O que imagino toda noite antes de dormir
Apago a luz, abro o relato e deixo minha mão descer. Na minha cabeça sempre tem alguém no canto do quarto, me olhando, esperando a hora de entrar.
Apago a luz, abro o relato e deixo minha mão descer. Na minha cabeça sempre tem alguém no canto do quarto, me olhando, esperando a hora de entrar.
Colocaram a fita azul no meu pescoço, a única diferente das demais, e desci aquelas escadas sabendo que aqueles seis homens iam descobrir o que eu escondia.
Minha mãe se levantou da cadeira, me beijou na boca e, sem dizer nada, enfiou a mão debaixo do meu pijama. Só então entendi o que meus pais tinham combinado durante a noite.
Marcos me deixou passar primeiro, como um cavalheiro com o sorriso torto. Lá dentro, sobre uns caibros, dois desconhecidos me olhavam com a mão já no zíper.
Achei que tinha a situação sob controle. Achei que um velho sem forças não podia me fazer nada. Esse foi meu primeiro erro da manhã.
Eu já tinha tentado antes e só sentira dor. Numa noite de hotel com um desconhecido, descobri o quanto eu estava enganada.
Eu a observava dobrar lençóis com aquelas leggings clarinhas e rezava para que ela não percebesse o volume no meu short. Até que um dia ela virou a cabeça e perguntou por que eu a olhava assim.
A persiana estava meio abaixada e a chave girou duas vezes atrás de mim. Vim sem a aliança e com doze anos de silêncio na língua.
Segui a moça para a rua convencido de que seria só mais uma noite. Não imaginava o que ela escondia sob aquele vestido colado nem até onde iria me levar.
Ele me ligou no fim da tarde para avisar que chegaria tarde. Naquela altura, eu já tinha começado a me preparar: a peruca, a maquiagem, o plug. Só faltava ele.
Rubén encheu a cafeteira enquanto, do outro lado da janela, nossas mulheres paravam de disfarçar. Nenhum de nós desviou o olhar, e então a mão dele encontrou a minha.
Só queria sol e silêncio. Não procurava ninguém, muito menos um homem que me esperou na beira do mar só para dizer que não pretendia me deixar ir.
Subi para pegar ar porque não aguentava o calor. Ouvi os passos dele na escada e soube, antes de me virar, que aquela noite eu não ia conseguir dormir.
Eu sonhava com os dois quando senti o peso de um corpo subir na cama. Uma mão quente percorreu minhas costas e eu soube, antes de abrir os olhos, que não era Mateo quem tinha voltado.
Eram seis e quarenta. Ela olhou o relógio, pediu que eu parasse junto ao beco e, antes que eu pudesse perguntar qualquer coisa, já estava me beijando.
Abri os olhos no meio do prazer e a vi apoiada no batente da porta, nos olhando. Ela não disse nada. Só deslizou uma mão dentro do short.
Éramos novatos e estávamos nervosos, mas aquele casal sentado ao fundo do local nos olhava como se soubesse exatamente o que viemos procurar.
Eu tinha dezessete anos e uma namorada caidinha por outro. Levei um ano para entender que essa traição, longe de me ferir, era o que mais me excitava.
Quando Mateo tirou a sunga, vi minha mulher parar de mexer os olhos. Eu já estava bêbado demais para impedir o que aquele olhar começava a prometer.
Faltavam dias para minha viagem quando ela me ligou pedindo um favor inocente. Nenhum dos dois imaginava que terminaríamos trancados, no escuro e sem roupa.