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Relatos Ardientes

O calor daquela noite com minha filha na costa

Tenho cinquenta e quatro anos e, embora os fios brancos já tenham tomado minhas têmporas, ainda sustento o olhar no espelho como um homem inteiro. Minha vida se quebrou e recomeçou há dezessete anos, quando Marcela decidiu que nossa casa havia ficado apertada para ela e foi embora com um sujeito que prometia a intensidade que eu nunca soube lhe dar. Eu tinha trinta e sete anos e uma filha de apenas três, que se tornou meu único rumo.

A dor daquele abandono se transformou numa rotina necessária, e, com os anos, a felicidade deixou de ser um projeto de casal para virar um pacto silencioso entre Renata e eu. Tive minhas aventuras, claro, corpos de passagem que se desfaziam assim que eu abria a porta do apartamento e ouvia a voz dela me chamando da sala. Nenhuma mulher jamais conseguiu romper essa bolha que compartilho com minha filha.

Mas algo mudou no ar desta casa. Renata já não é a menina que buscava minha mão. Aos seus vinte anos, é uma loira de beleza quase irreal, com um rosto delicado de inocência enganosa e uns olhos verdes que parecem ler meus pensamentos antes mesmo de eu colocá-los em ordem. Às vezes, ao afastar uma mecha, encontro em seus traços um eco de Marcela que me congela o sangue, como se o destino me devolvesse uma versão corrigida do que perdi.

Não sou um monstro e, antes que você me condene, leitor, peço que não me julgue sem entender o peso desses anos de solidão. O desejo nasceu na tarde em que entrei no quarto dela para deixar a roupa limpa e a encontrei aparentemente dormindo, de bruços, com a camiseta subindo até a cintura e uma tanguinha minúscula que desaparecia entre suas nádegas brancas. Fiquei ali, com o pulso latejando nas têmporas, devorando a palidez de sua pele.

***

Era domingo e o silêncio do apartamento pesava, carregado por um calor que não queria ir embora. Eu estava na sala de jantar, cercado de papéis, tentando manter as mãos ocupadas, quando ouvi seus passos leves e soube que ela parava bem atrás de mim.

—Ainda trabalhando, pa? Não cansa? —sussurrou no meu ouvido, e seu hálito eriçou minha nuca—. Melhor deixar que eu te ajude.

Ela se sentou na beirada da mesa, bem em cima do que eu revisava. Usava um short tão curto que deixava à vista quase toda a extensão das pernas, e uma blusinha de alças que não escondia nada. Por cima do cós aparecia a linha preta de uma calcinha igual à daquela tarde. Ela me olhou com uma malícia que me cortou a respiração.

—Por que você me olha assim? —perguntou, inclinando a cabeça—. Estou te distraindo?

Não soube o que responder. Ela sabe perfeitamente o que faz, pensei, e essa certeza me assustou mais do que o desejo.

Os dias seguintes foram um exercício de resistência. Renata parecia decidida a habitar cada centímetro do meu espaço: vinha por trás na cozinha para alcançar alguma coisa, deslizando o corpo contra minhas costas; atravessava o corredor com aqueles shorts minúsculos, balançando uma bunda empinadinha que me obrigava a desviar o olhar; e, ao se sentar no sofá, deixava cair as pernas sobre as minhas sem pedir licença. “Você está bem, pa? Ficou sério de repente”, dizia, e seus olhos verdes me buscavam com uma insistência que não tinha nada de inocente.

***

Aconteceu numa terça-feira à tarde. O calor era sufocante quando Renata se abaixou à minha frente para pegar uma caneta debaixo da mesa. Ela não estava de sutiã. Ao se inclinar, o decote da camiseta cedeu à gravidade e me deixou uma visão desimpedida do peito: dois seios pequenos e firmes, coroados por mamilos claros que se destacavam como dois botões perfeitos.

—Aqui está —disse, erguendo-se com um sorriso que me deixou em xeque—. Está bem, pa? Ficou todo vermelho. O calor te afetou?

Ela sustentou meu olhar com aqueles olhos que tanto me lembravam Marcela, mas com uma malícia que deixava claro que sabia exatamente o que eu acabara de ver. Não se cobriu. Permaneceu ali, com uma mão no meu ombro, enquanto o aroma de sua pele me cercava.

