A santinha do colégio deixou de sê-lo naquela noite
Lucía era a mais recatada do grupo do colégio. Naquela noite, vi-a chegar ao aniversário de minissaia e entendi que a garota da missa de domingo já não era a mesma.
Lucía era a mais recatada do grupo do colégio. Naquela noite, vi-a chegar ao aniversário de minissaia e entendi que a garota da missa de domingo já não era a mesma.
Eu tinha vinte e dois anos, uma curiosidade trancada a sete chaves e o endereço de um hotel onde ninguém faria perguntas incômodas. Antonella me esperava com um livro na mão.
Desci do carro com as pernas dormentes e a vi me esperando no vão da entrada, descalça, mordendo o lábio como fazia quando já não aguentava mais.
Entrei naquele quarto me achando a dona da situação. Saí de lá sabendo exatamente a quem devia o silêncio.
Na pista, ela a enfrentou sem piedade; no vestiário, com a medalha ainda morna no peito, só queria voltar a sentir os braços dela ao redor.
Na curva em que as árvores formavam um túnel de luz, estendi a mão e a pousou sobre a dela. Não houve palavras: não precisavam existir para dizer que sim, que eu queria tentar.
Abri a gaveta errada por engano e descobri que minha melhor amiga escondia coisas que eu nem sequer sabia nomear. Naquela tarde, ela decidiu me explicar uma por uma.
Quando os vizinhos foram embora, ela continuava ali, imóvel entre o capim alto, com um buquê de violetas apertado contra o peito e os olhos fixos em Marisol.
Há semanas eu dormia em outra cama, jurando que já não pensava nela. Até vê-la do outro lado do vidro, encharcada e me olhando como se nunca tivesse deixado de olhar.
Ninguém na família imaginava o que acontecia entre Lucía e eu quando as luzes se apagavam e a gente sumia por um fim de semana em qualquer hotel do centro.
Revisei as câmeras do terraço e descobri que a filha da minha vizinha vinha nos espionando em silêncio atrás das cortinas havia semanas.
Contou até dez antes de empurrar a porta do banheiro. O vapor cobria tudo e, pela primeira vez, decidiu não fugir do que sentia por ela.
Quando ela me apontou no meio da multidão, eu soube que aquela noite ia quebrar algo que eu vinha tentando manter intacto havia anos.
Fui ao show esperando que ele me levasse para a cama. Não imaginei que seria a namorada dele quem me arrastaria ao banheiro depois da terceira música.
Renata a observava há dois anos pelos corredores do escritório. Numa noite, depois de fechar a licitação, enfim deixou o roçar virar algo mais.
Tinha quarenta e sete mensagens dela quando voltei ao jogo, e todas terminavam com a mesma captura: o avatar dela sentada no banco vazio, me esperando em horas diferentes.
Quando ela se aproximou com um cigarro na mão e as tatuagens brilhando ao sol, soube que responderia às mensagens, mesmo com meu marido ao lado.
Entrei na cabine achando que seria só mais uma tarde de rotina. Saí sendo outra mulher, com o gosto de um beijo que não deveria ter acontecido.
Carla entrou no banheiro isolado do festival apertando como pôde e ficou hipnotizada com os pelos rosas da desconhecida que mijava à sua frente.
Cheguei cedo à piscina com um biquíni que deixava pouco à imaginação. Queria saber se a garota do sorriso safado topava algo a mais.