O vestiário que o ex-jogador nunca conseguiu esquecer
Aos trinta e três anos, com um corpo de atleta e um segredo que vinha sufocando havia metade da vida. Até que um rapaz cruzou a porta da loja e o encarou sem medo.
Aos trinta e três anos, com um corpo de atleta e um segredo que vinha sufocando havia metade da vida. Até que um rapaz cruzou a porta da loja e o encarou sem medo.
Baixou a voz até um sussurro rouco do outro lado da divisória, e eu soube que jamais voltaria a me sentar diante dele numa reunião sem me lembrar.
Apostei com ele que, se eu ganhasse na cancha naquela tarde, eu cobraria com ele. Ele riu. Não sabia que eu esperava por esse momento havia anos.
Não conseguia parar de olhar o corpo de Bruno sob a água, e quando ele se virou de olhos fechados soube que aquela tarde cruzaria uma linha que evitávamos havia anos.
Eu sabia que, assim que cruzasse a porta dele, não haveria mais volta: naquele dia eu ia deixar que ele me comesse de verdade, e passei a semana inteira imaginando isso.
Eu tinha 24 anos, uma namorada doce e uma dúvida que carregava em silêncio havia anos. A mão dele no meu ombro, naquela noite no bar, acabou respondendo.
Meio milhão de euros por passar cinco dias no Caribe com um desconhecido. Bruno não era gay, mas as dívidas não entendem de rótulos e o jato particular já o esperava.
Recebi a nota sem assinatura diante de todos. Naquela mesma noite, atrás de uma máscara, as mãos de um homem me ensinaram o que eu tanto havia calado.
Entrei com um copo d’água e o encontrei trocando de calça. Naquele segundo, soube que tudo o que eu achava saber sobre mim mesmo era mentira.
A mão dele subiu do meu joelho até a coxa sem pressa, como se já soubesse de antemão que eu não ia afastá-la. E eu não afastei.
Caçava cervos no monte quando garras me ergueram às nuvens. Ao despertar, um homem de barba hirsuta e sexo ereto me esperava sobre um leito de mármore.
O anúncio dizia «sessão erótica gratuita para rapazes jovens». O que não dizia, e eu entendi perfeitamente, era como ele pretendia me cobrar naquela noite.
Matías abriu descalço, com aquele meio sorriso que não escondia nada. Atrás de Andrés, Esteban já respirava em sua nuca. Os três sabiam por que tinham ido.
Subi para entregar uns papéis e desci com um desconhecido que cheirava a perfume caro. Então o elevador travou, as luzes morreram e tudo mudou entre nós.
Tinham montado a tela, servido a sidra e aguentado os murmúrios. Sozinhos enfim na praça vazia, só restava uma coisa a fazer: subir para o sótão.
Ele passou dias me olhando só pela tela. Quando a porta finalmente se fechou atrás de nós, eu soube que aquela noite ia recuperar cada hora roubada pela distância.
Ele perdeu as chaves diante da porta do único vizinho sobre quem todos o alertavam, e naquela tarde de verão decidiu descobrir por quê tanto mistério.
Estava duas semanas sem gozar e a imaginação me pregou uma peça no meio do turno. O que eu não esperava era que alguém percebesse antes de mim.
Achei que era coisa da minha cabeça, até encontrar um número escrito no plástico do lencinho que o comissário me entregou ao descer do avião.
Nove e meia da manhã, uma planilha do Excel pela metade e, de repente, o corpo nu do namorado roçando sua nuca. Trabalhar ia ser impossível.