O amigo do meu filho entrou no meu quarto de madrugada
Eu tinha quarenta e um anos e passava meses fingindo que nada acontecia sempre que ele me olhava. Naquela madrugada, parei de fingir.
Eu tinha quarenta e um anos e passava meses fingindo que nada acontecia sempre que ele me olhava. Naquela madrugada, parei de fingir.
Parou o carro diante do prédio com as mãos trêmulas. Ela o esperava junto à janela, e os dois sabiam que aquela taça de vinho era apenas o começo.
A amizade com aquele velho bruto e bonachão saiu dos trilhos numa tarde de vinho, quando ele me disse ao ouvido o que faria comigo.
Ela subiu na escadinha na minha frente, sem nada por baixo da camisola, e eu soube que daquela casa eu não sairia sendo o mesmo de antes.
Estava há cinco anos em seca e meu marido acabava de me propor um ménage em que ele participaria vestido de mulher. O mais louco: eu já sabia quem convidar.
Encontrei-o escondido na garagem, morrendo de frio. Nunca imaginei que, um ano depois, seria eu quem o convidaria a entrar na minha cama e no meu casamento.
Eu vinha cruzando com ela na garagem havia semanas, com aquele sorriso. No dia em que ela se apertou contra mim no elevador, soube que aquilo não ficaria num simples oi entre vizinhos.
Ela cruzou as pernas, me olhou por cima do livro e eu soube que aquela mulher estava há anos sem pedir permissão para nada. A hora morta do metrô virou outra coisa.
Entrei naquela sala cinzenta disposta a implorar por um documento. Saí sabendo que, naquela noite, quem imploraria seria ele, de joelhos e na própria casa.
Tinha trinta e oito anos, um marido previsível e um corpo que ninguém soube ler. Numa noite sozinha em casa, decidiu que queria sentir algo de verdade.
Cada vez que ela se inclinava para anotar minhas respostas, o colete se abria um pouco mais, e eu já não conseguia me concentrar em nenhuma pergunta do questionário.
Eu só tinha descido para pegar um copo d’água. O que ouvi no térreo me deixou pregada no último degrau, prendendo a respiração para não ser ouvida.
Quando a mulher mais elegante do salão me tomou pela mão e sussurrou "vem comigo", eu soube que aquela noite não se pareceria com nenhuma outra da minha vida.
«Vem às cinco. Temos que falar do sábado. Sozinha.» Eu mandei isso pela manhã e, desde então, só pensei em ouvi-la descer a escada.
Eu estava casada havia sete anos e nunca tinha olhado para outro homem. Até que meu marido pegou minha mão e confessou o que realmente desejava.
Sentei na borda do cais sem buscar nada, mas o olhar de um homem que sabe o que quer me desmontou antes de eu dizer uma só palavra.
Sentei-me entre os dois no carro e, quando minha amiga desceu em casa, fiquei a sós com o pai dela e com uma tensão que nenhum dos dois ousava nomear.
Quando subi na caminhonete com meu namorado inconsciente no banco de trás, o pai dele já tinha aquele sorriso de quem sabe exatamente o que vai acontecer.
Desde o primeiro dia ela me pediu uma foto para se exibir às amigas. Nunca imaginei até onde chegaria o prazer dela em me mostrar para outras.
Ele só tinha feito seu trabalho de médico. Ela entrou sem bater, fechou a porta e lhe disse que aquela noite não vinha falar do filho doente.