A tarde em que descobri o que meu corpo podia sentir
Quando ele abriu a porta só de camisa, eu soube que aquela tarde não ia ser de muita conversa. E eu não me enganei nem um pouco.
Quando ele abriu a porta só de camisa, eu soube que aquela tarde não ia ser de muita conversa. E eu não me enganei nem um pouco.
Naquela tarde, enquanto o filme seguia ao fundo, a mão suada dela encontrou a minha sob a manta e eu soube que algo entre nós iria mudar para sempre.
Quatro semanas olhando-a se mover entre as mesas, desejando o que eu não ousava nomear. Depois disso, nada voltou a ser igual.
Éramos inimigos declarados desde os cinco anos. Ninguém imaginaria que a garota que me fazia sangrar o nariz seria também minha primeira mulher.
Ela tinha namorado. Dizia que era hétero. E ainda assim, naquela tarde na piscina do hotel, o pé dela buscou o meu debaixo d’água e eu não o afastei.
Abaixamos as calças diante dos outros quatro e, quando ele se inclinou sobre mim, eu soube que daquela tarde não sairia da sala sendo o mesmo.
No segundo dia, o vento sacudia a cabana com tanta força que só nos restava ver filmes. Um deles nunca deveria ter saído daquela caixa molhada.
Faz anos que eu não via Mateo, o pai de Diego. Quando o encontrei naquela tarde, não imaginei que acabaria no sofá dele com uma sunga vermelha emprestada e a respiração ofegante.
A música tocava ao longe, a família brindava lá embaixo e eu ainda estava sentada na cama, sem entender em que momento os beijos dele tinham deixado de ser brincadeira.
Pensei que a chuva me deixaria sem nada. A vinte metros vi o rapaz moreno ao lado do banco, ensopado, e entendi que a noite só estava começando.
Nunca tinha pensado nisso até minhas novas amigas mencionarem. Naquela noite, sozinha no meu quarto, a curiosidade foi mais forte que o medo.
A primeira vez que calcei um par de saltos alheios soube que a imagem no espelho era a versão mais honesta de mim mesma. Levei anos para aceitar.
Eram primos, se viam pouco, e naquela noite estavam sozinhos na sala enquanto todos dormiam. Nada deveria acontecer. Quase não aconteceu.
A casa estava vazia e eu tinha todo o tempo do mundo. Nunca imaginei que procurar um carregador me levaria a descobrir a vida secreta do meu pai e da minha madrasta.
Quando a tempestade apagou as luzes e os trovões sacudiam as paredes, ela se encolheu contra mim. Fazia anos que não sentia o calor de ninguém. Isso mudou tudo.
Encontrei a calcinha dela sobre o cesto quando entrei no banheiro. Ela não tinha guardado direito. E, desde aquele instante, nunca mais consegui vê-la do mesmo jeito.
Não foi a primeira vez que pensei em cruzar aquele corredor, mas foi a primeira em que meus pés se moveram antes da cabeça. A casa toda dormia e eu não.
Naquela noite, enquanto eu o masturbava na cama, ele me interrompeu e pediu que eu contasse como era o outro. Não imaginei que minha confissão ia mudar nossa cama.
Eu só queria algo temporário enquanto terminava o ensino médio. Não esperava que aquelas vozes noturnas num mundo virtual me ensinassem tanto sobre desejo.
Ao completar dezoito anos, ele foi atrás da mulher que o pai lhe arrancara. Não imaginava que, naquela tarde no café, ela viria com um plano diferente.