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Relatos Ardientes

A travesti que cobra antes de abrir a porta

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Valentina conheceu Rodrigo numa quarta-feira daquelas que não prometem nada. Chovia, o bar do microcentro estava com metade da lotação, e ela tinha saído mais por tédio do que por vontade real de socializar. Usava um vestido verde-escuro e os lábios pintados de uma cor que não pedia licença. Rodrigo a viu atravessar o salão e não fingiu que não estava olhando.

Isso agradou a ela.

Quando ele disse, na segunda dose, que achava que tudo o que vale alguma coisa tem um preço, Valentina o encarou por cima do copo. Não era a primeira vez que ouvia algo assim, mas geralmente diziam com vergonha ou com vontade de pechinchar. Rodrigo disse como quem enuncia um fato.

— Essa é exatamente a minha filosofia — respondeu ela.

Nessa noite terminaram no apartamento dele, e o que aconteceu ali foi bom de um jeito direto e sem enfeites. Rodrigo a beijou com fome, enfiou a língua até o fundo da boca dela, apertou sua cintura com as mãos grandes e a levou contra a parede enquanto levantava o vestido pelas coxas. Valentina desabotoou a calça dele sem parar de beijá-lo, tirou a pica quente e dura e a chupou de joelhos até fazê-lo tremer a mandíbula. Quando ele a levantou, a sentou na cama, puxou a lingerie para o lado e enfiou os dedos no cu dela até deixá-la ensopada. Depois a penetrou devagar, olhando nos olhos dela, medindo a respiração dos dois, até o ritmo ficar mais bruto e o quarto começar a se encher de batidas de cama, gemidos e respirações cortadas. Sem promessas de nenhum tipo, que era exatamente como Valentina gostava de começar.

***

Nas semanas seguintes, Rodrigo foi mostrando que era homem de palavra. Não com grandes gestos: com os pequenos. A bolsa que ela tinha olhado duas vezes numa vitrine e que apareceu de repente numa sacola. O perfume que ele escolheu sozinho, sem consultá-la, e que acabou sendo exatamente o tipo de fragrância que ela usava. O dinheiro em espécie, deixado sobre a mesinha sem nenhum comentário, que era a forma mais limpa de falar de algo que, de outro jeito, exigiria rodeios.

Valentina aceitava tudo sem drama. Era uma troca entre adultos que sabiam o que estavam fazendo. O que faziam, além disso, era bom: Rodrigo tinha a calma dos homens que não precisam provar nada, e essa calma se traduzia numa maneira de estar com ela que não era nem servil nem arrogante. Era simplesmente clara.

Por isso, quando numa tarde ensolarada na varanda do apartamento ele propôs algo novo, Valentina o escutou sem interrompê-lo.

— Tenho três amigos — começou Rodrigo —. Falei de você pra eles.

— O que você contou?

— Que você é trans, que sabe o que faz e que não é de dar nada de graça.

Valentina esperou. Ele continuou:

— Eles se interessaram. No sábado podiam vir. Cada um traria um presente e dinheiro em espécie. Passariam a noite.

— Quanto é o dinheiro? — perguntou ela.

Rodrigo mencionou uma quantia por pessoa. Valentina fez as contas sem deixar transparecer.

— E presentes que valham alguma coisa — disse.

— Combinado.

— Então sábado.

Não foi uma pergunta. Rodrigo assentiu e voltou a olhar a rua da varanda, como se tivessem acabado de combinar o lugar do jantar.

***

O sábado foi se preparando durante duas horas.

Não porque a preparação levasse esse tempo, mas porque o ritual fazia parte do evento. Ela escolheu o vestido vermelho, o mais curto que tinha, com um brilho que não era discreto porque não tinha por que ser. Por baixo: lingerie preta de renda, cinta-liga, meia arrastão. O salto lhe dava doze centímetros a mais e a certeza de que qualquer quarto em que ela entrasse iria notar.

Diante do espelho do banheiro, se olhou com a objetividade de quem conhece bem o próprio corpo. Os quadris que trabalhara durante anos, os glúteos, a cintura. O lábio superior perfeitamente delineado. Depilada, perfumada, sem um único detalhe malcuidado.

Não era vaidade. Era o tipo de preparação que faz alguém que vai se apresentar nos próprios termos.

O táxi a deixou na porta do prédio exatamente na hora combinada. O porteiro a anunciou sem comentários. O elevador subiu em silêncio.

***

Os quatro homens estavam na sala quando ela entrou. Rodrigo, que ela já conhecia: alto, seguro, a mesma calma de sempre. Bruno, o mais corpulento, com ombros que denunciavam anos de academia e um olhar direto que não incomodava. Matías, moreno, com um sorriso que era quase um aviso do que vinha pela frente. Sebastián, o mais novo dos três, que a olhava com essa mistura de desejo e nervosismo que Valentina achou, entre todos, a mais interessante.

