A rotina com meu parceiro sempre acaba em desejo
Ela se levantou irritada porque ele assistia ao futebol e nem a notava. Não sabia que a batida na mesa ia incendiar a tarde inteira.
Ela se levantou irritada porque ele assistia ao futebol e nem a notava. Não sabia que a batida na mesa ia incendiar a tarde inteira.
As malas ainda por desfazer e, sob uma das camas, um monte de revistas velhas que nenhum dos três irmãos conseguiu parar de olhar naquela tarde de calor.
Faziam dois anos. Ele entrou com o sobrinho pela mão, sentou-se a três mesas da minha e, sem dizer uma palavra, me fez lembrar de tudo o que fomos.
Cada marca que as cordas deixam na minha pele me aproxima um pouco mais do abismo. Mas é a única coisa que silencia a voz dele... do homem que eu deixei morrer.
A primeira vez que entrei no consultório dele, fui de cabeça baixa e com um vestido emprestado; saí de lá me sentindo, enfim, eu mesma.
Toda vez que voltávamos à casa velha da avó, o mesmo jogo começava de novo: uma mão roçando a outra e ninguém olhando.
Tenho vinte e sete anos e uma vida normal: bom trabalho, uma família que me ama e um segredo que carrego dentro de mim e que hoje, enfim, ouso escrever.
Nunca tinha descido mais de três degraus vestido de Lía. Naquela tarde, com a renda branca roçando minhas coxas, decidi que chegaria até a rua.
Eu só queria dormir, mas a fresta da porta deixava passar a luz, e a risada baixa da minha mãe me travou antes de chegar ao meu quarto.
Tinha quinze anos, uma aula livre e a casa do meu namorado vazia. O que aconteceu naquela tarde eu lembro até hoje, em cada detalhe.
Ela saiu da água devagar, sabendo que o tecido transparente já não escondia nada, e jogou o cabelo para o nosso lado como se tivesse todo o tempo do mundo.
Conheci-a num app de leitura. Cabelo preto, alta, intimidadora. Aceitei ser sua submissa porque jamais imaginei que uma mulher assim olharia para mim duas vezes.
Voltei ao reencontro por causa de um beijo pendente do colégio. Não imaginei que naquela noite, com a garrafa girando, acabaríamos sendo três na mesma cama.
Acordou numa cama que não era sua, com os dedos de Renata sobre seu pulso e o suor colando o cabelo à testa. Ela não perguntou nada: apenas beijou sua têmpora.
Na adolescência, eu me trancava para imaginar seus seios e seu cabelo negro-azeviche. Trinta anos depois, sua voz ao telefone me acendeu igualzinho.
Dois bipes, uma tela acesa e a voz da esposa enchendo o jardim: «Tudo isso que está acontecendo comigo… é preciso que todos saibam».
Quando os trovões começaram a sacudir o prédio, eu soube que ela bateria na minha porta. O que eu não imaginava era que aquela noite terminaria na minha cama.
Você me bloqueou em todos os lugares, então escrevo à mão. Preciso que saiba por que fiz isso antes de deixar esta cidade para sempre.
Cheguei à sua porta carregando a depressão e cervejas a mais. Não queria sexo. Queria alguém que entendesse por que eu já não conseguia me olhar no espelho.
A primeira vez que ele me beijou naquele estacionamento, eu fugi. Na segunda, não arrumei desculpas: deixei que ele me encurralasse contra a mesma parede de bloco.