Aquela noite na barraca eu nunca contei a ninguém
Voltávamos da praia para o camping quando uma garota pediu carona no meio do caminho. Eu não sabia que naquela noite descobriria outra coisa.
Voltávamos da praia para o camping quando uma garota pediu carona no meio do caminho. Eu não sabia que naquela noite descobriria outra coisa.
Pensei que a chuva me deixaria sem nada. A vinte metros vi o rapaz moreno ao lado do banco, ensopado, e entendi que a noite só estava começando.
Eu o massageei depois da praia, sem pensar. Senti a ereção sob a sunga e soube que aquele verão não terminaria como os outros.
Subi os quatro andares com o coração disparado. Queria um brinquedo, mas saí com algo mais: o olhar da garota atrás dos óculos gravado para aquela noite.
Minha esposa me sussurrou ao ouvido que também desejava aquele corpo jovem. Naquela noite, no sofá da sala, tudo o que era proibido deixou de ser.
Saí do banheiro sem roupa e ele estava ali, no corredor, tão nu quanto eu. Nos encaramos sem conseguir nos mexer. Esse segundo bastou para mudar tudo.
Fui devolver a ela os quinhentos pesos que enfiou na minha pasta. Não esperava encontrá-la chorando, nem ficar até as seis da manhã.
Na noite em que vi aquela garota sair do quarto da irmã Graciela, eu devia ter seguido andando. Em vez disso, fiquei. E isso mudou tudo.
Valeria acabava de conseguir seu primeiro contrato na indústria. A mãe dela tinha preparado uma surpresa no motel de sempre, no mesmo quarto onde tudo começou.
Eu a vi surgir ao fundo da rua e soube que aquela noite não seria como as outras. Ela não tinha vindo para conversar.
Quando ela disse que eu a atraía, não acreditei. Depois veio a mensagem com o nome do hotel e a hora exata. Aí entendi que era tudo real.
Encontrei-a dançando com um desconhecido quando ela devia estar com as amigas. Eu a segui, me escondi, e o que vi atrás daquela cortina mudou tudo.
Entrei no quarto dele e o encontrei com os olhos marejados. Ele ia cancelar a visita da namorada por medo da primeira vez. Não pude deixá-lo assim.
Quando ela trancou a porta e ficou atrás de mim, eu soube que aquela revisão de nota não terminaria como eu esperava.
Desci para buscar água e a encontrei inclinada sobre a mesa, esperando. Fazia semanas que ela me dizia que não, e naquela noite decidiu que sim.
Com os olhos fechados, ela construiu cada detalhe: as mãos de alguém, os lábios, o peso de outro corpo sobre o seu. Ainda não tinha vivido aquilo, mas já precisava.
Meu namorado não apareceu na confraternização de Natal. Em vez dele, o padrinho dele — meu vizinho da frente — me ofereceu um drinque, e essa dose a mais mudou tudo.
Eu andava sozinha na chuva, com a roupa grudada no corpo, quando ele me viu da obra. Nenhum dos dois disse muita coisa. Não foi preciso.
Passamos semanas fugindo do que os dois sabiam que ia acontecer. Nessa noite, quando a ouvi descer a escada, não consegui mais fingir.
Eu a encontrei no quintal me olhando com os olhos arregalados. Eu estava com a calcinha dela e a minissaia preta. Ela não gritou. Só sorriu e disse que sempre quis ter uma irmãzinha.