Minha colega me beijou na viagem de formatura
Ela tinha namorado. Dizia que era hétero. E ainda assim, naquela tarde na piscina do hotel, o pé dela buscou o meu debaixo d’água e eu não o afastei.
Ela tinha namorado. Dizia que era hétero. E ainda assim, naquela tarde na piscina do hotel, o pé dela buscou o meu debaixo d’água e eu não o afastei.
Morávamos na mesma quadra e fingíamos ter esquecido os jogos de infância — até uma volta de bicicleta no inverno fazer minha mão ir parar onde não devia.
Abaixamos as calças diante dos outros quatro e, quando ele se inclinou sobre mim, eu soube que daquela tarde não sairia da sala sendo o mesmo.
No segundo dia, o vento sacudia a cabana com tanta força que só nos restava ver filmes. Um deles nunca deveria ter saído daquela caixa molhada.
Ele era o garoto do bairro que entrava como reserva quando faltava alguém. Levei um ano inteiro para entender que ele também estava me olhando.
Faz anos que eu não via Mateo, o pai de Diego. Quando o encontrei naquela tarde, não imaginei que acabaria no sofá dele com uma sunga vermelha emprestada e a respiração ofegante.
A música tocava ao longe, a família brindava lá embaixo e eu ainda estava sentada na cama, sem entender em que momento os beijos dele tinham deixado de ser brincadeira.
Lembro de cada nome, cada quarto e cada beijo. Mas ela me olha como se eu tivesse inventado todas as pessoas com quem passei a noite.
Quando atravessei o corredor, ouvi ranger sob meus pés cada um dos meus tabus. Cheguei à porta dele sem roupa, só com o cabelo sobre os ombros.
Lucía nunca quis saber de homem. Camila era uma bomba que enlouquecia os hóspedes. Eu só tinha uma pergunta que não conseguia guardar.
Às onze eram só dois casais rindo em volta de uma garrafa; às três da manhã já éramos quatro corpos que não sabiam a quem pertenciam.
Voltávamos da praia para o camping quando uma garota pediu carona no meio do caminho. Eu não sabia que naquela noite descobriria outra coisa.
Pensei que a chuva me deixaria sem nada. A vinte metros vi o rapaz moreno ao lado do banco, ensopado, e entendi que a noite só estava começando.
Anos depois, ainda me lembro da calcinha ao vento, da mão entre as pernas e do beijo que ela me mandou da calçada antes de desaparecer. Nunca dissemos uma só palavra.
Fui devolver a ela os quinhentos pesos que enfiou na minha pasta. Não esperava encontrá-la chorando, nem ficar até as seis da manhã.
As cordas me marcaram a pele de vermelho. A culpa me marcou a alma de preto. E aquele homem continuava procurando a fenda por onde me quebrar de vez.
Ela apertou minha mão para me cumprimentar e meu coração disparou. Meses de conversas, risadas e tensão acumulada. Só faltava saber o que faríamos com tudo isso.
Depois de minutos caminhando, comecei a reconhecer as ruas. Quando ele abriu aquela porta, soube que já estivera ali — embora jamais imaginasse em que circunstâncias.
Lucía e Marcos começaram a transar na nossa frente como se fosse a coisa mais natural do mundo. E eu nem consegui me mexer.
Ela me ligou depois de semanas de silêncio para perguntar se eu estava sozinho. Meia hora depois, estava na minha porta com um vestido florido e algo para me dar.