A confissão que calei durante oito anos
Amanhã completam oito anos desde aquela última noite com ele, e eu ainda me pergunto se fui corajosa ou só egoísta ao pedir aquilo.
Amanhã completam oito anos desde aquela última noite com ele, e eu ainda me pergunto se fui corajosa ou só egoísta ao pedir aquilo.
O interfone tocou depois da meia-noite e eu abri esperando uma pizza. Era um estranho com uma garrafa na mão e a verdade sobre minha mulher nos lábios.
Mordi o travesseiro quando ele pronunciou aquele nome. E então tudo o que eu tinha escondido durante anos começou a se desfazer entre os lençóis, golpe a golpe.
Conversamos durante semanas sem trocar uma única foto, até ela me dizer que queria ser a primeira a fazer isso comigo, pessoalmente, na cama dela.
Estávamos separados há seis anos, mas aquele baby doll na vitrine me levou de volta a uma manhã qualquer e a um vídeo que eu tinha esquecido numa pasta perdida do computador.
Perguntei inocentemente se eu tinha sido o melhor amante dela. A risada foi o primeiro sinal de que eu não deveria ter aberto a boca naquela madrugada.
Subi ao segundo andar, abri a porta do banheiro principal e lá estava ela, dentro da banheira com o bebê, coberta só por uma fina camada de espuma.
Eu tinha dezoito anos e nunca tinha ficado com ninguém. A tia da minha mãe acabou dormindo ao meu lado naquela noite, e tudo o que eu achava saber sobre desejo se quebrou em silêncio.
Lucía nunca contava essa parte. Naquela quinta-feira, ela se vestiu como só ela sabia e soube que aquele sobrinho virgem não sairia de casa sem lhe deixar algo dentro.
A água ainda escorria pelas minhas costas quando ela entrou no banheiro sem bater, com aquele sorriso torto que vinha me esquivando havia semanas.
Estávamos sozinhos naquela sesta de março, ela ainda com o uniforme. Não sei como passamos de fazer cócegas no sofá para outra coisa.
Vi o motorista nos olhar pelo retrovisor e, em vez de me cobrir, deixei que ele me baixasse o top. Às três da manhã, meu ex e eu éramos um espetáculo grátis.
Catalina entrou no quarto às três da madrugada, tirou o vestido sem me olhar e disse que não queria dormir sozinha com tanto frio.
Quando ele abriu a porta só de camisa, eu soube que aquela tarde não ia ser de muita conversa. E eu não me enganei nem um pouco.
Naquela tarde, enquanto o filme seguia ao fundo, a mão suada dela encontrou a minha sob a manta e eu soube que algo entre nós iria mudar para sempre.
Quatro semanas olhando-a se mover entre as mesas, desejando o que eu não ousava nomear. Depois disso, nada voltou a ser igual.
Éramos inimigos declarados desde os cinco anos. Ninguém imaginaria que a garota que me fazia sangrar o nariz seria também minha primeira mulher.
Ela tinha namorado. Dizia que era hétero. E ainda assim, naquela tarde na piscina do hotel, o pé dela buscou o meu debaixo d’água e eu não o afastei.
Abaixamos as calças diante dos outros quatro e, quando ele se inclinou sobre mim, eu soube que daquela tarde não sairia da sala sendo o mesmo.
No segundo dia, o vento sacudia a cabana com tanta força que só nos restava ver filmes. Um deles nunca deveria ter saído daquela caixa molhada.