A aposta que quase saiu do meu controle
A noite começou como todas as noites em que algo muda: sem avisar.
Valeria estava há uma hora e meia sentada diante de Marcos no Bar Mirena, um lugar de luz baixa e música que ninguém realmente ouvia, conversando sobre o que se conversa quando duas pessoas se conhecem bem, mas ainda estão se descobrindo: trabalho, uma série que ninguém termina, aquele amigo em comum que sempre promete e nunca aparece. Nada urgente. Tudo agradável. O tipo de conversa que se sustenta sozinha e não exige nada.
Foi Marcos quem mudou o rumo.
—Você já foi pedir alguma coisa no balcão de um bar sozinha? —perguntou, girando o copo devagar sobre a mesa.
—Claro. Constantemente.
—E alguém falou com você?
Valeria pensou por um momento. —Não especialmente.
Marcos tinha aquela forma de olhar que ela já reconhecia: metade observação e metade proposta, como se ele estivesse há muito tempo preparando o que ia dizer. Ele a examinou de cima a baixo, rápido, sem disfarçar.
—Tenho uma teoria —disse.
—Sobre o quê?
—Sobre o que acontece quando uma mulher como você se deixa ver.
Valeria cruzou os braços. —“Uma mulher como eu”?
—Atraente. Que não mostra isso.
Ela olhou para a própria roupa: blazer de lã escuro, blusa fechada até o pescoço, calça. Roupa de quarta-feira, de sair sem intenção especial, de não ser vista.
—O que você está me propondo soa como um experimento —disse.
Marcos sorriu. —Estou te propondo subir um pouco a aposta esta noite. Que você vá até o balcão, peça algo e veja o que acontece. Eu vou ficar olhando daqui. Se alguma coisa não te agradar, você me faz um sinal e eu chego perto. Se quiser me apresentar como seu namorado para sair de uma situação, me chama e eu vou.
Valeria não respondeu de imediato. Olhou para a própria taça. Olhou para Marcos.
—E se nada acontecer? —perguntou.
—Então provamos que a minha teoria está errada. —Ele fez uma pausa. —Mas eu não acho que esteja errada.
***
Cinco minutos depois, Valeria estava diante do espelho do banheiro do Bar Mirena com a blusa desabotoada dois botões a mais do que o habitual. Tinha tirado o blazer. Além disso, estava usando uma minissaia que tinha vindo por cima da calça, um capricho da tarde, uma peça preta e curta que ela nunca imaginou que fosse usar naquela noite, e que agora parecia mais útil do que o previsto.
Isso é uma idiotice, pensou. E então: por que não?
Olhou-se uma última vez. Reconheceu-se, mas diferente. Uma versão de si mesma que não costumava tirar para passear com frequência. Não era desconfortável. Era só estranho, como vestir um casaco que você não usa há anos e descobrir que ele ainda serve. Enfiou a mão por baixo da saia e conferiu, quase por reflexo, se a calcinha ainda estava no lugar; o algodão estava morno e já um pouco mais úmido do que ela gostaria de admitir. Só de imaginar a cena — ela sozinha no balcão, três desconhecidos olhando para ela — o cuzinho já tinha começado a latejar.
Saiu do banheiro.
***
O balcão era de madeira escura, com banquetas altas e pouco espaço entre elas. Valeria caminhou até lá com passos mais lentos do que o habitual — não porque decidisse isso, mas porque foi assim que saiu — e se sentou. Cruzou as pernas de modo que a saia ficou ainda mais curta. Pediu um Negroni ao barman, que serviu sem comentários.
Durante dois minutos, nada aconteceu. Deu um gole. Olhou o gelo no copo. Olhou o barman conversando com outro cliente. Perguntou-se se Marcos a observava da mesa.
Então alguém se sentou à esquerda dela.
—Desculpa. Vi que você pediu alguma coisa, mas não ouvi o quê. Pode me dizer?
Ela se virou. Era jovem, com o cabelo castanho um pouco comprido e uma camisa verde com as mangas arregaçadas. Ele a olhava com uma curiosidade que não parecia forçada.
—Negroni —respondeu Valeria.
—Nunca tomo. É amargo?
