Minha lingerie vermelha para uma noite que não vou esquecer
Desci para o restaurante com a lingerie vermelha bem guardada sob o vestido e uma decisão: se naquela noite ele não a visse, o que era nosso não sairia da tela.
Desci para o restaurante com a lingerie vermelha bem guardada sob o vestido e uma decisão: se naquela noite ele não a visse, o que era nosso não sairia da tela.
Eu só queria algo passageiro enquanto estudava. Mas naquela noite, quando ele deixou o avatar e me chamou com a câmera ligada, eu soube que não havia volta.
Deixei-o sobre a mesa, ao lado das chaves, e me sentei no sofá da sala para esperar. Queria ver quanto tempo ele demoraria a perceber que a vida dele tinha acabado de se partir em dois.
Bastava um buraco do tamanho de uma ervilha para vê-la passar nua sobre o cavalo branco. Roderic fez esse buraco e, desde então, não conseguiu mais fechar os olhos em paz.
Quando Valeria calçou as sandálias douradas e me olhou daquele jeito, eu soube que naquele dia não sairia de lá só com um relógio.
Quando ele chegou à minha porta achando que vinha ajudar, eu já tinha tudo planejado. Ele tinha vinte anos e a ingenuidade de quem não sabe o que o espera.
Ela entrou na sala andando devagar, com o rosto pálido e um gesto de dor ao se sentar que não dava para disfarçar. Levei dias para arrancar a verdade.
Há seis anos, entrei no quarto do meu irmão mais velho numa noite de agosto. Não fui para conversar. Eu sabia exatamente o que queria fazer.
Quando Sofía apoiou o corpo na cadeira e vi como seu rosto se retorceu de dor, soube que a gripe era mentira e que o ocorrido era muito pior do que eu imaginava.
Quatro anos no mesmo escritório sem saber quem éramos um para o outro. No dia em que descobrimos, tudo mudou.
Ninguém tinha tocado meu corpo assim. Quando as mãos dele rodearam minha cintura, o livro didático deixou de existir e começou outra coisa completamente diferente.
Quando nos pararam na escuridão, eu só pensava em escapar. Não imaginei que horas depois desejaria que não acabasse.
Eu viajava sozinha, com aquele vestido que sempre me dá problemas. Ele se sentou ao meu lado no ônibus e eu soube, desde o primeiro momento, que aquela viagem não terminaria como eu tinha planejado.
Era o namorado da minha melhor amiga: gato, tímido, religioso. Perfeito demais para eu não fazer alguma coisa a respeito.
Eu tinha quinze anos quando as surpreendi pela primeira vez. Hoje, com vinte e dois, já não consigo olhar aquelas lembranças da mesma maneira.
Entrei no jogo para fazer amigos. Fiquei porque ali havia homens que queriam o mesmo que eu: algo real, sem nome e sem futuro.
Acordei no quarto dele sem lembrar como cheguei. Ele estava na cozinha, seminu e tranquilo, como se tudo fosse completamente normal.
Eu guardava seus textos em uma pasta privada e os relia à noite com a luz apagada. Passei meses assim antes de me atrever a escrever para ele.
Eu vinha ignorando os olhares dele havia semanas. Naquela noite no hotel, depois da piscina e de dançar com desconhecidos, já não consegui continuar.
Havia noites em que eu nem olhava para o rosto de quem entrava. Contava o dinheiro e esperava acabar. Mas uma vez tudo foi completamente diferente.