O recado do meu sogro e a língua da minha cunhada
O sofá da sala já tinha visto coisas demais, mas nada como o sorriso lento com que minha cunhada me esperou naquela tarde enquanto meu sogro fingia não perceber.
O sofá da sala já tinha visto coisas demais, mas nada como o sorriso lento com que minha cunhada me esperou naquela tarde enquanto meu sogro fingia não perceber.
Às cinco da manhã, com os saltos na mão e o vestido caído sobre os ombros, Renata entrou no carro comigo e fez uma proposta que eu não deveria aceitar.
Passei anos acreditando que diversão era livro e documentário. Até ela trancar a porta do quarto e começar a se despir diante dos dois.
A primeira era minha professora de física. A segunda, de francês. As duas me chamaram a sós antes de partir de Valência, e descobri que despedidas podem ser muito diferentes.
Quando o aviso chegou, liguei a tela achando que seria mais uma reunião. Não imaginava que veria minha cunhada ajoelhada diante do sócio do meu sogro.
Minha mãe se inclinou na minha frente para tirar uma fita velha da caixa e, quando ajustou o robe bem devagar, soube que tinha visto o que eu não queria que visse.
Quando o encontrei atrás de mim na cozinha, com o corpo colado ao meu e a respiração quebrada no meu pescoço, soube que ia me render antes de lutar.
Eu havia prometido a ela um presente de aniversário diferente. O que ela não imaginava era que minha surpresa a esperava do outro lado de um buraco na parede.
O sábado em que a casa ficou vazia, minha sogra apareceu descalça na cozinha, com um conjunto que não era para o marido dela, e sorriu como se já soubesse o fim.
Quando ela abriu a porta e nos viu, achei que a família acabava naquela tarde. O que eu não esperava era ouvi-la confessar, ao meu ouvido, desejos que guardava havia anos.
Dei permissão para ela sair com os dois na mesma tarde. Quando voltou ao estacionamento, ainda trazia as marcas de um e, às sete e meia, tinha encontro com o outro.
O roupão dela subiu quando ela se abaixou para pegar a espátula. Não foi um acidente; foi um convite que levei a manhã inteira para aceitar.
Marina já estava ensopada quando exigiu a segunda parte: os dois ao mesmo tempo, sem barreiras, com o filme de ação ainda tocando ao fundo.
Quando puxei a cortina para me olhar no espelho, ela estava lá, encostada na parede, me encarando como se já soubesse o que ia acontecer depois.
A sessão de yoga de sexta começou como um jogo silencioso de olhares e terminou com o corpo dela colado ao meu na sala de jogos do meu pai.
Chegamos do aeroporto às onze da noite, com a casa só para nós e quinze dias pela frente. E então ela me disse que odiava dormir sozinha.
Quando voltei do banheiro, meus dois irmãos a tinham encurralada no centro da sala, e no olhar dela não havia surpresa: havia um sorriso que esperava aquele momento havia meses.
Encontrei-o na minha cama com uma das minhas calcinhas na mão e um maço de notas sobre a colcha. O que veio depois não foi pelo dinheiro.
Eu o desejava desde meus primeiros amantes e nunca tive coragem de dizer. Naquela tarde, diante da câmera dele, descobri que meu irmão também vinha aguentando o mesmo desejo havia anos.
Ele apareceu na porta sem avisar, com cara de briga e uma garrafa debaixo do braço. Às três da madrugada, nada do que eu sabia sobre ele era verdade.