Agora? —balbuciei, embora meu corpo já desse o primeiro passo.

—Agora. Meu sócio cuida do balcão. Ele sabe quando não deve ver nada.

Ele me guiou por um corredor estreito, longe dos olhares dos clientes, até um depósito que cheirava a café guardado, papelão e umidade. Assim que fechou a porta e trancou a fechadura, o ruído do mundo exterior desapareceu, substituído pelo som de duas respirações que se tornavam pesadas. Não houve preâmbulos. Ele se aproximou e, sem dizer palavra, enterrou as mãos nos meus seios através do suéter, apertando-os com uma força que beirava a dor e me arrancou o primeiro gemido verdadeiro em anos.

—Você continua sendo uma puta de luxo, Lorena —sussurrou, arrancando literalmente a peça para deixar meus peitos à mostra sob a luz mortiça—. Vamos ver se você ainda fode como antes.

Suas mãos grandes e rudes agarraram a carne buscando o rastro da dor, apertando como se quisesse confirmar que ela ainda era real sob a pele da professora exemplar. Arfei, arqueando as costas enquanto seus dedos retorciam meus mamilos com uma sanha que me fez morder o lábio, desta vez de puro prazer elétrico. Sem trégua, ele me obrigou a virar com um movimento brusco e me empurrou contra a mesa de madeira que presidia o cômodo. O contato da barriga com a superfície fria e o cheiro de papelão úmido só aumentaram minha excitação.

Ele me abaixou o jeans com um puxão seco, deixando à mostra a tanga preta que se enterrava entre minhas nádegas.

—Que traseiro você me traz —rosnou, antes de me dar dois tapas sonoros que deixaram minhas nádegas ardendo e pulsando—. Você implora para que te coloquem no seu lugar.

Ele tirou o resto da roupa com a urgência de quem destripa uma presa, deixando que apenas os saltos afinassem minha figura nua sobre a mesa. Desabotoou o cinto e libertou seu membro, que já batia no ventre com uma ereção insultante. Com o sexo pingando e o pulso disparado, senti o roçar da glande passeando pela minha fenda, adiando o momento, me torturando com a proximidade daquilo que eu desejava havia uma semana.

—Me pede pra te comer —ordenou, me dando um tapa na coxa—. Não foi isso que você veio buscar? Fala!

—Sim... —consegui articular, com a testa apoiada na madeira.

—Não estou ouvindo.

—Me come, Hugo! Me come de uma vez! —gritei, perdendo o último resquício de decoro.

—Você continua a mesma puta faminta de sempre, por mais que agora queira pagar de refinada —ele disparou enquanto me enfiava a rola de uma só vez, arrancando-me um grito que ricocheteou pelas paredes de tijolo aparente.

O impacto foi brutal. Senti minhas entranhas se alargarem para acolher aquela investida sem delicadeza, com golpes secos de quadril que me faziam avançar e recuar sobre a mesa. Era o paraíso perdido: a ausência total de romantismo, a crueza de dois corpos que só se comunicavam através do choque violento da carne.

—Caralho, que foda boa, seu filho da puta! —exclamei, entregue ao seu ritmo frenético.

—Tá gostando? Gostando que eu te arrebente?

—O que você acha?

—É por isso que você veio?

—Por isso, seu filho da puta! Só por isso! —respondi com uma sinceridade que me arrepiou inteira.

Os suspiros se tornaram um coro caótico. Notei que o orgasmo me atacava cedo demais, fruto de dias de acúmulo e desejo reprimido. Não consegui me conter: num movimento instintivo dos quadris, me desvencilhei por um segundo e o prazer explodiu com uma violência que me deixou tremendo, encharcando a mesa e as mãos dele. Mas não houve descanso. Antes que eu recuperasse o fôlego, ele voltou a se enfiar de uma só vez, arrastando-me para um segundo clímax que me fez gritar contra a madeira.

—Que fera você é —queixou-se, embora sua voz destilasse um triunfo absoluto.

—Você que procurou, sendo um animal —consegui dizer, tentando recuperar o ar.

—Quem manda no seu corpo agora? —rosnou, enfiando a mão no meu cabelo para me obrigar a olhá-lo por cima do ombro—. O que te dá bom-dia com um beijo ou o que está te partindo em dois neste quartinho de merda? Fala!

—Você, seu filho da puta! Você! —gritei, entregue por completo à ignomínia do meu próprio prazer.

Ele me obrigou a erguer o tronco apenas uns centímetros, o suficiente para contemplar como meu sexo, encharcado e latejante, tentava se fechar depois do vazio que acabara de deixar. A atmosfera do depósito era densa, carregada do cheiro metálico do sexo.

—Seu marido te come pelo cu, Lorena? —soltou com uma frieza que me fez estremecer.

—E o que isso te importa? —protestei, embora minha voz carecesse de autoridade.

—Aposto que não. Esse santo nem sabe por onde começar com você —sentenciou, enquanto pegava um frasco de lubrificante numa prateleira—. Mas não se preocupe, que agora vou te lembrar quem manda aqui embaixo.

Senti o frio do gel enquanto ele o aplicava com a ponta do dedo, brincando com o orifício antes de prepará-lo para a invasão. A humilhação de me ver ali, de quatro, num cubículo de quinta enquanto minha vida de professora ficava a anos-luz, só fazia meu clitóris pulsar com uma fúria renovada.

—Vai com cuidado... —sussurrei, embora no fundo desejasse o contrário.

