Aquela caixa preta em cima do armário mudou tudo
Sabia que estava sozinha no apartamento. Por isso, quando desceu a caixa preta que as amigas lhe deram, já não pensava nos apontamentos sobre a escrivaninha.
Sabia que estava sozinha no apartamento. Por isso, quando desceu a caixa preta que as amigas lhe deram, já não pensava nos apontamentos sobre a escrivaninha.
Cheguei quarenta minutos adiantada, desliguei o motor no estacionamento subterrâneo e então o cheiro daquela madrugada voltou a mim como uma corrente.
Comecei com espelhos no chão e acabei descobrindo minha vizinha nua da varanda. Cada vislumbre fugaz virava uma droga.
Demorou dois dias para chegar e, nesses dois dias, eu não pensei em outra coisa. Quando finalmente abri a caixa, soube que naquela noite ia me conhecer de um jeito novo.
Eu esperava a casa ficar em silêncio para apagar a luz, abrir a gaveta e descobrir até onde eu era capaz de chegar sozinha.
Prometi a mim mesma que nunca mais sentiria falta dele. Então por que esta noite estou com a mão entre as pernas e o nome dele preso na garganta?
Minha colega dormia quando ele tocou a campainha com um buquê de fresias. Abri de suéter e descalça. Nessa noite, prometi nunca mais deixar um homem entrar na minha cama.
A gaveta emperrava por causa de um caderno manuscrito. Dentro estavam as páginas mais íntimas de um desconhecido e de seu amante de oito anos.
Eu tinha dezesseis anos, a casa em silêncio e uma palavra anotada na margem do caderno havia meses. Naquela noite, enfim, tranquei a porta com chave.
Sua camisola branca com flores de lavanda mal cobria as coxas, e eu sabia que naquela noite iria desabotoá-la toda, botão por botão, em silêncio.
Nunca pensei que uma cena do jogo acenderia algo entre nós, nem que naquela mesma tarde eu teria o sabor dele na boca e o nome dele repetindo dentro da minha cabeça.
Abri sua camisa contra a parede do hall, beijei seu pescoço e soube que não ia pedir que ela ficasse, mesmo morrendo de vontade.
Eu tinha dezenove anos e nunca tinha me atrevido a me explorar. Naquela tarde, com a casa em silêncio, decidi imitar o que via na tela.
Aos sessenta e quatro eu achava que essa parte de mim estava apagada para sempre. Bastou uma ligação e uma cenoura para provar o quanto eu estava enganada.
Deixei-as junto à máquina de lavar como mais uma peça qualquer, mas assim que as levei ao nariz soube que aquela mulher tinha planejado tudo desde o começo.
Faz meses que durmo sozinho. Mas quando a insônia aperta, volto a tê-la por cima de mim, gemendo meu nome como antes de tudo se quebrar.
Eram dez da manhã, eu estava sozinha em casa e só conseguia pensar nas mãos dele. Hoje, enfim, estaríamos a sós e eu precisava acalmar o que ele despertava em mim.
O grande desgraçado tinha usado o próprio corpo dela como inspiração, e agora ela tremia diante da tela sem saber se o que sentia era raiva ou desejo.
Pensou nele o dia todo. Agora, sob os lençóis e com a chuva batendo no vidro, sua mão começa a percorrer o que a imaginação já havia prometido.
Entrei no chuveiro para tirar o cansaço do dia e acabei sentada no chão, com o jato entre as pernas, chamando você em voz baixa.