***

Foi sob essa atmosfera elétrica que chegou a ligação do meu irmão. Era aniversário dele e ele não aceitava um “não”. Queria que fôssemos a Caleta Brava, para aquela casa de frente para o mar da Costa Bermeja que tem sido nosso refúgio desde que Marcela foi embora. Pensei que a mudança nos faria bem, que o estrondo do oceano me devolveria a lucidez que a rotina com Renata me roubava, embora uma parte de mim soubesse que levar nossa tensão para um paraíso tropical era aproximar um fósforo de um rastro de pólvora.

A viagem foi longa, cruzando a serra sob um sol que parecia querer derreter o asfalto. No confinamento do carro, Renata esticava as pernas sobre o painel, buscava minha mão para trocar a música, ignorando — ou talvez gostando — de como sua proximidade me obrigava a apertar o volante com os nós dos dedos brancos.

A casa do meu irmão estava lotada. Entre o barulho das risadas, ele soltou a notícia: o quarto dos fundos era para nós dois, e o ar-condicionado estava falhando.

—Não tem jeito, Beto. Já encheu tudo. Vai fazer calor, mas se abrirem as janelas, à noite refresca — disse, dando de ombros.

Renata não objetou nada. Minutos depois, vi-a sair para a varanda com um biquíni azul-celeste minúsculo que mal continha seu corpo. Parecia tanto com Marcela naquele cenário que o tempo pareceu se dobrar, mas minha filha tinha uma segurança que a mãe nunca teve.

***

O almoço deu lugar à festa, e a festa a uma maratona de risadas e garrafas sob as palapas. Renata dançava descalça na areia, cantava a plenos pulmões aquelas músicas antigas que meu irmão colocava, com os olhos verdes acesos pelo álcool e pelo sal.

—Vamos, sobrinha, um gole pra você sentir o trópico! —meu irmão lhe aproximou a garrafa de mezcal.

Ela não se fez de rogada. Jorrou a cabeça para trás e deixou o líquido queimar sua garganta, enquanto eu a observava da minha cadeira, sentindo o mezcal me desinibindo. À medida que a noite avançava, ela voltava para o meu lado para me abraçar pelo pescoço ou sentar um instante no meu colo, deixando o rastro de sua pele úmida sobre meus ombros. Em um desses momentos, enquanto se inclinava para rir de uma piada do tio, a blusa cedeu e, por um segundo eterno, seu peito ficou exposto diante dos meus olhos. Tive de cravar os pés na areia para disfarçar a evidência da minha excitação diante de toda a família.

***

A noite se fechou com o estrondo das ondas e o cansaço do álcool sobre as pálpebras. Caminhamos até o quarto dos fundos, meio trôpegos. Ao entrar, o ar estava estagnado; o ar-condicionado mal soltou um gemido inútil antes de se render.

—Tem que abrir as janelas —murmurou ela, arrastando as palavras com uma sensualidade que eu não soube dizer se vinha da bebida ou de saber-se me encurralando.

Escancaramos tudo, deixando o rugido do mar inundar o quarto. Fiquei só de cueca. Renata entrou no banheiro para tirar o biquíni; a porta, inchada pela umidade, não fechou por completo e deixou uma fresta que virou minha condenação. Não consegui evitar: espiei-a de costas, secando o sal com uma toalha. Vestiu uma camiseta regata branca e uma calcinha mínima que mal cobria a redondeza da bunda, e voltei para o meu lado da cama antes que ela saísse.

Nós nos acomodamos sob o suor e a penumbra tropical. Deitei para um lado, dando-lhe as costas, olhando para a janela. Mas Renata não demorou a encurtar a distância. Se acomodou à minha frente, também de costas, e, ao recuar em busca do meu calor, sua bunda afundou diretamente contra minha virilha.

O contato foi um choque. Meu corpo, traidor e carregado de mezcal, reagiu com uma ereção dura que empurrou contra o tecido de sua calcinha. Ela não se afastou. Ao contrário: recostou-se ainda mais, prendendo meu volume entre suas nádegas. Sentia o aroma de coco do cabelo invadir meus sentidos, enquanto o rugido do mar marcava o ritmo do meu pulso desgovernado.

Fiquei imóvel, prendendo a respiração. É a inércia do álcool, nada mais, repetia para mim mesmo. Mas o suor nos unia numa camada pegajosa e suas nádegas continuavam ali, se moldando contra mim. Não sei em que momento minha mão deixou a beirada do colchão. Começou como um roçar quase imperceptível em sua cintura, a ponta dos dedos percorrendo a curva da coxa. Renata não se enrijeceu: soltou um longo suspiro e se acomodou ainda mais contra mim.