—Respira fundo, porque isso não é prova —avisou antes de enfiar a ponta da glande de uma vez só.

Abafei um grito, sentindo meu corpo se tensionar e ceder diante do intruso que reivindicava seu espaço. Ele não teve piedade: com um empurrão definitivo, mergulhou até a raiz, obrigando-me a arquear e cravar as unhas na madeira. A dor inicial se transformou logo em uma pressão insuportável e prazerosa, um preenchimento total que me fazia sentir completa pela primeira vez em duas décadas.

—Isso! Engole tudo! —rosnava enquanto começava um vai e vem lento, profundo e cruel—. Pede mais forte. Fala!

—Sim, mais forte! Me arrebenta, seu filho da puta! —gritei, entregue ao ritmo que me erguia do chão a cada investida.

Deslizei minha própria mão entre as pernas, buscando o clitóris inchado para acompanhar o castigo com o meu prazer. O som do lubrificante e o choque dos quadris dele contra minhas nádegas compunham uma sinfonia suja. Quando o terceiro orgasmo apareceu, senti que perdia totalmente o controle, explodindo em um tremor que me deixou sem forças, gritando o nome dele como se fosse uma oração.

Ele esperou que os espasmos diminuíssem um pouco para se derramar dentro de mim, bufando como um touro no cio, deixando-me vazia e trêmula sobre a mesa.

***

Quando ele se retirou, eu estava exausta, mas ele ainda não havia terminado seu ritual de domínio.

—Ajoelha —ordenou, segurando o membro que, apesar da descarga, conservava uma firmeza insultante.

Não hesitei. Deslizei da mesa e me ajoelhei no chão frio, erguendo os olhos para aquele homem que me mirava das alturas do seu desalinho. Agarrei-me a ele com as duas mãos e o engoli, buscando o fundo da minha garganta com a fome de quem está há vinte anos em jejum.

—Vamos, chupa como você fazia no Corsa —gritou, agarrando meu cabelo para marcar o ritmo das estocadas contra a minha boca.

O fim chegou com a brusquidão de um chicote. Ele escapou da minha boca bem a tempo para que a primeira descarga me fechasse um olho. Os jatos seguintes se estilhaçaram no meu rosto, na testa e no cabelo, com uma abundância que me deixou momentaneamente cega.

—Filho da puta... —consegui dizer, enquanto procurava um lenço na bolsa, sentindo seu rastro viscoso descer pelo meu pescoço.

—Filho da puta, sim —replicou, contemplando-me nua e humilhada, mas com uma faísca de triunfo—. Mas você adora que te lembrem do que é. Faz cara de mãe boazinha agora, se conseguir.

Fiquei um instante imóvel, ajoelhada, sentindo o líquido esfriar sobre minha pele e me lembrar, a cada segundo, da minha própria capitulação. Ele não fez menção de me ajudar. Limitou-se a contemplar o quadro da professora correta, da mãe abnegada e da esposa fiel, reduzida agora a uma mulher nua que buscava um lenço para limpar o rastro de uma traição sem volta.

Levantei-me com as pernas ainda trêmulas e comecei a me vestir, ignorando a aspereza do tecido contra minha pele irritada. Quando me olhei no pequeno espelho quebrado pendurado na parede, vi uma estranha: uma mulher com o cabelo despenteado e o rosto aceso, mas com um olhar que, pela primeira vez em anos, não pedia perdão por existir.

—Foi muito bom, Hugo —disse, recuperando um pouco da dignidade que ele se esforçara tanto para pisotear—. Eu realmente precisava disso.

Ele soltou uma risada seca e se aproximou, prendendo minha mandíbula com uma mão para me obrigar a sustentar seu olhar.

—Não venha me com eufemismo de professora —disparou—. Não “foi bom”. Eu te lembrei que seu marido, com toda a bondade dele, é incapaz de te fazer gritar como você acabou de gritar. Você precisa ser domada com regularidade para não enlouquecer, e nós dois sabemos que esse bancário não sabe nem por onde começar com você.

Ele caminhou até a porta, levou a mão ao ferrolho e, antes de abrir, virou-se uma última vez com aquele meio sorriso que era, ao mesmo tempo, um convite e uma condenação.

—Escuta bem: você já sabe onde eu estou. Se cansar dos trepadas com gosto de baunilha, é só aparecer. Este quarto não é o Corsa, mas eu continuo sendo o mesmo e sempre estarei disposto a te lembrar da puta que você pode ser quando tira a fantasia. Você decide quando precisa da sua dose.

Engoli em seco, sentindo a umidade voltar a aflorar diante da promessa daquele castigo periódico.

—Uma vez por semana? —sugeri, com uma voz que já não escondia minha fome.

—Fechado —sentenciou, abrindo a porta—. Mas da próxima vez eu quero você com menos roupa e mais vontade de obedecer. Agora vai. Você tem que buscar seus filhos, não é? Faz cara de santa, limpa bem o cabelo e faz o jantar pro seu maridinho enquanto pensa em como eu vou te arrebentar na próxima terça.

Saí da cafeteria sob a luz do entardecer, caminhando firme sobre os meus saltos. O ar fresco da rua bateu no meu rosto, mas por dentro eu continuava em chamas. Sabia que, ao chegar em casa, beijaria Andrés e ouviria suas histórias cotidianas com um sorriso paciente. Mas também sabia que, sob a mesa de jantar, cruzaria as pernas lembrando o peso de Hugo e o gosto da sua insolência, contando os minutos para que a semana recomeçasse.

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