O que escondia a acompanhante da minha amante
Quando ele se virou naquela vendinha de povoado, pensei que fosse uma mulher. Usava jeans branco, unhas pintadas e um segredo que eu só descobriria ao ficar preso na estrada.
Quando ele se virou naquela vendinha de povoado, pensei que fosse uma mulher. Usava jeans branco, unhas pintadas e um segredo que eu só descobriria ao ficar preso na estrada.
Eu tinha dezesseis anos, a casa em silêncio e uma palavra anotada na margem do caderno havia meses. Naquela noite, enfim, tranquei a porta com chave.
Sua camisola branca com flores de lavanda mal cobria as coxas, e eu sabia que naquela noite iria desabotoá-la toda, botão por botão, em silêncio.
Quando abriu a bolsa, encontrou um sutiã cor de vinho e um bilhete: «Familiarize-se com as sensações. Amanhã começamos de verdade». Não havia volta.
Nunca pensei que uma cena do jogo acenderia algo entre nós, nem que naquela mesma tarde eu teria o sabor dele na boca e o nome dele repetindo dentro da minha cabeça.
Caro era seis anos mais velha que eu, tinha uma vida que parecia perfeita e um segredo que pensava levar para o túmulo. Naquela noite, decidiu que não aguentava mais.
O táxi chegou às duas e meia. Subi os quatro andares com duas sacolas nas mãos e a certeza de que não havia mais volta.
Só restava um nome na sua lista de pacientes, e quando ele chamou não imaginava quem atravessaria a porta do consultório naquela tarde.
Atravessei aquela porta convencida de que mulheres não eram a minha praia. Saí duas horas depois sabendo que aquela frase era a maior mentira que eu já tinha contado.
Eu tinha dezenove anos e nunca tinha me atrevido a me explorar. Naquela tarde, com a casa em silêncio, decidi imitar o que via na tela.
Eu passava semanas me mostrando para ela na câmera. Naquela noite, com uma única frase sussurrada, ela me pediu algo que mudou para sempre o que eu achava querer.
Faz meses que durmo sozinho. Mas quando a insônia aperta, volto a tê-la por cima de mim, gemendo meu nome como antes de tudo se quebrar.
Aos cinquenta e um, depois de muitas mulheres, escrevi para um desconhecido num site gay sem saber que essa mensagem me obrigaria a aceitar o que sempre neguei.
Pensou nele o dia todo. Agora, sob os lençóis e com a chuva batendo no vidro, sua mão começa a percorrer o que a imaginação já havia prometido.
Nunca tinha me tocado. Naquela tarde, atrás de uma porta mal fechada, entendi por que meu corpo vinha me pedindo há anos algo que eu não ousava lhe dar.
Eu usava lingerie escondido havia anos. Numa semana longe de casa, resolvi descobrir como era fazer isso de verdade, na cama de um desconhecido.
Naquela madrugada, quando ele arrancou o lençol de uma vez, soube que não havia mais nada a disfarçar: ele sabia, e eu queria que soubesse.
Quando senti a ereção dele apertada contra minha bunda, soube que não ia me mexer. E soube também que, na próxima estação, nós dois íamos descer.
Ela esperava um único brinquedo. Dentro da caixa havia uma coleção inteira, e Lucía soube que naquela tarde, sozinha no apartamento, ninguém iria interrompê-la.
A fechadura trancada, a luz apagada e um único dedo bastando para me levar onde nenhum garoto da minha idade jamais soube me levar.