O atendente que não conseguia parar de me olhar
A loja estava vazia e o garoto era jovem. Eu vinha imaginando aquele momento exato havia dias e não ia desperdiçá-lo.
A loja estava vazia e o garoto era jovem. Eu vinha imaginando aquele momento exato havia dias e não ia desperdiçá-lo.
Deitados, nus, ainda cheirando ao que tínhamos acabado de fazer, Sofia me disse que precisava me contar algo. Algo sobre Elena. Algo que mudaria para sempre a forma como eu a via.
Quando Mariana me pediu ajuda, eu soube que o segredo que eu escondia havia anos ia vir à tona diante de três pessoas que eu mal conhecia.
Ela sempre disse que meu corpo a denunciava antes da minha voz. Naquele dia, depois de esbarrar em uma velha amiga, ela iria comprovar isso da forma mais crua.
Ela tinha namorado. Dizia que era hétero. E ainda assim, naquela tarde na piscina do hotel, o pé dela buscou o meu debaixo d’água e eu não o afastei.
Quando ele me pediu para tirar a segunda pele e me cobrir com a toalha, achei que seria apenas mais uma sessão. As mãos no meu adutor provaram o contrário.
Morávamos na mesma quadra e fingíamos ter esquecido os jogos de infância — até uma volta de bicicleta no inverno fazer minha mão ir parar onde não devia.
Passei seis meses indo buscá-lo na esquina. Uma única noite na casa vazia bastou para que ele parasse de me esperar.
Passei vinte anos achando que conhecia meus próprios desejos. Bastaram dez minutos no elevador com um rapaz nervoso para entender que eu não sabia nada.
Abaixamos as calças diante dos outros quatro e, quando ele se inclinou sobre mim, eu soube que daquela tarde não sairia da sala sendo o mesmo.
Ele era o garoto do bairro que entrava como reserva quando faltava alguém. Levei um ano inteiro para entender que ele também estava me olhando.
Levanto de propósito a saia mais um dedo a cada manhã, esperando que alguma mulher mais velha me olhe com essa mistura de censura e desejo que aparece em todas as minhas fantasias.
Eu estava havia um mês sem tocar em ninguém quando ele apareceu no meu corredor com uma calça esportiva que deixava pouquíssimo para a imaginação. E eu estava de cueca.
Naquele dia na empresa, vimos vídeos estranhos no computador dele. O que eu não esperava era que, meses depois, essa mesma curiosidade acabasse no sofá, debaixo do cobertor.
Quando emprestei o slip vermelho a Bruno naquela manhã, não imaginei que meu vizinho viria nos buscar e que a trilha até o rio terminaria em algo que nunca tínhamos feito.
Quando ela saiu do banheiro com a roupa que eu tinha deixado sobre a cama, soube que naquela tarde obedeceria a cada ordem sem reclamar.
Lá fora chovia e ela me olhava como nunca ninguém da minha família havia me olhado. Eu sabia o que ela ia me pedir, e sabia que não ia conseguir negar.
Até aquela noite, eu tinha sido completamente hetero. Bastou um filme mal escolhido, um travesseiro improvisado e a respiração de um desconhecido na minha nuca.
Ela abriu a porta quase nua, com aquele sorriso que já não era o de uma cliente educada, e eu entendi desde o primeiro minuto que aquele chamado não terminaria na junta do ralo.
Às onze eram só dois casais rindo em volta de uma garrafa; às três da manhã já éramos quatro corpos que não sabiam a quem pertenciam.