—Bastante.
—Hoje eu tô afim de provar alguma coisa nova. —E então acrescentou, num tom que oscilava entre o casual e o intencional: —O bar está cheio de coisas interessantes.
Valeria tomou outro gole sem responder de imediato. Procurou Marcos com o olhar. Encontrou-o na mesa do fundo, com os cotovelos apoiados nos joelhos, olhando diretamente para ela.
O rapaz se chamava Andrés. Falou durante alguns minutos de coisas sem importância — o bairro, o calor das últimas semanas, um jogo que tinha visto naquela tarde — enquanto o barman lhe servia o Negroni. Os dois brindaram sem que ninguém propusesse formalmente, com uma naturalidade que Valeria achou desconcertantemente fácil. Os olhos de Andrés desciam ao decote a cada duas frases, sem disfarçar, e ela percebeu que gostava de vê-los descer.
Sentiu um formigamento que não soube se chamar de nervosismo ou de algo mais interessante. Entre as coxas, não havia mais dúvida do que era: o cuzinho estava encharcado, e a calcinha grudava nos lábios com uma umidade morna e pegajosa que ela não tinha pedido e que também não conseguiria esconder.
***
O segundo homem chegou pela direita, sem que Valeria o ouvisse se aproximar.
—Com licença. Não quero interromper, mas estou sentado aqui ao lado há um tempo e queria te dizer uma coisa.
Valeria se virou para ele. Era mais velho que Andrés, com barba curta e olhos claros que a olhavam com uma calma que lhe pareceu mais inquietante que a energia direta do primeiro.
—Que coisa? —perguntou.
—Que é difícil não olhar para você.
Não era um elogio elaborado. Era direto e sem enfeite, dito com a tranquilidade de alguém que não teme a rejeição porque também não a busca como objetivo principal. Chamava-se Santiago.
Agora ela tinha os dois ao lado. Andrés à esquerda com seu Negroni, Santiago à direita com um uísque pousado no balcão. Os três acabaram brindando, quase sem que ninguém propusesse, e Valeria sentiu aquela mistura estranha de adrenalina e desorientação que surge quando algo inesperado começa a acontecer e você, em vez de recuar, fica parada para ver aonde vai dar.
Santiago encostou o joelho no dela. Não foi casual. Manteve o olhar enquanto fazia isso, e Valeria percebeu os mamilos endurecendo dentro do sutiã, tão de repente que foi impossível não descer os olhos por um segundo para conferir se estava marcando por baixo da blusa. Estava.
Olhou para a mesa do fundo. Marcos continuava lá, observando-a.
***
Foi Santiago quem sugeriu mudar de lugar.
—Estamos muito apertados aqui. Vamos para uma mesa?
Valeria deveria ter dito não. Pensou isso com clareza absoluta: a resposta certa aqui é não. Em vez disso, começou a andar até a mesa onde Marcos estava, com os dois homens seguindo atrás, e, quando chegou, fez as apresentações com uma voz mais tranquila do que se sentia.
—Marcos, estes são Andrés e Santiago. Eles estavam me fazendo companhia no balcão.
Marcos os avaliou rapidamente, indicou os lugares livres com o queixo e os convidou a sentar com uma hospitalidade que Valeria não soube se admirava ou censurava. A disposição ficou da seguinte forma: Andrés à esquerda dela, Santiago à direita, e Marcos em pé atrás.
E então Marcos colocou as mãos nos ombros dela.
Não era a primeira vez. Eles tinham esse tipo de confiança física que se constrói entre pessoas que se conhecem muito e ainda não cruzaram certa linha, um território intermediário onde o toque é normal, mas nunca totalmente inocente. Em outra circunstância, Valeria não teria pensado nada.
Nesta circunstância, ela notou tudo.
Os polegares de Marcos pressionavam devagar dos dois lados da nuca. Andrés falava de alguma coisa que Valeria já não escutava e, enquanto falava, apoiou a mão na coxa dela. Foi suave. Podia ter sido acidental.
Não era.
Valeria não disse nada. Continuou olhando para Santiago, que descrevia alguma coisa com as mãos, e registrou com uma parte do cérebro que os dedos de Santiago tinham roçado suas costas pela lateral do encosto, um contato mínimo, quase nada, como se ele explorasse o território antes de ocupá-lo.
