Curei os ferimentos do desconhecido que me defendeu
Voltei para o quarto sem fazer barulho para não acordá-lo, e o encontrei com minha roupa íntima entre os dedos e o lençol levantado como uma barraca.
Voltei para o quarto sem fazer barulho para não acordá-lo, e o encontrei com minha roupa íntima entre os dedos e o lençol levantado como uma barraca.
Eu o chupei no carro antes de entrar na festa, sem imaginar que lá dentro me esperava a última pessoa que eu queria encontrar: meu próprio pai.
Reservamos o hotel para descansar, mas o que eu levava na mochila tinha outros planos para aquela noite de frio e chuva.
Prometi ao meu amigo que não tocaria na irmã dele. O que não disse é que a melhor amiga dela se sentava ao meu lado em cada aula, perto demais para eu me concentrar nos números.
Eu já fazia massagens em desconhecidos havia anos, mas nenhum tinha me feito tremer assim sobre a maca, esperando que fosse ele a implorar primeiro.
Entrei no quarto vestida de mímica, com uma gabardine sobre a lingerie e a certeza de que aquela noite faria algo de que nunca me arrependeria.
Quando o médico me disse que eu nunca teria filhos, achei que tinha perdido tudo. Não imaginei que a resposta estaria sentada à minha frente, brindando como se nada fosse.
Eu vinha há semanas ouvindo minhas amigas dizerem que eu precisava me soltar. Naquele sábado, depois do segundo vinho, decidi que seria eu a marcar o ritmo.
Abri a caixa na frente dele porque lá dentro vinha a desculpa perfeita. O que eu não esperava era que o vizinho se atrevesse tanto — nem que eu deixasse.
Fazia meses que ninguém a tocava. Naquela tarde de janeiro, com o vestiário vazio e os três caras ainda suados, ela largou de pensar e se entregou ao que viria.
Daniel dormia no banco da frente enquanto, a um metro, o tio e a namorada dividiam o beliche estreito do caminhão. E Noelia já não queria dormir.
Eu sempre o evitava por ser quieto e estranho. Até que um empurrão no metrô me fez descobrir o que ele escondia sob aquelas roupas enormes, e eu não consegui pensar em mais nada.
A gente se cruzava por acaso havia trinta anos. Naquela tarde chuvosa, na fila da farmácia, ela me olhou de um jeito diferente. E eu também.
Por fora eu era a namorada perfeita, a que apaga a luz e geme baixinho. Nessa madrugada voltei da pista incendiada e decidi que não ia mais fingir.
Passei doze meses carregando refletores e odiando minha vida. Nessa madrugada, ao lado da fonte, uma desconhecida pediu que eu a fotografasse como ninguém jamais ousou.
Na curva não apareceu um guincho moderno, mas um caminhão enferrujado e um homem enorme que cheirava a campo. E eu soube, antes que abrisse a boca, como ele ia nos cobrar.
Eu tinha vestido a saia mais curta que tinha, e quando aquele universitário apoiou a mão na minha coxa, soube que a viagem seria muito mais longa do que dizia a passagem.
Um rapaz que revistava um contêiner me chamou na rua e, quando me disse por quê, eu quis desaparecer. O que eu não imaginei foi como acabaria agradecendo a ele.
Achei que era só um jogo de mensagens fora de hora, até que uma tarde ele fechou a porta do meu escritório, apagou a luz e parou de me pedir permissão.
O atrito do lençol me acordou e, ao virar a cabeça, encontrei-a dormindo ao meu lado. Eu não lembrava da noite anterior, mas meu corpo lembrava.