Deslizei a mão para cima, por sua cintura, até meus dedos encontrarem, sob a camiseta, a curva do seio. Não havia nada ali além de sua pele ardendo. Ao roçar um mamilo com a ponta do polegar, um gemido abafado escapou de seus lábios. Então ela deixou de fingir que dormia. Procurou minha mão com a dela e pressionou minha palma contra o peito, como se quisesse que eu tomasse posse daquele corpo que vi crescer sob meu teto. Virou-se sobre o colchão com uma lentidão calculada até ficar de frente.

—Já não estamos na casa da cidade, pa —sussurrou, e seu hálito de mezcal foi a faísca final.

***

Suas palavras demoliram o último muro. Puxei-a para mim e a distância desapareceu.

—Quer que a gente continue, pa? —perguntou num fio de voz, com aquela expressão que tanto me lembrava Marcela, mas com uma entrega que era só para mim.

Não consegui articular palavra. Simplesmente assenti, aceitando o naufrágio dos meus princípios. Ela sorriu com uma ternura que me partiu a alma e me deu um beijo suave, quase uma despedida de nossa vida anterior. Mas o gesto durou pouco: com a agilidade da juventude, montou em mim.

Sentir o peso de seu quadril sobre minha ereção arrancou de mim um grunhido. Ela me segurou o rosto com as mãos e desceu para me beijar, e dessa vez não houve ternura: foi um beijo faminto, carregado de todo o desejo que ambos tínhamos mantido trancado. Minhas mãos desceram até afundar nas suas nádegas, sentindo através do tecido uma umidade que não vinha só do calor da costa. Sem parar de se mover, ela tirou a camiseta por completo e ficou diante de mim como uma visão proibida: o tronco pequeno, encharcado de suor e sal, os mamilos claros apontando para o meu rosto.

—Você não faz ideia de quantas vezes eu imaginei isso —confessou ao meu ouvido, com a voz partida—. Queria que você me visse assim. Queria que me tocasse assim.

Começou a traçar um caminho com a língua, descendo pelo meu pescoço, pelo meu peito, até chegar à borda da cueca. Enfiou os dedos sob o elástico e a puxou de uma vez, deixando meu pau livre, inchado na penumbra. Ficou um instante contemplando-o e depois abriu a boca e me cercou com a ponta da língua antes de me engolir por completo. O calor de sua garganta era uma fornalha em comparação com a brisa salgada. Eu sentia a pressão dos seus lábios e a maciez da sua língua me percorrendo, enquanto suas mãos me seguravam firme pela base.

Vê-la ali, ajoelhada entre minhas pernas, acabou por dinamitar o que restava da minha compostura. A menina que protegi havia se transformado na mulher que me reclamava como homem. Não aguentei mais esse suplício: segurei-a pelos ombros e, num movimento impulsionado pelo álcool e pelo desejo, a coloquei de barriga para cima. Renata soltou um arquejo que terminou numa risada rouca enquanto suas pernas se abriam para me receber.

Me ajoelhei entre suas coxas e baixei sua calcinha molhada devagar, descobrindo um púbis depilado, uma pele branca e lisa que brilhava de suor. Enterrei o rosto ali mesmo, sem reservas, separando suas dobras para encontrar o centro da sua tormenta. No primeiro contato da minha língua, ela arqueou as costas com tanta violência que a cabeça bateu na cabeceira.

—Pa! —gritou, e a voz já não tinha nada de infantil; era um clamor desesperado.

Me enfiei nela com sede, as mãos apertando suas coxas para mantê-la aberta enquanto minha língua trabalhava num ritmo fechado. Eu a sentia tremer, os dedos enroscados no meu cabelo grisalho, o quadril buscando minha boca. O som das minhas sucções se misturava aos gemidos cada vez mais altos, desafiando o silêncio da casa do meu irmão.

—Mais, pa... aí! —ofegava, arqueando a pelve como se quisesse devorar meu rosto.

Me detive por um segundo e ela não aguentou mais. Ergueu-se de repente, com o cabelo colado à testa e os olhos verdes acesos, me obrigou a subir até que meu corpo de cinquenta e quatro anos ficasse sobre o dela.

—Me mete, pa —me disse ao ouvido, com a voz rouca—. Quero sentir você todo dentro, quero saber como é ser sua de verdade.