Posso parar isso agora mesmo, pensou. Só preciso abrir a boca.
Não abriu a boca. Abriu, sim, mas só para puxar ar, e o ar entrou trêmulo porque a mão de Andrés tinha acabado de subir alguns centímetros pela coxa e ela estava abrindo as pernas sem ter decidido isso.
***
As coisas se movem desse jeito quando ninguém as interrompe: muito devagar no começo, e depois de repente.
A mão de Andrés subiu do joelho até a coxa. Não foi um movimento rápido, mas pausado, quase interrogativo, como se cada centímetro fosse uma pergunta que esperava resposta antes de avançar para o seguinte. O calor da palma dele através do tecido fez algo dentro de Valeria responder antes que sua cabeça tivesse tempo de opinar sobre o assunto. Entre as coxas, o tecido da calcinha já estava encharcado, colado ao cuzinho, e quando os dedos de Andrés chegaram à barra da saia e apalparam por cima do algodão, ele ficou imóvel por um segundo ao perceber o quão molhada ela estava.
—Porra —sussurrou Andrés, tão baixo que só ela ouviu—. Você está encharcada.
Ela não respondeu. Andrés afastou o tecido para o lado com dois dedos e tocou o cuzinho diretamente, pele contra pele, um roçar lento que arrancou de Valeria um solavanco involuntário nos quadris. Os dedos deslizaram pelos lábios sem quase apertar, recolheram a umidade, subiram até o clitóris e traçaram um círculo pequeno, deliberado. Valeria mordeu o interior do lábio para não gemer.
Por trás, Santiago tinha deslizado os dedos por baixo da barra da blusa e desenhava pequenos círculos sobre a pele da cintura. Um contato mínimo, quase nada, mas justamente por isso impossível de ignorar: a pele se arrepiou ali e não voltou ao normal. A mão subiu, passou por um botão, e sem desabotoá-lo conseguiu entrar até o sutiã. Os dedos de Santiago encontraram o mamilo por cima da renda e o apertaram devagar, primeiro um, depois o outro. Estavam duros demais. Estavam tão duros que até ela achou escandaloso.
E Marcos continuava com a massagem. As mãos tinham descido do pescoço aos ombros, largas e precisas, como se ele fizesse aquilo a vida inteira. Mas já não era massagem. Os polegares tinham afastado a gola da blusa e os dedos roçavam as clavículas, e de vez em quando desciam mais, até o início dos seios, em passadas cada vez menos disfarçadas.
—Você está bem? —perguntou Marcos no ouvido dela, com a voz quase inaudível por causa do barulho.
Valeria abriu a boca e não encontrou resposta. Havia uma versão dela que queria dizer que não, que aquilo era demais, que nunca estivera numa situação nem remotamente parecida e que o desconforto era completamente real. E havia outra versão, mais recente e mais silenciosa, que sentia os dedos de Andrés avançando pela parte interna da coxa e não encontrava a palavra “para” em nenhum idioma que conhecia.
—Você pode parar com isso quando quiser —disse Marcos—. É só falar.
Eu sei, pensou Valeria. Eu sei perfeitamente.
A mão de Andrés continuou subindo. Já não era uma pergunta: dois dedos afundaram no cuzinho até a junta, com uma lentidão que foi quase pior do que se tivessem ido rápido, e Valeria apertou as coxas em torno do braço do rapaz num reflexo que também podia ser lido como um convite para ele não tirar a mão. Andrés não tirou. Curvou os dedos para cima, procurou aquele ponto macio na parede da frente e, quando o encontrou, ficou ali, pressionando num ritmo pequeno, obstinado, que mandava para Valeria descargas diretas de prazer até o ventre.
A mão de Santiago se deslocou para o ventre dela, agora com mais segurança. Desabotou mais dois botões da blusa, quase com descaro, e tirou um seio do sutiã. Apertou-o, rolou-o entre os dedos e então, quando lhe pareceu que já não havia ninguém olhando do balcão — ou quando decidiu que não se importava — inclinou-se e o colocou na boca. A chupada foi curta, mas completa, com língua e dentes, e Valeria sentiu o puxão do mamilo conectado diretamente ao cuzinho, onde os dedos de Andrés continuavam cravados dentro.
