Meu chefe me desafiou a me vestir de mulher e eu aceitei
Sempre levei os comentários dele como uma brincadeira de escritório, até a noite em que fechei a mala, me maquiei diante do espelho e bati na porta dele.
Sempre levei os comentários dele como uma brincadeira de escritório, até a noite em que fechei a mala, me maquiei diante do espelho e bati na porta dele.
Eu o imaginei por anos do outro lado da parede. Naquela noite, sozinha na casa da minha tia, foi ele quem apertou a campainha.
Eu tinha vinte e quatro anos e achava que conhecia meu desejo, até que as mãos dela guiaram as minhas sobre a pele besuntada e eu entendi que aquela tarde mudaria tudo.
Tenho 34 anos, uma cabeleira loira até a cintura e um desejo que já não escondo: vivo para obedecer. Esta é minha apresentação, sem pudor e sem filtros.
Os três meses viraram nove, e entre cachoeiras e orquídeas descobri que meu corpo diferente não era condenação, mas o centro do desejo que a aldeia celebrava.
Renata queria ocupar mais espaço; Damián, deixar de decidir. O ritual lhes concedeu exatamente isso, e na manhã seguinte seus corpos passaram a obedecer a outro desejo.
Cheguei à porta dele com uma mochila, sem família e sem volta. Ele voltava do trabalho às cinco e meia, e eu só queria ser a mulher que sempre soube que era.
Quando o caso me obrigou a me vestir de mulher pela primeira vez, eu não imaginava que a mulher no espelho, Lía, acabaria me arrastando para uma noite que mudou tudo.
Quando Sofia me sussurrou ao ouvido que naquela noite não estaríamos sozinhas, senti um arrepio que não soube se era medo ou tesão. O desconhecido já subia as escadas.
Eu me arrumava mil vezes em frente ao espelho do meu quarto, mas naquela noite, pela primeira vez, não era para mim só. Alguém me esperava do outro lado da porta.
Acordei ainda de salto, com uma voz sussurrando que não havia volta: a cada dia eu seria um pouco mais Lola e um pouco menos eu.
Subi o anúncio sem esperar muito, mas na manhã seguinte havia uma mensagem diferente de todas as outras: direta, sem rodeios, com a voz de um homem que sabia o que queria.
Uma semana depois daquela primeira noite, meus pés me levaram sozinhos de volta ao cabaré. Verónica me esperava com uma caixa de veludo e uma sentença.
Tenho 46 anos e nunca contei isto a ninguém. Entrei sozinha numa oficina sem saída, aceitei a primeira cerveja e parei de pensar em voltar para casa.
Não saberia dizer se eu gostava de tudo naquela criatura ou de nada; só sei que, naquela tarde de calor, diante do espelho, um estranho deixou de me penetrar e começou a nascer outro eu.
Ninguém me ensinou a nomear o que eu sentia cada vez que fechava a porta do banheiro com a lingerie dela nas mãos e deixava sair a que eu carregava dentro.
Bastava fechar a porta, vestir a renda e acender a luz para deixar de ser Damián. O que ele não sabia era quem o observava do outro lado.
Eu estava há dois anos sem me vestir. Então encontrei a chave do quarto que a dona me pediu para não abrir, e lá dentro havia tudo o que eu precisava.
Troquei de roupa, passei perfume de coco e voltei ao bar com um único plano na cabeça: descobrir se aquele sorriso era sério.
Ele achou que o vestiário estava vazio ao entrar no chuveiro. Não contava com dois desconhecidos observando-o — nem com a tesão que isso despertaria.