A aluna que me ensinou a desejar uma mulher
Quando ela trancou a porta e ficou atrás de mim, eu soube que aquela revisão de nota não terminaria como eu esperava.
Quando ela trancou a porta e ficou atrás de mim, eu soube que aquela revisão de nota não terminaria como eu esperava.
Renata chegou ao meu apartamento com uma garrafa de vinho que ninguém tinha pedido. Na manhã seguinte, nenhuma das duas fingiu que tinha sido só o vinho.
Nunca achei que depilar o corpo inteiro fosse mudar alguma coisa. Mas quando ele passou a cera nos meus glúteos e mandou eu ficar de quatro, algo acendeu em mim.
Seus dedos subiram devagar pelas minhas coxas. Naquele momento eu soube que aquela massagem seria algo completamente diferente do que eu tinha pedido.
O rapaz chegou com a maca debaixo do braço, e ela já tinha tomado duas taças de vinho. O que aconteceu foi muito mais que uma massagem nas costas.
Meu filho organizou a noite sem me contar seus planos. Entendi quando ele levou a convidada para o quarto e me deixou sozinha com o amigo dele no sofá.
Passamos de cliente e prostituto a algo que não tinha nome. Numas férias na praia, ela rompeu os tabus que carregara a vida inteira.
A encarregada do armazém nunca lhe deu nem meio sorriso. Nessa noite, ele a encontrou sozinha no ponto, sem ônibus e sem escapatória.
Fui levar um pedido para minha sogra e acabei com as mãos em algo que não era o tornozelo. Não posso me arrepender de nada.
Naquela manhã pensei que estava sozinho em casa. Cruzei o corredor nu e, ao virar a esquina, lá estava ela, com um olhar que não era de mãe.
Baixei o olhar ao ver minha saia mais curta do que o prudente. Cruzei as pernas no banco e, antes mesmo de o coquetel chegar, sentia dois pares de olhos cravados no meu decote.
Entrei pedindo uma depilação. Saí com as pernas tremendo e o corpo marcado por mãos que conheciam cada milímetro da minha pele melhor do que eu mesma.
A lareira ardia, a chuva batia nos vidros e os dois me olhavam com aquela mistura de curiosidade e vertigem que surge pouco antes de cruzar uma linha.
Minha melhor amiga chegou encharcada naquela noite, com os olhos vermelhos de tanto chorar. O que aconteceu depois da terceira garrafa de vinho não estava nos meus planos.
Quando ela me pediu que eu me despisse e subisse na maca, soube que aquilo romperia algo entre nós que jamais voltaríamos a colocar no lugar.
Quando ela girou sobre os saltos, o vestido subiu um pouco e deixou ver a linha exata onde a meia terminava e começava a pele. E então ela me pediu uma massagem.
Coloquei os tênis já usados e as meias grossas, pronta para um dia inteiro de turismo. Ele não sabia que cada passo era um presente preparado para ele.
A primeira vez eu tinha quinze anos. Cheguei mais cedo em casa e encontrei as duas no quarto. Sandra de bruços na cama, minha mãe massageando suas costas. As duas riam baixinho.
Cheguei naquela chácara recém-separada, sem muitas expectativas. Voltei com lembranças que levaram meses para parar de voltar sozinhas à minha cabeça.
Eu tinha quinze anos quando as surpreendi pela primeira vez. Hoje, com vinte e dois, já não consigo olhar aquelas lembranças da mesma maneira.