E Marcos, por trás, avançou devagar até que os dedos roçaram a parte da frente da blusa, bem acima do decote. Um roçar. Só isso. O suficiente. Mas depois desceram, encontraram o outro seio, e a mão se fechou sobre ele com a firmeza calma de quem não tem pressa. Valeria sentiu o volume de Marcos contra a nuca. Ele estava em pé atrás dela, duro, e a rola se marcava através da calça contra a parte alta das costas de Valeria toda vez que ele se inclinava para sussurrar algo em seu ouvido.
—Olha pra você —disse Marcos, bem baixo—. Três caras em cima de você e você não fala nada.
A respiração de Valeria mudou de ritmo. Ela mesma percebeu e soube que os outros também perceberam. Soltou um gemido curto, abafado no braço, quando Andrés enfiou um terceiro dedo. Percebeu que estava prestes a gozar na mão do desconhecido num bar e que, se ele continuasse por mais trinta segundos assim, ela não conseguiria evitar.
Andrés se aproximou um pouco mais. O ombro dele roçou o dela. Com a outra mão, pegou o pulso dela e o levou para sua entreperna, por cima da calça. Valeria sentiu a rola dura sob o tecido, grossa, pulsando, e fechou os dedos em torno dela quase sem pensar. Apertou uma vez. Depois outra. Andrés soltou o ar pelo nariz.
Santiago inclinou a cabeça para o lado dela e disse alguma coisa em voz baixa que Valeria não processou porque, naquele momento, os dedos de Andrés chegaram à borda da roupa íntima e pararam ali, como se esperassem um sinal. Na verdade, já estavam dentro. Estavam dentro havia um bom tempo. Mas saíram por um instante, lambuzados e brilhando, e Andrés os levou à boca e os chupou, um por um, sem desviar os olhos de Valeria.
—Você tem gosto de caralho —disse ele.
Santiago agarrou a mão livre dela e a colocou também sobre a braguilha. O volume era diferente, mais longo, mais duro. Valeria se encontrou no centro da mesa com as duas mãos ocupadas, um seio fora do sutiã ainda brilhando de saliva, a saia levantada até a cintura, a calcinha encharcada pendendo de um lado e três bocas respirando sobre ela.
—Isso... —começou Valeria.
Ninguém falou. Andrés enfiou os dedos de novo, três, até o fundo, e roçou o clitóris com o polegar. Valeria arqueou as costas contra o peito de Marcos e sentiu a rola do amigo se cravar entre as escápulas.
—Isso é demais. —Engoliu em seco. As três pares de mãos continuavam no lugar, e o problema não era que fossem insistentes, e sim que ela continuava sem dizer a palavra que vinha segurando há vários minutos. —Já.
—Valeria? —disse Marcos.
Fechou os olhos por um segundo. Abriu-os.
—Para.
As três mãos se afastaram ao mesmo tempo, como se tivessem esperado exatamente essa palavra e nenhuma outra.
***
Fora do bar, o ar cheirava a asfalto molhado e a alguma coisa vegetal que vinha de um jardim próximo. Valeria caminhou até a esquina, encostou-se na parede de um prédio e respirou várias vezes seguidas, devagar. Sentia o cuzinho pulsando por baixo da saia, inchado, vazio, com a calcinha ainda torta de lado; o mamilo que Santiago tinha chupado continuava úmido dentro do sutiã, e o frio da rua o deixou duro outra vez, até doer.
Marcos saiu um momento depois. Ficou ao lado dela sem falar, o que foi o correto.
—Por que você não parou antes? —disse ela quando encontrou a voz.
—Porque eu não queria tomar essa decisão por você.
—Eu estava confusa.
—Eu sei.
Valeria olhou para ele. —E isso não importou para você?
—Importou. Por isso eu não saí de perto em nenhum momento. —Fez uma pausa. —E por isso deixei nas suas mãos.
—Você devia ter dito alguma coisa antes de começar. Me avisado que isso podia acabar assim.