Sobre a mesa da sala havia quatro pacotes embrulhados e quatro envelopes.

Rodrigo fechou a porta.

— Aqui está — disse, simplesmente.

Os três olharam. Valentina deixou que olhassem o tempo que precisassem.

Bruno se aproximou primeiro e lhe entregou o envelope e uma caixa estreita. Valentina a abriu sem pressa: um colar de prata com um pingente pequeno. Olhou-o à luz por um momento, segurou-o na palma da mão, deixou-o de lado. Matías lhe deu uns brincos de ouro grosso e um envelope mais volumoso que o anterior. Sebastián, com essa mistura de vontade e atrapalhação que o definia, lhe alcançou um relógio feminino com pulseira de couro e seu próprio envelope, sem tirar os olhos dela enquanto fazia isso.

Valentina abriu os quatro envelopes um por um, contou-os discretamente e guardou o dinheiro na bolsa junto com as joias.

Depois olhou para todos eles.

— Obrigada — disse. — Agora podemos começar.

***

Não começaram em caos. Rodrigo colocou música, houve mais vinho, e os primeiros minutos tiveram aquela tensão particular das coisas que vão acontecer, mas ainda não. Valentina se acomodou no sofá grande e deixou que Matías se sentasse perto, que colocasse a mão na sua coxa, que essa mão subisse devagar até onde o vestido terminava. Quando chegou à borda, ela a deteve com um simples gesto.

— Como você quer? — ele perguntou.

— Devagar primeiro — disse Valentina. — Depois como quiserem.

O que se seguiu durante os primeiros vinte minutos foi uma negociação sem palavras. Valentina marcava os tempos com pequenos gestos: quem podia se aproximar, a quem pedia que esperasse, em que ordem conduzia as coisas. Bruno e Matías se moviam com atenção. Sebastián permanecia perto sem pressionar. Rodrigo observava de longe com aquela calma que ela já conhecia.

Quando Valentina decidiu que era hora de mudar o ritmo, foi ela quem deu o primeiro passo. Ajoelhou-se na frente de Matías, baixou o zíper dele e tirou a pica dura, pesada, brilhando de pré-gozo, para colocá-la na boca sem pressa. A língua dela contornou a glande, chupou a ponta, percorreu o eixo com uma precisão obscena. Bruno foi para trás, abriu as pernas dela e enfiou dois dedos no cu enquanto ela continuava mamando, fazendo-a ofegar. Sebastián se aproximou e ela o puxou pelo cinto para colocar a rola diante do rosto dele, obrigando-o a ver como ela alternava entre chupar e respirar pelo nariz, com os lábios brilhando de saliva e os dedos do outro homem afundados na sua umidade.

— Que jeito de trabalhar — murmurou Matías, com os dedos enredados no cabelo dela.

Valentina continuou sem parar. Engoliu a pica até a garganta, marcou-a com a língua ao retirar a boca e depois fez Bruno sentar para montá-lo no sofá. Roçou a ponta contra o sexo, deslizou sobre ele devagar, sentindo-o a abrindo centímetro por centímetro, o calor lhe enchendo a barriga. Quando já o tinha dentro por inteiro, ergueu-se um pouco e desceu de novo, marcando ela mesma o ritmo, esfregando o clitóris contra o púbis de Bruno até os dois começarem a respirar mais forte. Rodrigo, de um lado, segurou o rosto dela com uma mão e enfiou dois dedos em sua boca para que ela os chupasse enquanto o resto do quarto se tornava puro ofegar.

***

Bruno foi o primeiro a se colocar atrás. Ele a preparou com paciência porque Valentina exigiu isso sem palavras: um gesto, uma postura, a maneira de abrir ligeiramente os joelhos e esperá-lo. Quando enfim empurrou, foi devagar, centímetro por centímetro, sentindo o corpo dela ceder com uma resistência que não era rejeição, mas pura tensão.

Valentina soltou o ar com força.

A ardência inicial era exatamente o que ela procurava. Essa fronteira entre o incômodo e algo completamente diferente, que só se atravessa quando há tensão real e o corpo está todo presente. Quando Bruno entrou por completo, apoiou a testa nos braços cruzados sobre o encosto do sofá e respirou uma vez, devagar.

— Agora sim — disse.

As investidas de Bruno eram regulares e pesadas, com a cadência de quem sabe que tem tempo. Valentina usou esse ritmo como base e continuou com Matías, que estava ajoelhado à sua frente, lambendo-lhe o cu aberto, separando-lhe os lábios com a boca e a língua até fazê-la gemer de verdade. Rodrigo se aproximou de lado e passou os nós dos dedos pelo rosto dela com uma suavidade que contrastava com o resto. Valentina o olhou por um segundo, só um segundo, e nesse cruzamento de olhares aconteceu algo que não fazia parte de nenhum acordo.

