Dois homens e eu naquela viagem à costa
Ofereci a janela à senhora do ônibus e ela nem me olhou. Eu não imaginava que a verdadeira viagem começaria no refeitório do hotel, diante de dois desconhecidos.
Ofereci a janela à senhora do ônibus e ela nem me olhou. Eu não imaginava que a verdadeira viagem começaria no refeitório do hotel, diante de dois desconhecidos.
Eu o vi sozinho no balcão da cozinha, alheio ao grupo, grudado no celular. Só de olhar eu soube que aquela tarde não ia ser tão macho quanto ele imaginava.
Estávamos sozinhos na sala de pesos quando ele tirou a camiseta e me mandou tocar. Eu não imaginava até onde iríamos depois de fechar a porta do vestiário.
Eram três da manhã quando senti sua boca me buscando na escuridão, e soube que desta vez seria eu quem o guiaria até o fim.
Entramos no apartamento sabendo que nos restavam duas horas, e ele se lançou sobre mim antes que eu pudesse deixar as chaves sobre a mesa.
Vinte anos, virgem e trancado entre quadrinhos. Meu pai achava que uma ida ao campo me faria virar homem. Não imaginava quem me esperava lá.
Fingi que estava dormindo para observá-lo. O que vi naquela noite na outra cama mudou completamente o rumo daquela viagem.
Eu estava há mais de duas horas na sala de espera quando ele chamou meu nome. Eu não imaginava que naquela mesma tarde terminaríamos sozinhos numa maca que ninguém mais usava.
Eu o vi na esquina com o apito entre os dentes, avisando os traficantes. Não consegui parar de olhar, e soube que naquela madrugada eu não voltaria para casa sem ele.
Entrei tremendo naquele apartamento escuro para esperar um homem que eu nunca tinha visto. O que aconteceu naquela tarde me marcou para o resto da vida.
Eu esperava nu junto à oliveira, com a mochila aos pés e o celular na mão, sem imaginar que aquela noite fria me deixaria dois sabores diferentes na boca.
Aos cinquenta e três anos, solteiro e entediado, Ramiro descobriu que oferta e demanda também funcionam às três da tarde, no sofá da sala.
Ele prometeu que só ia encostar um pouco. Eu relaxei, confiei nele, e esse foi o erro que eu não devia ter cometido naquela noite na cama dele.
Ele me prometeu uma vaga na escuna se eu o acompanhasse ao beco. O que vi por aquela janela e o que aconteceu depois mudou tudo o que eu achava saber sobre mim.
Ele tirou a camiseta encharcada diante de mim, sem saber que eu tinha ouvido tudo do chuveiro. O que lhe ofereci naquela tarde mudou sua ideia de prazer.
Eles foram inseparáveis a vida inteira, mas naquela tarde, sozinhos no sofá, nenhum dos dois quis fingir que aquele beijo tinha sido um acidente.
Eu passava semanas desejando que ele voltasse a me procurar. Nessa noite entendi que, se quisesse sentir aquilo de novo, teria de ir buscá-lo em outro lugar.
Não conseguia parar de olhar o corpo de Bruno sob a água, e quando ele se virou de olhos fechados soube que aquela tarde cruzaria uma linha que evitávamos havia anos.
Eu estava bêbado no metrô quando abri o app por tédio. Não imaginava que aquela mensagem de um desconhecido terminaria comigo de joelhos num depósito escuro.
Eu tinha uma semana para decidir se deixava tudo para trás. Naquela noite, quatro homens se propuseram a me fazer esquecer a decisão, ainda que só por algumas horas.