Sua mão agarrou meu membro pela base e o guiou até sua entrada. Empurrei com uma lentidão torturante, saboreando como sua estreiteza me abraçava milímetro por milímetro. Renata soltou um lamento longo e profundo que me lembrou que ela já não era a menina que eu protegia, mas a mulher que estava me devorando. Começou a mover os quadris para cima, buscando mais profundidade, e eu agarrei suas mãos, entrelaçando os dedos contra o travesseiro, enquanto começava a estocar com uma fúria que eu não sabia que guardava. A cama rangia, o ar cheirava a sexo e salitre, e eu só via o rosto dela iluminado pela lua.

***

Quando paramos por um segundo para mudar o ritmo, me deixei cair sobre os lençóis encharcados e ela, com um movimento felino, se posicionou sobre mim. Completamente nua, a pele brilhando sob uma fina camada de suor, envolveu minha firmeza com os dedos, colocou-a em sua entrada e, com uma lentidão calculada para nos torturar os dois, começou a se abaixar.

Quando terminou de descer, soltou um gemido longo que vibrou por todo o quarto. Começou a cavalgar com urgência selvagem. O som da nossa união era um eco úmido e ritmado que denunciava o quanto ela estava encharcada, enquanto seus quadris desenhavam círculos que me faziam ver estrelas.

—Pa, eu adoro como você me preenche! —exclamou, com a voz quebrada, apoiando as mãos nos meus joelhos para subir e descer com mais força. Depois parou, tremendo de esforço—. Me põe de quatro. Quero que você me dê por trás.

Segurei sua cintura, sentindo minhas palmas escorregarem sobre a pele, e a conduzi até deixá-la apoiada sobre joelhos e antebraços. Suas costas se arquearem como as de uma felina, oferecendo aquela bunda empinadinha que tantas vezes me obrigou a desviar o olhar no corredor de casa. Me posicionei atrás, de joelhos, e com um único impulso me enfiei até a base. O impacto da minha pelve contra suas nádegas foi um plá úmido que ecoou por todo o quarto.

—Pa, isso, aí, não para! —ela gritava, enquanto o som da nossa carne se chocando se transformava numa música obscena.

O ritmo era frenético; aquele chapinhar úmido e constante virou o único pulso do quarto. Renata tinha os dedos cravados no colchão, os ombros sacudindo a cada investida.

—Pa, eu vou gozar já! —gritou, arqueando as costas ao máximo, enquanto seu corpo começava a convulsionar.

Sentir suas paredes apertando com aquela força desesperada foi o gatilho. No exato momento em que o primeiro espasmo me dobrou a coluna, saí de dentro dela com um puxão brusco. Meu pau saltou livre e descarregou toda a fúria contida sobre a base de suas costas, fios espessos escorrendo por sua pele molhada, perdendo-se naquela linha que tanto me obcecava.

Fiquei de pé atrás dela, respirando como um animal ferido. Renata, ainda de quatro, deixou o peito cair sobre a cama e virou o rosto para me olhar por cima do ombro, com os olhos nublados e um sorriso lânguido.

—Que gostoso, pa... —sussurrou com uma voz que era puro fogo.

***

O silêncio voltou ao quarto, interrompido apenas pelo rugido eterno do mar, que parecia nos conceder uma absolvição que nunca pedimos. Deixei-me cair ao lado dela, lutando para agarrar o ar denso e salgado. Meus cinquenta e quatro anos pesavam, mas era um peso glorioso, como se enfim eu tivesse largado um fardo que carregava havia metade da vida.

Renata se virou devagar até ficar de frente para mim. Seus olhos verdes, aqueles que tantas vezes me deixaram em xeque, me buscaram com uma fixidez nova. Já não havia malícia nem brincadeira, apenas uma aceitação profunda que me arrepiou a pele.

—Eu te amo, pa —sussurrou, e dessa vez sua voz não era uma arma, mas uma ponte.

Não soube o que responder. Limitei-me a percorrer seu rosto com o olhar, encontrando de novo aquele eco de Marcela, mas agora sem dor; era como se Renata tivesse exorcizado os fantasmas da casa com sua própria entrega. Afastei uma mecha de cabelo loiro colada na testa dela, e ela fechou os olhos, desfrutando do toque.

Nós nos acomodamos um contra o outro, o corpo pequeno dela encaixando-se no vão do meu. O sono nos reclamou logo, envolvendo-nos numa escuridão sem culpa, enquanto lá fora o mar seguia apagando pegadas na areia, alheio ao incêndio que acabáramos de consumir naquele quarto esquecido da costa.

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