O dia em que saí vestida de travesti pela primeira vez
Naquela manhã raspei as pernas, calcei as plataformas brancas e saí do carro sabendo que todo mundo na rua ia me olhar. E olharam mesmo.
Naquela manhã raspei as pernas, calcei as plataformas brancas e saí do carro sabendo que todo mundo na rua ia me olhar. E olharam mesmo.
Sou casada. Sou hétero. Era isso que eu era quando entrei no banheiro do shopping. O que eu era quinze minutos depois, já não tenho tanta certeza.
Pedi a campainha com as mãos tremendo. Vinte anos mais velho, sádico assumido, sem piedade. E eu, virgem, implorando para ele começar assim que fechasse a porta.
Era nossa primeira noite dormindo juntas sem os pais dela em casa. Quando ela apagou a luz, a mão dela encontrou a minha debaixo dos lençóis, e entendi que estava esperando aquele gesto havia anos.
Aos quarenta e oito anos, num bar de Miami, minha melhor amiga me agarrou pelo pescoço e me beijou. Foi minha primeira vez com uma mulher e eu soube que não poderia voltar atrás.
Dei de cara com um turista na orla e ele me deixou um número com uma proposta impossível de ignorar. Naquela mesma tarde, liguei.
Lucía era a mais recatada do grupo do colégio. Naquela noite, vi-a chegar ao aniversário de minissaia e entendi que a garota da missa de domingo já não era a mesma.
Fui ao show esperando que ele me levasse para a cama. Não imaginei que seria a namorada dele quem me arrastaria ao banheiro depois da terceira música.
Carla entrou no banheiro isolado do festival apertando como pôde e ficou hipnotizada com os pelos rosas da desconhecida que mijava à sua frente.
Quando Inés afastou a cortina da barraca, a namorada já estava em cima de outra garota, ainda ofegante por um orgasmo que não era dela.
A chave caiu na água e a porta de trás travou. Presos num metro quadrado, algemados e semidespidos, descobrimos algo que nenhum dos dois imaginava.
Desci do barco-museu com a cabeça girando. Naquela mesma noite, diante do Pacífico, uma mulher que eu mal conhecia me beijou como nenhum homem jamais tinha me beijado.
Quando comecei a cochilar no sofá, senti a mão dela subindo pela minha coxa. Ergui a cabeça e Camila me olhava com um sorriso que eu ainda não conhecia.
Quando eu abri a porta às dez da manhã, não imaginava que um favor com o iPhone terminaria com ele gemendo de barriga para cima na minha cama.
Tinha 20 anos e nunca tinha sentido um orgasmo de verdade. Numa noite de janeiro, com o calor pegajoso e meio rosé, minha prima francesa decidiu que já era hora.
Subi na cadeira diante do espelho, com as pernas no ar para as fotos que minha namorada pediu. Não esperava que ele entrasse, nem o que veio depois.
Conversamos durante semanas sem trocar uma única foto, até ela me dizer que queria ser a primeira a fazer isso comigo, pessoalmente, na cama dela.
Quando coloquei a mão no peito dele e não a tirei, soube que aquela tarde não terminaria como as outras. Ele tinha o dobro da minha idade e cheirava a cerveja gelada.
Camila me sussurrou no elevador que não estava usando nada por baixo. Quando Diego abriu a porta, eu soube que a tarde sairia do controle.
Eu tinha dezoito anos e nunca tinha ficado com ninguém. A tia da minha mãe acabou dormindo ao meu lado naquela noite, e tudo o que eu achava saber sobre desejo se quebrou em silêncio.