A tarde em que o vizinho deixou de ser tímido
Marina achava que era só um rapaz indefeso. Naquela tarde, descobriu que por trás da timidez havia alguém disposto a tomar o controle de tudo.
Marina achava que era só um rapaz indefeso. Naquela tarde, descobriu que por trás da timidez havia alguém disposto a tomar o controle de tudo.
Naquela manhã, abri o envelope esperando um número de telefone. Encontrei dez mil euros e um bilhete de três palavras que me quebrou por completo.
Abri a porta esperando cheiro de mofo e abandono. A casa cheirava a café recém-feito e a homem. E ele estava lá, servindo uma xícara como se fosse o dono.
Quando ela me disse que fazia anos que não sentia prazer no sexo, o normal teria sido me despedir. Em vez disso, levei a mão à perna dela e ela não a afastou.
O frio quase a matou na montanha. Quando acordou, estava enrolada numa manta diante do fogo, e o homem que a salvara a olhava como se fosse a única coisa viva a quilômetros.
Há anos ela sovava o pão de olhos baixos, até que numa tarde de verão ficou a sós com o homem que a olhava de um jeito diferente.
Mateo acabava de expulsar a mulher do restaurante quando bateram na porta do escritório. Era a garçonete tatuada, e ela não vinha falar das contas do dia.
Na curva não apareceu um guincho moderno, mas um caminhão enferrujado e um homem enorme que cheirava a campo. E eu soube, antes que abrisse a boca, como ele ia nos cobrar.
Há dois anos ninguém me tocava. Minha filha sabia disso e, naquela tarde, apareceu no meu quarto com um fio-dental dois tamanhos menor e uma ideia na cabeça.
Conheci-a num bar decadente e, aos trinta, eu achava que sabia tudo sobre sexo. Essa mulher me mostrou, numa única noite, que eu não sabia nada.
Subiu ao vagão depois da meia-noite, sentou-se à minha frente e começou a me contar coisas que ninguém deveria confessar a um desconhecido na escuridão.
Saio para o ponto de ônibus sem calcinha, não para ir a lugar nenhum, mas para encontrar alguém que me olhe como ele me olhou naquela quinta-feira de março.
Ela comandava o casamento, mas naquela manhã na areia descobri o quanto ela gostava que um desconhecido dissesse quem mandava, com o marido assistindo.
Nunca pensei que o garoto magricela que eu lembrava viraria o homem que me fez tremer diante do espelho. E tudo começou por um nome.
Nunca vi o rosto dela. Só suas costas morenas respirando entrecortadas enquanto minhas mãos iam mais longe do que um massagista deveria ousar.
Eu estava há três semanas divorciada e achava que já não sabia desejar. Naquela primeira noite em alto-mar, um desconhecido encostado no bar me provou que eu estava errada.
Eu estava prestes a entrar no jacuzzi quando bateram na porta. Era ela, com meu cartão na mão e aquele sorriso que eu imaginava havia meses.
Pedi ajuda com um cano que eu mesma podia desentupir. A verdade é que só queria vê-lo entrar na minha casa sabendo que estávamos os dois sozinhos.
Ela me pediu que subisse para ser cobaia de um óleo novo. O marido dela dormia no quarto ao lado e eu sabia que aquilo não terminaria em massagem.
Abri sem pensar e não consegui parar de ler. Minha mãe escrevia tudo: cada detalhe de como voltou a se sentir viva depois de tocar o fundo.