Bruno gozou com um som apertado. Sebastián ocupou o lugar dele antes que Valentina terminasse de processar a mudança, e foi diferente: mais urgente, menos técnico, com a energia bruta de alguém que passou semanas imaginando exatamente aquilo. Valentina segurou a nuca dele, obrigou-o a lamber-lhe a virilha enquanto guiava o rosto dele com dois dedos, até encontrar o ponto exato em que o corpo dele se quebrou. Depois abriu a boca dele e pôs a pica na mão para que ele mesmo a segurasse enquanto ela movia o quadril, procurando o ângulo.

Quando encontraram, ela mesma sentiu a diferença.

As pernas lhe tremeram. Não foi encenação. Ela apoiou as mãos no encosto e deixou que o solavanco a atravessasse sem resistir, com as costas arqueadas e a mandíbula cerrada. Sebastián sentiu a contração e se perdeu junto com ela, a testa no ombro dela, os braços apertados na cintura, um som gutural que não conseguiu controlar.

Depois foi a vez de Matías, que a colocou contra a parede, uma perna de Valentina levantada. Abriu-lhe o cu com os dedos primeiro, devagar, antes de enfiar a pica de uma vez quando ela já estava pronta, as costas coladas no vidro frio e os saltos fincando-se no piso. Ele a penetrou de pé e encontrou um ângulo que fez com que ela fechasse os olhos com força. O próprio corpo dela respondeu sem que ninguém a tocasse, e Valentina gozou pela segunda vez com as palmas espalmadas contra o vidro frio e os saltos batendo na parede num ritmo que não era intencional.

— Não para — foi a única coisa que ela disse.

Matías não parou. Quando gozou dentro dela, fez isso com um rugido que encheu a sala.

***

Rodrigo a levou para o quarto quando os outros três já descansavam espalhados no sofá.

Fechou a porta. Despiu-a sem pressa, tirou os saltos um por um, ajeitou-a sobre a cama. Depois a olhou em silêncio por um instante, e essa pausa foi diferente de tudo o que tinha acontecido naquela noite.

— Você está bem? — perguntou.

— Sim.

— Tem certeza?

— Rodrigo. — Ela disse com aquele tom que mistura reproche e afeto. — Sim.

O que veio a seguir foi diferente do resto da noite. Não necessariamente mais suave, mas com outro peso. Rodrigo a conhecia havia semanas: sabia como ela se movia, onde colocava as mãos, quando queria que ele acelerasse e quando queria que esperasse. Não havia necessidade de instruções. Valentina fechou os olhos e deixou que essa diferença a levasse para onde a levou: sem pressa, sem performance, com a mesma honestidade com que tinham começado tudo entre eles. Ele beijou seus seios, chupou seus mamilos até endurecê-los, abriu suas pernas e a fez gozar com a língua antes de voltar a penetrá-la devagar, firme, com a pica entrando e saindo até encontrar aquele ponto que a fazia apertar as coxas. Quando Rodrigo gozou, fez isso dentro. Depois ficou quieto um momento por cima dela, o rosto no pescoço dela, a respiração se acomodando.

O silêncio do quarto era diferente do da sala. Mais denso. Mais pessoal.

***

Valentina saiu do quarto vinte minutos depois.

Vestiu-se diante do espelho do banheiro: vestido no lugar, lábios retocados, cabelo arrumado. Os saltos voltaram aos pés. A bolsa, com os quatro envelopes e as joias dentro, contra o corpo.

Na sala, os outros três descansavam em ângulos diferentes do sofá. Ninguém falou. Valentina os olhou e fez um gesto breve com a cabeça, que era ao mesmo tempo despedida e reconhecimento. Sebastián ergueu a mão num gesto desajeitado. Bruno assentiu. Matías a encarou com aquele sorriso de antes, mas agora mais suave.

Rodrigo a acompanhou até a porta do apartamento.

— Semana que vem os mesmos, se você quiser — disse. — Posso acrescentar um quarto.

— Semana que vem o preço é outro — respondeu Valentina.

Rodrigo sorriu. Era exatamente a resposta que esperava.

— Combinado.

O elevador desceu em silêncio. Lá fora, o táxi que ela havia pedido esperava com o motor ligado. Valentina atravessou o hall com os saltos ecoando no mármore e o porteiro a cumprimentou com o mesmo gesto neutro com que a recebera horas antes.

Ela respondeu com uma breve inclinação de cabeça.

Dentro do táxi, com a cidade passando pela janela e o peso dos envelopes na bolsa, sentiu a satisfação tranquila de quem chegou a um lugar nos próprios termos e o deixou da mesma maneira. Sem dever nada a ninguém. Sem que ninguém lhe devesse nada.

Era exatamente como ela gostava de terminar as coisas.

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