Me vesti de travesti e o guarda me encontrou
Eu vinha preparando aquele dia havia meses: a peruca, o vestido, o lubrificante. Achava que estava sozinha no mirante abandonado. O guarda tinha outra ideia.
Eu vinha preparando aquele dia havia meses: a peruca, o vestido, o lubrificante. Achava que estava sozinha no mirante abandonado. O guarda tinha outra ideia.
Éramos inimigos declarados desde os cinco anos. Ninguém imaginaria que a garota que me fazia sangrar o nariz seria também minha primeira mulher.
Adrián me ofereceu carona para casa com minha guitarra. Eu deveria ter dito não. Mas havia algo no jeito como ele me olhava que não me deixou responder.
Para o mundo, éramos dois amigos no bar. Só eu sabia que usava uma calcinha fio dental preta por baixo do jogger — e que ele também sabia.
Estudávamos havia horas quando o frio ficou insuportável. Sofía me convidou para a cama dela para nos aquecermos. Nenhuma de nós esperava o que veio depois.
Ele me esperava havia anos e eu não percebi até ser tarde demais. Quando me confessou no fim, entendi por que tudo tinha sido tão diferente.
Vinte anos, zero experiência e uma prima que o olhava como se soubesse exatamente o que ele tinha na cabeça. O verão prometia ser longo.
Eu tinha dezoito anos e nenhuma experiência. Ela tinha marido, uma filha na minha turma e o talento de me tirar o sono desde o primeiro dia.
A primeira vez que fui sozinho à casa dele, meu coração batia forte enquanto eu tocava a campainha. Eu não sabia o que dizer. Ele abriu de robe úmido e sorriso.
Abaixamos as calças diante dos outros quatro e, quando ele se inclinou sobre mim, eu soube que daquela tarde não sairia da sala sendo o mesmo.
Passei meses beijando-a às escondidas sem que nada além disso acontecesse; naquela tarde, com a garrafa quase vazia, foi ela quem me arrastou até a janelinha do motel.
Minha esposa queria me ver sendo fodido, não o contrário. O que descobri naquela noite na suíte do hotel ainda me obriga a me perguntar coisas que não ouso responder.
Às três da manhã, com o vento gelado batendo na barraca, eu me enfiei sob a manta dele sem pedir permissão. Mauri não se mexeu, mas eu sabia que ele não estava dormindo.
Naquele dia na empresa, vimos vídeos estranhos no computador dele. O que eu não esperava era que, meses depois, essa mesma curiosidade acabasse no sofá, debaixo do cobertor.
Ao abrir a porta do quarto, o último que eu esperava era ver minha namorada debaixo da amiga dela, com as pernas abertas e um olhar que me proibia de entrar ainda.
Fechei a porta do hotel, olhei para as mãos trêmulas dele e soube que aquele desconhecido estava tão assustado quanto eu. E nenhum dos dois pensava em ir embora.
Passei anos imaginando isso vendo vídeos às escondidas. Numa tarde, uma mensagem em uma página de encontros, e um desconhecido entrou no meu carro pronto para mudar tudo.
Quando ela disse que eu a atraía, não acreditei. Depois veio a mensagem com o nome do hotel e a hora exata. Aí entendi que era tudo real.
Entrei no quarto dele e o encontrei com os olhos marejados. Ele ia cancelar a visita da namorada por medo da primeira vez. Não pude deixá-lo assim.
Nunca tinha ficado com uma mulher. Quando abri a porta e a vi parada ali, soube que naquela noite algo em mim mudaria para sempre.