Minha ex-chefa me esperava em um bar naquela noite
Quando entrei no bar e a vi no fundo, soube que aquela noite não ia terminar em sono. Três meses sem as mãos dela pesavam mais do que eu admitia.
Quando entrei no bar e a vi no fundo, soube que aquela noite não ia terminar em sono. Três meses sem as mãos dela pesavam mais do que eu admitia.
Quando os outros alunos foram embora e a luz do entardecer entrou pelas janelas, ela trancou a porta e me pediu que tocasse para ela, só para ela.
Quando Matías e eu voltamos do armazém com os cigarros, Camila e Renata já estavam perto demais no sofá, sussurrando coisas no ouvido uma da outra.
Ela cheirava a pele limpa e perfume caro. Minha língua se moveu antes da minha cabeça, e, quando ela virou o rosto e me olhou, soube que não havia volta.
Pensei que a vodca tivesse embaralhado minha cabeça, mas quando ela fechou a porta do quarto, soube que estava esperando por aquele momento havia anos.
Três horas antes eu tinha mordido seu pescoço sob a água morna. Agora outro homem lhe tomava o braço como se fosse dele, e ela não se afastava.
Lucía me olhou por cima do fogo e eu soube que aquela noite não íamos dormir sozinhas. Faltavam duas garrafas de vinho e ninguém mais falava em ir para a cama.
Era nossa primeira noite dormindo juntas sem os pais dela em casa. Quando ela apagou a luz, a mão dela encontrou a minha debaixo dos lençóis, e entendi que estava esperando aquele gesto havia anos.
Aos quarenta e oito anos, num bar de Miami, minha melhor amiga me agarrou pelo pescoço e me beijou. Foi minha primeira vez com uma mulher e eu soube que não poderia voltar atrás.
Cheguei à praça esperando um café cordial com a mulher que me ensinou a ler poemas aos dezessete. O que aconteceu depois não estava em livro nenhum.
Ela tinha vinte e um anos e era filha da companheira da minha melhor amiga. Eu ensinava equações; ela me ensinava a não perguntar onde tinha passado as noites em que sumia.
Quando Camila colocou o segundo tequila na minha mão, soube que algo ia se quebrar naquela noite. Não imaginei que seria tudo o que eu achava saber sobre nós duas.
Achei que a festa tinha acabado quando fechei a porta. Mas ela continuava descalça no meu sofá, com a taça no joelho e outra caixa nas mãos.
Quando abri a porta e a vi ali, descalça e com o rímel borrado, soube que ela não tinha vindo para conversar. Veio recuperar o que tinha deixado para trás.
Baixei a mão sem pensar, com o celular na outra e a foto dela ocupando a tela. Nunca tinha desejado uma mulher daquele jeito, e ela nem sabia que eu existia.
Conheci-a entre pixels e promessas à distância. Ela nunca soube que, toda noite, sozinha no meu quarto do hotel de frente para o mar, eu a imaginava ao meu lado.
Estávamos sozinhas diante do espelho. Eu arrumando o batom; ela me olhando com uma intensidade que já não era amizade. E então se aproximou.
Achei que só íamos subir ao pinhal para comer tortilha e beber vinho tinto. Não imaginei que aquela tarde minha prima me pediria que eu a tocasse entre as árvores.
Naquele domingo de outubro descemos da missa encharcadas pela chuva. Entramos na cozinha dela para nos secar. E ali, contra a parede, eu a beijei como tinha passado a vida inteira querendo beijá-la.
Mal a arrastei para o pátio, ela começou a sangrar. Mas o ferimento não era o segredo mais estranho que aquela mulher guardava sob meu teto.