A professora que me transformou em sua mulherzinha
Ele tinha certeza de que ninguém podia hipnotizá-lo. Sentou-se no sofá com um sorriso de superioridade, sem suspeitar que aquela mulher já havia decidido em quem ia transformá-lo.
Ele tinha certeza de que ninguém podia hipnotizá-lo. Sentou-se no sofá com um sorriso de superioridade, sem suspeitar que aquela mulher já havia decidido em quem ia transformá-lo.
Atravessei a rua convencido de que ela não me reconheceria. Ela sorriu, e eu soube que aquela tarde mudaria tudo entre nós dois.
No primário, ela me quis mais do que eu era capaz de retribuir. Vinte anos depois, a voz dela ao telefone soou igual, e minhas mãos tremeram.
Há coisas que nunca disse em voz alta. Esta é uma delas: o que minha prima planejou comigo naquele janeiro, sem que eu percebesse até já ser tarde.
Desci do ônibus com a cabeça cheia de aulas e o corpo cheio de outra coisa. Vinte minutos depois eu estava no carro de um desconhecido, aprendendo o que nunca me atrevi a perguntar.
Subi na árvore atrás do internato para confirmar o que já sabia. Não imaginei que vê-la com ele no balcão despertaria algo entre a raiva e o desejo que nunca tinha sentido.
Faltava uma hora para o jantar, as crianças viam desenhos na sala e eu atravessei o jardim procurando minha mulher. A porta da lavanderia estava entreaberta.
Eu o conhecia desde o ensino médio como o mais macho da sala. Ontem ele me viu transformada em outra e, no dia seguinte, sua mensagem não deixava dúvidas.
A voz do outro lado do fone me deu uma ordem simples: eu não podia gozar até que ela decidisse. E então sumiu sem avisar quando voltaria.
Disquei o número dela quando calculei que ela já estaria debaixo dele. Queria ouvi-la gemer enquanto outro homem a pagava sem saber que eu era cúmplice do plano.
Depois de uma década de sexo ruim com homens, me cruzei com Renata, sua gaveta de brinquedos e um dedo num lugar onde ninguém tinha chegado ainda.
As iniciais do amante não estavam escritas por extenso, mas coincidiam com as do homem que, naquele momento, fumava na minha varanda.
Quando ela me pediu para passar o protetor solar, minhas mãos já sabiam o que minha boca ainda não ousava dizer.
O boato correu pela padaria como pólvora: a Espiguita tinha voltado. E o único homem que a conheceu de verdade sentiu o passado cair sobre ele.
Atravessei a doca, faminta e com um ódio fino pela humanidade, e então a vi cair no asfalto de um soco. Era minha chefe.
Sob as luzes da morgue, suas mãos não tremiam. Mas, ao fechar os olhos, ela voltava a senti-la contra os azulejos do vestiário, suada, mordendo seu pescoço.
Deitei nua achando que só queria dormir. Três horas depois, eu ainda descobria o quanto de prazer era capaz de me dar sozinha.
Naquela manhã, abri as cortinas com a ideia de espiar as camareiras. Não imaginei que seria uma desconhecida na janela da frente que não tiraria os olhos de mim.
Crescemos dormindo em quartos vizinhos, até que uma noite um som do outro lado da parede me fez entender que eu já não a via como irmã.
Nunca gostei de bichos de pelúcia como presente. Até o fim de semana em que fiquei sozinha em casa e entendi para que servia de verdade o que meu ex me deixou.