—Você tem razão. Desculpa.
Foram caminhando em silêncio até o prédio dela. Antes de entrar, Valeria se virou para ele.
—Da próxima vez que quiser fazer um experimento comigo —disse—, explica tudo em detalhes. E me pergunta antes.
—Prometido.
Ela assentiu. Entrou. Subiu as escadas devagar, sem acender a luz do corredor até chegar ao quarto.
Sentou-se na beira da cama e ficou quieta por um longo tempo, deixando as sensações assentarem: o toque na nuca, nos ombros, na coxa, a respiração acelerada, o momento exato em que disse para e sentiu o controle voltar para si de uma vez, como quando se recupera o equilíbrio depois de um tropeço.
Então, quase sem decidir, levantou a saia, baixou a calcinha até os tornozelos e se deitou de costas na cama. Tinha os dedos de Andrés ainda marcados dentro, a boca de Santiago ainda marcada no mamilo, a voz de Marcos ainda marcada no ouvido — “três caras em cima de você e você não fala nada” —, e precisou de apenas dois minutos com a própria mão para gozar, mordendo o antebraço, com os quadris erguidos e um gemido longo que lhe soou como alguém que não era totalmente ela.
Ficou assim por um tempo, com a mão ainda entre as pernas e o peito subindo e descendo.
Não foi agradável. Não foi desagradável. Foi intenso de um jeito que ela não sabia classificar.
Tirou um caderno da gaveta da mesa de cabeceira e escreveu tudo o que lembrava, desde o começo.
***
Três dias depois, eles se encontraram numa cafeteria, de dia, com luz natural e copos de café longo que davam algo concreto para segurar com as mãos.
—Tenho pensado muito no que aconteceu —disse Valeria.
—E?
—Tenho dificuldade de descrever isso como algo ruim. —Franziu a testa, como se a frase lhe fosse incômoda mesmo dita em voz alta. —E isso me complica, porque eu não dei permissão explícita para nada do que aconteceu.
—Você está confusa porque o seu corpo respondeu?
—Exatamente isso. Eu fiquei encharcada, Marcos. —Ela disse isso olhando para a xícara, não para ele. —Andrés enfiou os dedos e eu estava tão molhada que nem precisou afastar a roupa. E eu não disse nada. Nem quando Santiago tirou um seio do meu sutiã. Nem quando você me apertava a rola contra as costas por trás.
Marcos assentiu devagar. —O corpo não pede permissão para reagir. Isso não significa que o que aconteceu estivesse certo nem errado. Só significa que você é humana e complexa, como todo mundo.
—Eu fiquei parada —insistiu Valeria—. Eu tinha a palavra na boca e não disse por muito tempo. Por quê?
—O que você acha?
Ela envolveu a xícara com as duas mãos. A resposta vinha pairando havia três dias, escapando sempre que ela tentava agarrá-la de frente, mas quando olhava de lado ela estava ali, com toda a sua clareza incômoda.
—Eu estava curiosa —admitiu. —Queria ver até onde iria antes de dizer não. Não porque eu gostasse daqueles dois em particular. Mas porque nunca tinha me permitido sentir essa vertigem de não saber o que ia acontecer. E porque nunca tinha gozado pensando em mais de uma rola ao mesmo tempo, e naquela noite percebi que podia.
—E viu? Onde está esse limite?
—Vi. —Ergueu o olhar. —E quando cheguei lá, eu disse. Isso também conta como alguma coisa, eu acho.
Marcos não respondeu. Tomou seu café.
Valeria olhou pela janela. Lá fora havia gente andando, carros parados num semáforo, uma tarde de dia útil sem nada de especial.
—Uma pergunta —disse.
—Diga.
—Você também sentiu alguma coisa naquela noite? Enquanto via eles, enquanto me dava a massagem, enquanto a sua rola marcava nas minhas costas...
Marcos levou um momento para responder.
—Sim —disse. —Fiquei tão excitado que, quando cheguei em casa, tive que me masturbar pensando em você.
Valeria assentiu. Tomou o café. Não acrescentou mais nada, e ele também não.
Algumas respostas não precisam de mais palavras do que essa.

