O que minha esposa me confessou naquela noite na cama
Perguntei inocentemente se eu tinha sido o melhor amante dela. A risada foi o primeiro sinal de que eu não deveria ter aberto a boca naquela madrugada.
Perguntei inocentemente se eu tinha sido o melhor amante dela. A risada foi o primeiro sinal de que eu não deveria ter aberto a boca naquela madrugada.
Eu disse que ela já podia tomar banho sozinha. Ela baixou a cabeça e sussurrou que ainda estava com medo. Eu não imaginava até onde aquele banho iria levá-los.
Guardei os números na gaveta e soube que não ligaria. Mas também soube que meu marido nunca mais me tocaria como antes daquela noite em alto-mar.
Deixei a xícara na mesinha, ajoelhei ao lado da cama e entendi que naquela manhã nada nunca mais seria como antes naquela casa.
Subi ao segundo andar, abri a porta do banheiro principal e lá estava ela, dentro da banheira com o bebê, coberta só por uma fina camada de espuma.
Eu tinha dezoito anos e nunca tinha ficado com ninguém. A tia da minha mãe acabou dormindo ao meu lado naquela noite, e tudo o que eu achava saber sobre desejo se quebrou em silêncio.
Minha mãe tinha me mandado pedir uns ovos emprestados. Dona Marisol abriu a porta de robe, com o cabelo ainda molhado, e me olhou de um jeito que eu nunca esqueceria.
Rasguei o vestido, joguei um sapato fora e esfreguei as coxas até ficarem vermelhas. Quando liguei chorando da cabine, soube que ele viria sem pensar.
Quando a vi descer do ônibus com a mochila rosa no ombro, entendi que ela já tinha decidido tudo e que eu só ia cumprir a minha parte do combinado.
Quando saí do banheiro naquela tarde, o vi tirar a mão de dentro da calça. E a TV estava mais baixa do que o normal. Não foi coincidência.
Aos cinquenta e tantos eu achava que nada mais me abalava. Então ela entrou no quarto do meu filho com o cabelo preso e um sorriso que eu não esperava.
A cama rangia no ritmo de gemidos contidos. Fui descalço até a fresta da porta de Camila, e o que vi me deixou pregado ao chão por uma hora inteira.
Eu me vesti para deixar meu namorado de queixo caído. Quem abriu a porta foi o irmão mais velho dele, e os olhos dele me atravessaram inteira antes de me cumprimentar.
Eu queria pregar uma peça acendendo as velas diante do barracão. Quando empurramos a porta, ninguém riu: meu filho estava contra o móvel e o pai do amigo não parava.
Subi ao terceiro andar para bisbilhotar e acabei trancada num armário, espionando uma madrugada proibida que mudaria tudo o que eu pensava do desejo.
Lucía nunca contava essa parte. Naquela quinta-feira, ela se vestiu como só ela sabia e soube que aquele sobrinho virgem não sairia de casa sem lhe deixar algo dentro.
Aos vinte anos, meu mundo era fralda e silêncio. Até que meu chefe me deixou um bilhete junto com o café e começou a me olhar como se eu fosse outra mulher.
A gente se cruzou no elevador por acaso. Ela levava caixas e eu estava com as mãos livres. Aceitei ajudar sem saber que aquela bodega ia nos fechar lá dentro.
Desci do táxi a meia quadra do hotel, como sempre. A recepcionista já não me perguntava o nome: estendia a chave do 304 sem me olhar.
A água ainda escorria pelas minhas costas quando ela entrou no banheiro sem bater, com aquele sorriso torto que vinha me esquivando havia semanas.