A primeira vez que a deixei ir com outro homem
Não soube se o que senti foi ciúme ou excitação. Provavelmente as duas coisas ao mesmo tempo, e isso me assustou mais do que qualquer outra coisa.
Não soube se o que senti foi ciúme ou excitação. Provavelmente as duas coisas ao mesmo tempo, e isso me assustou mais do que qualquer outra coisa.
Eu a encontrei no quintal me olhando com os olhos arregalados. Eu estava com a calcinha dela e a minissaia preta. Ela não gritou. Só sorriu e disse que sempre quis ter uma irmãzinha.
Ela sussurrou no meu ouvido que aquela noite era só para garotas. Eu devia ter ido embora. Em vez disso, alguma coisa em mim resolveu ficar.
Carlos me olhava da outra mesa com aquele sorriso de homem que acha que sabe o que quer. Ele não fazia ideia do que estava prestes a descobrir.
Sair de tanga e sutiã sob as leggings era meu ritual secreto. Eu não esperava que alguém tivesse coragem de me seguir. Nem que eu quisesse tanto que isso acontecesse.
Eu morava na fazenda e podia usar roupa de mulher o dia inteiro sem ninguém me incomodar. Até que um desconhecido escreveu dizendo que gostava das minhas fotos.
Busquei os binóculos quase sem pensar. Quando foquei, ela já me olhava da janela. E, em vez de fechar a cortina, a abriu de vez.
Quando saí do banho, ela estava ali com lingerie preta e aquele sorriso que eu não via havia anos. Naquela noite, ela tinha um plano para mim que eu jamais teria imaginado pedir.
Fui consertar a máquina de lavar dele com uma tanga vermelha por baixo da calça. Só precisava achar o momento para ele notar. Ele não disse nada, mas ficou olhando.
Passamos meses falando dessa fantasia: que alguém nos visse. Naquela noite no motel, transformamos isso num jogo com regras e sem volta.
Quando finalmente contei em voz alta, o olhar dele mudou. Ele já não era só meu amigo. Era outra coisa, e eu tinha pedido isso desde o começo.
Vesti o vestido preto, as sandálias de salto e, pela primeira vez, não senti vergonha do corpo que vi no espelho. Naquela tarde, ele me esperava.
A primeira vez que calcei um par de saltos alheios soube que a imagem no espelho era a versão mais honesta de mim mesma. Levei anos para aceitar.
O chat pegava fogo com fotos de lingerie e promessas de fogo. Seis pessoas, três casais, uma cabana. O que aconteceu naquele fim de semana não contamos a mais ninguém.
Estávamos completamente nuas, com as pernas cruzadas e as xícaras na mão, e foi aí que Sofía me perguntou se eu queria morar com ela.
Ela levava semanas sem tirá-lo da cabeça. Aquele rapaz magro do parque, com as mãos manchadas de carvão e um olhar direto que não pedia permissão a ninguém.
Eu usava o vestido justo da minha colega de quarto quando um taxista parou para me pedir serviço. Nunca imaginei que eu fosse gostar tanto.
Apertei a campainha com os dedos trêmulos. Sabia que do outro lado daquela porta me esperava alguém capaz de me transformar no que eu sempre sonhei ser.
Tive quarenta e sete anos sendo exatamente quem eu supostamente devia ser. Uma noite com a lingerie da minha esposa nas mãos mudou isso para sempre.
Sempre acreditei ser um homem como os outros. Até descobrir a lingerie, os dildos e a certeza de que algo em mim esperava para despertar.