O pedreiro da obra e minha primeira vez com um homem
Entrei com um copo d’água e o encontrei trocando de calça. Naquele segundo, soube que tudo o que eu achava saber sobre mim mesmo era mentira.
Entrei com um copo d’água e o encontrei trocando de calça. Naquele segundo, soube que tudo o que eu achava saber sobre mim mesmo era mentira.
A mão dele subiu do meu joelho até a coxa sem pressa, como se já soubesse de antemão que eu não ia afastá-la. E eu não afastei.
Ele não dormia havia dois dias, mas passos no corredor escuro o despertaram: alguém entrava no banheiro onde outro garoto já o esperava, e ninguém mais sabia.
O anúncio dizia «sessão erótica gratuita para rapazes jovens». O que não dizia, e eu entendi perfeitamente, era como ele pretendia me cobrar naquela noite.
Matías abriu descalço, com aquele meio sorriso que não escondia nada. Atrás de Andrés, Esteban já respirava em sua nuca. Os três sabiam por que tinham ido.
Desceu da tribuna tremendo de raiva. Não queria ficar sozinho: atravessou o corredor do apartamento e empurrou a porta da suíte onde seus dois homens já o esperavam acordados.
Começou como um jogo na última fileira do teatro e acabou virando um vício: buscar o canto mais impossível da cidade para perder o controle.
Eu tinha vinte anos, a casa só para mim e um chat aberto. Nunca imaginei que aquele desconhecido apareceria na minha porta vinte minutos depois, nem o que deixaria em mim para sempre.
Ele passou dias me olhando só pela tela. Quando a porta finalmente se fechou atrás de nós, eu soube que aquela noite ia recuperar cada hora roubada pela distância.
Ele perdeu as chaves diante da porta do único vizinho sobre quem todos o alertavam, e naquela tarde de verão decidiu descobrir por quê tanto mistério.
Ele ficou no meu sofá por algumas semanas, cortês e distante, até que numa tarde deixou cair a frase que despertou tudo o que enterramos naqueles verões.
Eneko se desfez naquela noite, então Unai fez a única coisa que sabia para acalmá-lo: levou-o para a cama onde Mikel e Asier já esperavam acordados.
Estava duas semanas sem gozar e a imaginação me pregou uma peça no meio do turno. O que eu não esperava era que alguém percebesse antes de mim.
A gente se atrasava para a academia toda manhã, mas jamais pulava aquele ritual entre os lençóis. Hoje, pela primeira vez em semanas, era ele quem abria as minhas pernas.
Achei que era coisa da minha cabeça, até encontrar um número escrito no plástico do lencinho que o comissário me entregou ao descer do avião.
Tenho trinta e quatro anos e nunca duvidei do que era. Até que essa semente começou a crescer dentro de mim, silenciosa e persistente, e eu já não pude ignorá-la.
O vagão estava vazio naquela hora da madrugada. Quando aquele homem sentou quase à minha frente e começou a me olhar sem disfarçar, eu soube que a viagem não seria como as outras.
Nove e meia da manhã, uma planilha do Excel pela metade e, de repente, o corpo nu do namorado roçando sua nuca. Trabalhar ia ser impossível.
Eu estava há três semanas na empresa quando ele se inclinou sobre a mesa e disse que eu tinha algo que chamava atenção. Naquela mesma tarde, eu o segui.
Eu conhecia os horários dele, o barulho das botas, o momento exato em que tirava a camisa por causa do calor. O que eu não sabia era até onde essa obsessão ia me levar.